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48 horas depois

28/05/2008

Ainda pensando muito sobre a Parada e sobre a vida.
Engraçado que os anos vão passando e a gente vai mesmo adquirindo experiência, desenvolvendo uma inteligência sobre o funcionamento das coisas. Só tem que ter a humildade de abrir a possibilidade de estar errado. 
A Parada, a meu ver, deveria fazer um esforço , no próximo ano, para congregar mais forças. Uma boa maneira seria fazer um esforço efetivo para chamar mais pessoas a participarem da Associação. E não o contrário, como vem acontecendo.
Queiram ou não bares e clubes ainda são o maior espaço de confraternização e encontro da comunidade. Eles têm que participar. Eu nem sou mais tanto de balada, mas sei da importância deles. Para isso é preciso que a Associação que faz a Parada seja legítima e tenha representatividade. O que, com todo respeito e no final das contas por culpa da falta de mobilização da própria comunidade gay, ainda não tem. E há tamanha diversidade de grupos em São Paulo hoje...


Mas olhe só...

Em Berlim a Love Parade, que na Europa é anunciada como a maior festa de rua do mundo, foi se perdendo até uma hora que a prefeitura tirou o apoio. Sabe o que significa ter que pagar pela limpeza, policiamento extra, danos ao mobiliário urbano, banheiros químicos e, pior de tudo, aluguel pelo uso das ruas? O fim do evento, que teve que se mudar para Dortmund.

Em Londres houve um racha: a Parada, política e modesta de um lado na rua, no mesmo dia em um parque no outro lado da cidade um show cheio de patrocinadores e nenhuma politização cheio de astros pop “simpatizantes”.

Isso não pode acontecer de forma alguma aqui.

A base da Parada tem que ser política e para isso os militantes, um colegiado e não apenas um grupo, sempre darão parte fundamental de sua sustentação. Não pode ser exclusiva.

*

Colocar a sala de imprensa entre a PM e o Hospital de Campanha não foi muito esperto. O que a imprensa que cobria mais viu foi uma série de ocorrências policiais e médicas.

Tá vendo porque precisa de camarote, sala de imprensa e um suporte aos apoiadores e formadores que vão assistir e cobrir?

*

Fui ver o lisérgico Speed Racer, mais uma obra prima dos Irmãos Wachowski. A sensibilidade feminina de Andy Wachowski, o irmão que mudou de sexo, é explicitada na delicada direção de arte, ao mesmo tempo retrô e incrivelmente high tech.

*

Andamos falando hoje sobre fazer uma campanha anti drogas no Mix. O risco é parecer careta mas fato é que está havendo um evidente abuso, deprê mesmo ver gente desmontando de coquetéis de letras (entre E e K tem um monte) nos lugares e ninguém fazer nada.

Diminuir amigos estão fodendo a cabeça e o corpo a olhos vistos e ninguém faz nada a respeito, por medo não sei do quê.

Eu acabo brochando de ir em uns lugares e ver as pessoas deformadas. Ficam feias, parece tudo muito histérico, sem noção.

Dá uma assistida no clip de J’Arrête, do francês Yiss, que faz uma crítica à drogadice no mundo gay. O Sagat faz participação.OLha o vídeo do Yiss trabalhando no remix da música, numa madruga assim como eu agora escrevendo


Escrito por André Fischer às 03h32 Comentários Envie

Xoxa

25/05/2008

Em 12 anos de existência essa é a primeira Parada "menos". Menos gente também, mas nem tanto. E esse nem seria um problema. A super lotação do ano passado é algo que ninguém desejava mais.
Mas na rua havia menos carros, menos montadas, menos gente bonita. Menos violência e mais bem organizada também, é verdade. Mas certamente menos vibe.


E nem venha dizer que é meu ponto de vista, pois tivemos um lounge mais lindo, mais bem produzido, com mais gente bonita, mais amigos, mais celebridades, mais parceiros e mais patrocinadores do que no ano passado. Delícia de festa.
Só que lá na rua, onde no final das contas é o que importa, estava diferente. Era isso que se via, era isso que quem chegava compartilhava. Ouvi a palavra "xoxa" várias vezes.


Quem foi pela primeira vez achou o máximo. A Parada Gay de São Paulo realmente é o máximo, vai ser difícil acabarem com ela.


Mas esse ano veio burocrática, corrida, sem glamour. Em menos de 4 horas a festa na Paulista começou, terminou e já tinha virado xepa. O último carro, anunciado como surpresa, resumiu o espírito da coisa: um carro vazio, sem ninguém nem nada escrito. Segundo a organização representava as vítimas da aids e da homofobia. Terminar uma Parada com uma derradeira ducha fria? Para quê mesmo? A ausência de casas noturnas também foi determinante. Afastaram deliberadamente os clubes gays, que sempre foram sinônimo de boa festa.

