Novo Arouche
27/02/2009
Há quem fale em higienização, até em homofobia, no episódio do fechamento dos cinemões do Centro. Mas a realidade é que a maioria dos cinemas de pegação, salvo raras exceções, são lugares insalubres, sem condições mínimas de higiene, que exibem geralmente vídeos pornô hétero sem nenhuma qualidade de imagem e som.
O problema obviamente não é serem ponto de encontro para sexo. É possível oferecer opções mais dignas para quem quer sexo rápido sem pagar muito.
A mistura de mendigos domindo, travestis se prostituindo, profusão de ácaros, projetores velhos, banheiros abandonados e cheiro de cu e creolina nada mais é que resquício da época em que ser homossexual era algo sujo e não havia autoestima para exigir algo melhor.
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Começam as articulações em torno de uma transformação da região do Arouche/Vieira de Carvalho. A ideia é transformar o local em uma nova Chueca, o bairro que a comunidade gay de madri transformou em sua capital e é hoje uma das principais atrações turísticas da Espanha.
As condições estão todas lá: arquitetonicamente é um dos locais mais charmosos da cidade, não há localização mais central na capital, já existem bares, hotéis e restaurantes bacanas.
Desde o fim da Era Consolação, o único bairro gay da cidade é lá. Mas há muita sujeira, violência, menores em atividades nada lícitas e lugares degradados.
Se a comunidade arregaçar as mangas em um, dois anos aquilo lá pode mudar radicalmente.
Seria bacana se fosse algo feito por nós mesmo, sem cair no vício que o movimento gay brasileiro tem de esperar que o poder público faça tudo. Aliás esse é um dos maiores defeitos da nossa militância: só bater perna e cobrar que o governo faça tudo. Isso é fruto de uma falta de articulação estrutural, que não consegue mobilizar a comunidade.
No caso do Arouche basta uma mãozinha (incentivos fiscais tipo isenção do IPTU) e talvez o pontapé inicial da batalhadora CADS...
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Só uma última nota sobre o carnaval carioca... O bloco dos cineastas, que saiu na quarta de manhã na praça do Jockey tinha a maior concentração de gostosos do Rio. A maioria locais e, infelizmente, héteros. Mas no final da tarde, depois do décimo quinto chopp ninguém é mais tão hétero assim...
| Escrito por André Fischer às 13h50 | ![]() |
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Diário Disléxico do Carnaval no Rio
25/02/2009
Este ano vim novamente para o Rio no carnaval. Além de ser a opção mais prática e barata, buscava repetir a ótima experiência nos blocos de rua do ano passado. Dias lindos, sol a pino, nem uma gota de chuva.
Começamos com o Bola Preta, na verdade a xepa do Bola Preta, no sábado pela manhã. A banda já tinha passado, mas cerca de 500 mil pessoas, segundo a PM, estavam lá.
É preciso beber muito e rapidamente para entrar no clima. Divertidíssimo, mas quase nada gay. Uma loucurama completa. Nossa fantasia de Faixa de Gaze causou rebuliço, apesar de apenas uma pequena minoria entender o espírito. A grande maioria achava que éramos acidentados ou múmias. Mas tudo bem, o que importa é fazer sucesso.
Quando estava na rua de trás rolou um tiroteio, contei onze pipocos. Hora de voltar para Ipanema, para ir à praia. A tentativa de hypar o Arpoador é realmente uma forçada de barra. Lotada, suja, crianças correndo, muita, muita gente feia. Nunca vi tantos corpos lambuzados de água oxigenada. Meio pânico.
A Banda de Ipanema saiu, não vi. Tomei enjôo. O bairro virou um mictório, lixo. Da Vinícius para lá ficou intransitável, de revirar o estômago. Quando vi um cara mijando na minha portaria passei a achar que a prefeitura deveria fazer alguma coisa. Proibir é foda, mas o carnaval de rua não dura mais dois anos se prosseguir nessa nojeira. Não cabe mais.
Até o Que Merda É Essa, um bloquinho mínimo que saía na Garcia virou mega, não sei quantos mil. A marquise da Dijon virou Mijon e uma chupação a céu aberta. As bichas perdem mesmo a noção.
A solução que os cariocas dos blocos encontraram para driblar o gigantismo e a sujeira foi a mudança de horários. Não houve site, blog que desse conta. Os que mais prometiam, o Exalta Rei e Zoobloco, saíram 3, 4 horas antes, para que só os internos soubessem.
Interessante ver a internet não servindo para informar. Uma espécie de pacto, ninguém postava nada para que ninguém soubesse ao certo, só os que se falaram pessoalmente.
É o jeito - e recado claro- que a rápida revitalização do carnaval de rua do Rio precisa de uma outra solução. E que a internet nunca será soberana sobre o bom e velho boca-a-boca (será que tem hífen?).