A militância é fundamental, é a mensagem que ela elabora a função disso tudo. Só que o que se viu foi uma sucessão de trios desanimados. Dos três únicos carros do setor privado, todos de sites de relacionamentos e que eram os menos caídos, dois já declararam que não voltam. Afirmam que é caro demais e que seu público alvo já não está mais lá.

Nada contra quererem transformar a Parada em uma Marcha, pode ser um caminho. Só avisem antes, e abandonem o formato micareta pelo qual se consolidou.


As ruas paralelas estiveram mais lotadas do que nunca. Os Jardins e a Frei Caneca cheios evidenciam que boa parte do público estava ali apenas pelo fervo, à margem da manifestação.

Na coletiva de imprensa o poder público falou bonito sobre a importância para a causa glbt, o impacto na construção da imagem e nas contas da cidade. Precisamos traduzir cada vez mais a Parada em direitos civis, mostrar o lugar de São Paulo no mundo e faturar.  Mas faturar deve ser objetivo do comércio, do estado, das empresas. Não da militância.
Porque essa não sabe fazer festa.


Escrito por André Fischer às 20h33 Comentários Envie

Don't Believe the Hype

24/05/2008

Feriadão da Parada rolando, só trabalho por enquanto. Quarta não saí, quinta foi o dia lá na tenda do Mix na feira da República, não saí depois. Ontem dia inteiro trabalhando e à noite festinha no Tony/Herbert e um pulo muito rápido na Flex. Casa lotada.

Hoje o dia foi lá nos Jogos da Diversidade. Surfei, rodei, pulei e vi umas partidas de vôlei, fiz algum social. Sem muito ânimo para jogação, prefiro ficar em casa namorando. E amanhã é dia heavy metal.
*
As saunas e clubes estão cheios. O resto da cidade- shopping, ruas, lojas, restaurantes- bem vazios. Alguns hotéis lotaram, outros não mesmo. As passagens aéreas ficaram super caras.  Acho que os números divulgados de turistas e negócios são bacanas, mas meio exagerados.
*
A história deprimente do cara que morreu doido de GHB na piscina do Mercure - e nem hóspede era- é uma cagada. Corro o risco de soar careta, mas acho triste (palavra que está virando tabu!) esse povo que cai drogado nas pistas. Parece que não conseguem se divertir sem chafurdar na jaca. Deprê.


Escrito por André Fischer às 20h35 Comentários Envie

Pareço Moderno

21/05/2008

O clipe não pode ser mais trash, total hippie. Mas presta atenção na letra. É tipo um hino, meio assim que me sinto.


Escrito por André Fischer às 10h38 Comentários Envie

Sugestão

20/05/2008

Nenhum clube no Brasil pensou em trazer o François Sagat para uma apresentação?


Escrito por André Fischer às 02h09 Comentários Envie

Fato novo

19/05/2008

No finzinho da semana, surge uma chance da experiência de domingo ser mais agradável. Ao que tudo indica vamos mesmo ter um lounge para assistir com conforto e receber os amigos e parceiros.
Os batalhadores da CADS, inconformados como nós com a inexistência desse local, descolaram uma locação maravilhosa, a gente está ajudando a correr atrás da produção com a Funprime.
Vai ficar demais.
Ganhei um gás para seguir até o final da semana. Lá pra meados de junho vou querer um decanso.

Adoro ver Mix, XXY e Junior recebendo bem em um evento que damos tanto de nós há tanto tempo. 
*
Por falar nisso, de tão animado, resolvi tocar na festinha da Junior no Gloria nesta terça. Pra quem lê este post, vale como um convite. Só postar comentário com nome (não vou publicar, pode ficar tranqüilo/a) que vai valer nome na lista + 1, nem precisa de confirmação que não vou ter tempo. Basta aparecer. Mas tem dress code: ir com pelo menos uma peça colorida. 
*
Último, espero, comentáro sobre o Rômulo. Claro que preferia que ele não tivesse feito aqueles comentários na Mônica. Ingênuo e de pouco tato, sem dúvida. Mas não invalida nada do que disse antes e penso a respeito. É um garoto, lindo de morrer, que me pareceu gente boa. Foi campeão de natação com 14, perdeu o pai também campeão não muito depois disso. E teve uma experiência bem ruim com duas travestis e uma puta (ok, profissionais do sexo, mais feliz?) que tiraram proveito do fato dele ser conhecido. Não vejo porque atirar pedra no cara.
*
Não quero parecer conservador nem saudosista. Sou daqueles que levaram tempos pra chamar a Montenegro de Vinícius, mas finalmente consegui e quando lembro do nome antigo até me soa estranho.
Mas que vou sentir bastante falta dos acentos com essa nova reforma ortográfica, ah isso vou. Sobretudo dos tremas, que uso e valorizo como um bastião do português castiço. Fazer o quê?
Melhor ir já passando a escrever ideia, voo, heroi, veem e cinquenta do novo jeito (que espero que continue com j).