Cacique foi assim também, saiu na véspera. Divertido como sempre, improvisamos um baile funk na saída, que bombou. Só espero que não postem no Youtube os vídeos que acabei participando depois de umas tantas caipirinhas. Ainda bem que nunca vou ser candidato a nada ;-)
A festinha do Gema no Cantagalo estava engraçada, mas esquisita. Os DJs não foram. Estava marcada para às 18h, eu cheguei às 7 e meia, só tinha 3 pessoas. Só rolou mesmo quando os abravanados chegaram. E não teve o after no 69. O Filhos de Bambi não rolou, nem os organizadores foram. Mas por que cargas marcaram às 8 da manhã na Rua Bambina?
Acabei indo ao Sambódromo, camarote da Brahma, na segunda. O projeto do André melhorou bem a visão da avenida . Tô apostando no Salgueiro, fui embora no meio da Mangueira. Mas fazer camarote sem bebida alcoólica... é acreditar demais da conta só na cerveja.
Terça à noite, olha já deu. Quarta quero um dia tranquilinho, cuidar de casa, namorar, colocar cinema em dia. Ainda nem vi Slumdog Milionaire.
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E, ai, o 11. A última fronteira da praia do Rio. Ipanema explodindo de gente, e lá tranqüilo, gente bonita, cool, água mais limpa. Os amigos falam nervosos de lá, com medo que copacabanize também...
| Escrito por André Fischer às 02h24 | ![]() |
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Faixa de Gaze
19/02/2009
Tem sido cada vez mais fácil subir de bike as pirambeiras que estão no caminho entre minha casa e academia, prova de melhora da condição física. Abdominais começam a aparecer desenhados, ainda que um pequeno par de pneus, que apareceram recentemente, insistam em não sumir. A prova final será no carnaval.

Às 12h de sábado na Cinelândia, na xepa do Bola Preta rola o Faixa de Gaze. O traje sugerido consiste em amarrar gaze em qualquer parte do corpo. Dora vai levar uma máscara e spray para grafitar o nome do bloco sobre as gazes dos que se aventurarem por lá. Apareça!
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Outros blocos amigos vão sair também no centro e no horário diurno, como o Filhos de Bambi e Colorbar. As informações de todos estão no Facebook.
| Escrito por André Fischer às 18h15 | ![]() |
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Buenos Aires y mi querido
16/02/2009
Fomos passar o finde em Buenos Aires para comemorar meu aniversário - como não gosto de mentir, prefiro omitir a idade. Fazia quase um ano e meio que não ia (última vez foi na Copa do Mundo de Futebol Gay em setembro de 2007 para a Junior), então acho que cabe um breve relato do que encontramos por lá.
Por conta da inflação elevada que a Argentina viveu nos últimos anos e a desvalorização do real, Buenos Aires não é mais aquele paraíso para compras. Tudo está mais ou menos o mesmo preço de São Paulo e Rio. Nem o táxi, que era um dos mais baratos do mundo, resistiu. Comer bem ainda é mais barato que aqui, comer trash a mesma coisa. O mercado editorial, que tinha tantos títulos masculinos e gays novos e interessantes praticamente se resume à deprimente Imperio. Restam os guias de distribuição gratuita, ainda que com periodicidade bastante elástica.
Tirante isso, a cidade continua a melhor opção para mudar de ares radicalmente em uma viagem rápida. Trabalhei quinta até o final do dia e jantamos em Santelmo. Hoje tomamos café da manhã lá e já almocei aqui.
Pela primeira vez fiquei em San Telmo, bairro que tem seu charme em algumas ruas, mas está longe de ser Palermo - bairro que continua sendo o mais civilizado da América do Sul. A feirinha de Santelmo no domingo vale o dia, sobretudo pelas lojas de design, essas sim com realmente coisas interessantes e preços razoáveis. Quando for, dê uma olhada na L´ago e na sensacional Cualquier Verdura, na Humberto 1o. Comprei umas pecinhas até. Depois alugamos bikes no Bicicletas Naranjas, que fazem lembrar demais Amsterdam. Fomos dar um role no Parque ecológico da Costanera Sur, uma surpresa bem no coração de Buenos Aires. Rola uma pegação num cantão do parque, mas só vimos dragão.
O Axel Hotel é realmente uma excelente opção, super design , de ótimo gosto, com staff e hóspedes (100% gringos, geralmente acima dos 30,40) bem divertidos. Para quem viaja sozinho é tudo de bom, pois os papos surgem sem grandes esforços. A piscina transparente é uma atração à parte. Domingo tem uma pool party que já é tradição na cidade e junta não apenas quem está no hotel, mas os locais também. Ferve da tarde às 22h. Na real foi minha primeira pool party, mas também deve ser a última. Valeu antropologicamente falando, mas no es mi onda.