 


Escrito por André Fischer às 01h19 Comentários Envie

Toda sinceridade do mundo

14/05/2008

ESse blog é pessoal, sem nenhum compromisso com nada além de expressar o que penso e sinto. Certo? Então vamos lá...

No duro, no duro, daria tudo para viajar no Corpus Christi.
Essa vai ser minha 12a Parada em São Paulo (e mais outras tantas, umas 20, em outros lugares). Teria tesão ainda se fosse algo divertido, se sentisse que realmente muda alguma coisa.
Mas virou pura função, só trabalho. 
O sumiço dos clubes do evento é uma prova que há um distanciamento enorme da comunidade e ninguém parece se importar com isso. Os eventos paralelos praticamente acabaram.
 
Será que alguém podia sugerir uma fórmula nova?


Escrito por André Fischer às 19h33 Comentários Envie

ups, apaguei sem querer este post sobre Britney, Madonna e La Prohibida.

.


Escrito por André Fischer às 19h20 Comentários Envie

15 de cada

09/05/2008

Comecei e parei

Esperanto
Drenagem linfática
Body Pumping
Amizades bacanas
Drogas químicas
Faculdade de Economia
Pintar o cabelo
Ser DJ
Macrobiótica
Ler escrituras
Cantar mantras
Tatuagens
Namoros complicados
Escrever na Folha
Colecionar chaveiros


Comecei e continuo

Pedalar
Comer carne
Obras em casa
Programa de TV
Escrever livros
Sexo seguro
Namorar carioca
Amizades bacanas
Viajar muito a trabalho
Orkut
Usar cremes
Repetir mantra
Malhar à noite
Correr riscos
Esse blog


Escrito por André Fischer às 01h22 Comentários Envie

E ninguém cala...

05/05/2008

Fim-de-semana romântico na montanha para juntar as energias necessárias para as próximas semanas que têm na agenda Parada Gay, lançamento de Junior, fechamento de contratos e entrega do livro (finalmente). 

O lugar ideal foi uma super charmosa pousada no alto do Vale do Pavão, em Mauá, com vista deslumbrante para floresta, onde celular não pega e, melhor de tudo, a diária custa apenas 100 pratas (não conte para o dono que ele poderia cobrar pelo menos o dobro). A vantagem de ir a uma cidade onde não há muito que fazer (além de bom sexo, lesar, comer bem e ir à cachoeira) é que dá para dormir às 22h e acordar às 10h sem culpa de estar perdendo nada. Nem liguei o laptop, que insisti em levar.
Só lemos muito e assistimos a indescritível programação da TV Diário (precisa ver o “especial” com travestis cearenses comentando o episódio Ronaldo) e a fofa da Iára Capraro do Criatividade sem Limites, programa doidão de artesanato.

Só não carecia a gritaria dos flamenguitas para estragar meu humor no final do finde...   


Escrito por André Fischer às 11h06 Comentários Envie

O fenômeno

01/05/2008

O cara deixa a namorada em casa e vai pra farra com 3 travestis que pegou na rua. Chega lá consome R$550 do frigobar e serviço de quarto e só depois se dá conta que não são mulheres. Diz que não tem dinheiro pra pagar o combinado, elas armam barraco e acabam todos na delegacia. Isso deve acontecer algumas vezes por dia no Brasil sem que ninguém além dos envolvidos saiba. Mas quando o protagonista da história é o jogador de futebol mais conhecido do mundo, vira manchete dos jornais e tevês em todo planeta.

Acho que ele está errado, deveria pagar as profissionais sem criar caso (o que são R$3 mil pra quem ganha 40 milhões de dólares por ano?). E um atleta não deveria beber tanto nem cheirar, se foi esse o caso.

Só que não é esse mais o ponto. 
Desdobro o caso em duas questões:

Uma pessoa que ganha tanto dinheiro, fatura assim porque esse é o preço da sua imagem. É o intesse na vida dela (leia indústria de celebridades) e não apenas seu talento, que torna os contratos mais milionários. Tudo vira notícia, informação é o maior negócio do mundo nesta nova Era (de Aquário, alguns chamam).  

Quando alguém assina um mega contrato está dando um 'de acordo' à exposição de sua vida pessoal também. Se acha que estão invadindo a privacidade, a cláusula impedindo o interesse público vai depender de resistir à tentação da exposição. A solução seria ou ganhar menos ou assumir tudo, na lata.
 
O segundo ponto é o preconceito envolvendo travestis. Conheço algumas que são gente boa, entendo a barra que é ser transex - nada que se compare com ser gay ou lésbica. Geralmente "héteros" que saem com travestis têm sexualidade mal resolvida porque poucos assumem o desejo, até mesmo para si. Surtam quando flagrados porque existe mesmo um puta preconceito. Se fossem putas não seria tão grave assim.

*
Tá acompanhando a tensão sexual entre Facundo e ele/ela Lola, na novela Laola ? E os dramas da revista em que eles trabalham? E a trilha é Miranda! No outro blog estou acompanhando...


Escrito por André Fischer às 17h58 Comentários Envie


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