Vamos a listinha dos imperdíveis (não espere um guia gay, acho a cena gay tradicional de lá meio boring)
Ambar Lafox “A” festinha moderna da cidade, não totalmente gay, mas bastante gay. Som engraçadérrimo, sem nenhum compromisso. Só lindinhos, sem atitude nenhuma, estilosérrimos. Pena que muuuuuuito novinhos demais da conta. Federico Lacroze y Alvarez Tomas.
Kim y Novak Continua o meu bar favorito na cidade. Ótima música, gente bonita e doida, a garçonete nova é bem Amy Winehouse. Olha o blog deles http://www.kimynovak.blogspot.com/ Güemes y Godoy Cruz.
Green Bamboo Tudo bem era San Valentín, dia dos namorados. Mas esse vietnamita em Palermo Hollywood é um dos restaurantes mais charmosos que já fui. Gente linda, drinks incríveis (ai, o barman!), pratos ótimos, ambiente super sexy, meio puteiro oriental. Tudo isos a preço de Ritz. Costa Rica y Carranza
Café San Juan Leandro Cristobal é o Alex Atala portenho e como a cozinha do lugar é aberta para o salão é possível vê-lo com todas as suas tatuagens preparando os pratos de sua nova cozinha argentina, meio fusion. E ele ainda sai toda hora para fumar e ver se está tudo bem. O lugar é uma graça, a comida é excelente. San Juan y Bolivar
Don Julio Entra ano, sai ano, simplesmente o melhor churrasco do planeta. O chorizo é de ajoelhar e agradecer a Deus. Careta, mas com direito a bandeirinha de arco-íris na entrada, só mostrar que são friendly. Guatemala y Gurruchaga
Quimbombó Nem tudo é carne na Argentina. Não é que tem restaurante natureba chique na Argentina? Terraço delicioso com vista para praça, bons pratos orientais. Costa Rica y Armenia
Brasserie La Petanque Boa comida de brasserie francesa, ambiente charmoso e despojado, no meio da trasheira de San Telmo. Público meio gay. Defensa y Mexico
| Escrito por André Fischer às 17h02 | ![]() |
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O preconceito de todos nós
10/02/2009
O Globo publicou ontem uma pesquisa no mínimo polêmica. Segunda ela 29% dos brasileiros têm forte preconceito contra homossexuais e 99% das pessoas algum tipo de preconceito contra nós. Apenas ateus e ex-presidiários sofreriam preconceito maior.
Questiono os critérios da tal pesquisa. Ao afirmar que 99% têm preconceito, considera que boa parte dos homossexuais também são preconceituosos contra si próprios. Conversei com amigos gays ontem que disseram que têm sim preconceito contra gays, mas contra algumas atitudes e grupos específicos.
E será que quase 100% têm realmente preconceito contra ateus? Duvido dessas informações. Dependendo das perguntas que tenham sido elaboradas provavelmente eu também entraria nesse bolo. Acho que boa parte dos gays se droga demais, a maioria das travestis se prostituem e muitos têm problemas sérios para lidar com rejeição e adaptação. Enxergar isso não me torna preconceituoso.
O estardalhaço na divulgação de uma pesquisa de resultados certamente duvidosos apenas reforça preconceitos, é péssimo para a percepção geral da sociedade sobre a população lgbt. De uma certa forma legitima o preconceito.
Militantes acreditam que esse dado é bom, pois o governo será forçado a dar mais verbas para o combate à discriminação. Não enxergo assim. Ele afasta políticos que poderiam apoiar a causa e passam a ter mais receio de perderem votos. Além de ser péssimo para quem atua nesse mercado, pois dificulta parcerias e afasta possíveis anunciantes.
Está mais do que na hora de termos uma pesquisa séria sobre a situação de gays e lésbicas no Brasil, para sabermos de verdade onde estamos, quanto somos e qual real nível de preconceito que enfrentamos.
A questão é que uma pesquisa assim custa caro e só mesmo o poder público poderia contratar um instituto confiável para realizá-la. Mas será que há interesse real para que isso aconteça?
| Escrito por André Fischer às 13h27 | ![]() |
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Fogo!
06/02/2009
Fiquei estarrecido ao saber que um conhecido está tomando hormônios para diminuir sua libido. O cara vai completar 50 daqui a pouco, mas ainda é um mega gato, comedor, cheio de vigor sexual. A questão é que a namorada dele, outra super gata que deve estar se aproximando dos 40, perdeu o tesão e não dá conta de atender às demandas dele. Como prova de amor ele resolveu apelar para química com intuito de baixar seu fogo. 
Eu acho que ou ela enfeitiçou o moço ou ele nunca soube lidar bem com seu desejo e agora está usando essa desculpa para baixar a bola e desencanar de sexo.
Cada um lida com seus desejos e suas culpas de um jeito. Mas acho que era muito mais saudável se eles chegassem a um acordo onde ele aceitasse a falta de tesão dela e pudesse dar suas escapulidas sem ter que arriscar a saúde.
| Escrito por André Fischer às 19h23 | ![]() |
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