Pra quê mesmo?
29/10/2007
Ontem foi maratona de Mr Gay Brasil. Resolvemos montar o concurso a partir de um convite do organizador do Mr Gay International que queria ter um candidato brasileiro e achou que o MixBrasil era o parceiro ideal para montar o concurso por aqui. Adoramos o desafio. Como na maior parte das coisas em que me meto, primeiro faço e depois penso porque estou fazendo.
Sabíamos que ia ser pauleira, já que não era possível prever sequer quantos candidatos apareceriam e se conseguiríamos apoios. Rio de Janeiro, por exemplo, não conseguiu eleger um. O de Vitória o pai proibiu vir quando descobriu pela internet que o filho era candidato. Pensávamos em um mínimo de 6 candidatos, vieram 12. Super bacana a diversidade nas eleições: em Cabo Frio e Belo Horizonte, o vencedor veio de um evento de ativismo gay. A Metrópole fez concurso no Recife. Em Curitiba e Florianópolis foi promovido pela LadoA, a revista gay local. As 5 regiões do país estavam representadas.
Os apoios pintaram, como a la Reina que fez os shows e recebeu os moços, Maison Depil e ByMee cuidaram dos candidatos. O clima entre eles foi ótimo.
Mas afinal de contas para quê mesmo serve um concurso como esse? Na depressão pós-parto fiquei questionando a validade de um concurso como esse. Às 11 da manhã estava na cama lendo texto de Foucault sobre os rumos da homossexualidade...
Para começar...ainda faz sentido falar da falta de modelos e referências para quem é gay, não importa a idade. Até hoje poucos são os não-ativistas que dão a cara a tapa. É importante ter um cara como Lupo (o vencedor), de uma cidade fora do eixo, boa pinta, publicitário, bem resolvido, dentro de uma relação estável, mostrar que se assume gay. A referência de concursos de beleza gay ainda é o Miss Brasil Gay. Admiro o evento, já assisti algumas vezes e fui até jurado. Só que aquela gay que está lá não corresponde à representação de gay, pelo menos de como me vejo e entendo como homem gay. 
Em segundo lugar estamos falando de um padrão de representação masculina que foge um pouco do musculoso gogo, que se tornou quase sinônimo de gay. Não deixa de ser um concurso de beleza e o que se estava premiando era o mais gostoso, mas havia ali uma interessante diversidade de tipos. Reclamaram da falta de louros, mas por outro lado havia 3 negros em 12, proporção que segue baixa mas que não é comum em eventos desse gênero.
Além dos dotes físicos contou muito a empatia dos candidatos, a fluência de discurso e imagem que construíram no decorrer da hora e meia de evento. O vencedor também fez campanha junto ao público presente, distribuindo na entrada leques (fazia um calor do cão no teatro lotado) e com torcida organizada.
Os jurados fizeram perguntas finais aos 5 finalistas e a última, do Sérgio Ripardo, foi em cima do que todo mundo queria saber: com quantos anos começaram a malhar e se haviam tomado bomba. Os de Salvador, Cuiabá e Floripa contaram sua trajetória física de esportes e malhação anabol-free e pareceram convincentes. O candidato de Brasília tomou uma semi-vaia ao negar tomar anabolizantes O de São Paulo admitiu já ter tomado e que havia sofrido com os efeitos colaterais. Foi quase ovacionado e isso, sem dúvida, ajudou a garantir o segundo lugar.
Agora é ver como vai ser Los Angeles. Lupo é candidato também ao BBB8. Se entrar, perdemos uma boa chance na final mundial, mas ganharemos projeção à Jean Wyllys.
E de qualquer forma, pelo jeito vai rolar uma segunda edição, com maior segurança do que estamos fazendo.
| Escrito por André Fischer às 01h07 | ![]() |
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Björk, Antony no Tim
28/10/2007
Encarei o Rio de Janeiro em pleno caos do Rebouças. Para chegar ao Tim, saindo de Ipanema, gastamos quase 2 horas combinando táxi e metrô. Ao chegar, correndo, Antony havia acabado de tocar. Hora de tomar fôlego para ouvir Björk. Nem tentarei ser racional, pois passei boa parte do show às lágrimas. Segundo show dela no Rio, segunda emoção forte que a islandesa proporciona. Continuo achando Björk um ser especial, que tem uma conexão muito forte com a música, parece estar em transe cantando e dançando. E a bandinha das meninas de Reykjavik, que fofas.
Depois fomos para a outra tenda ver o show do extra Antony. Poxa, uma decepção. O som estava ruim, a tenda era bem micada, povo conversando. Mas ele também não soube segurar a onda. Foi antipático, atacado, largou no meio. Queria ter visto em São Paulo para não abalar a imagem romântica que tinha dele. O jeito vai ser voltar a ouvi-lo ao chegar. Cat Power meia boca, acabamos perdendo Hot Chip.
Acho que foi o Tim no Rio com menos paulistas de todos os tempos. Ajudou muito a pirada nos preços para os shows na Marina da Glória e o caos aéreo.
A praça estava belíssima, visual da baía de tirar fôlego. Em um dos cantos, uma projeções engraçadas com recadinhos escritos a mão. Um deles dizia, “No Mam era melhor”. Engraçado, mas nem concordo. De qualquer forma achei bom ver que os organizadores têm o bom humor de não se levarem tão a sério e permitirem críticas.
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Parece que vêm boas notícias sobre o Festival no Rio. Tomara que dessa vez o MixBrasil possa na ter Cidade Maravilhosa o tamanho e formato que merece. não adianta, eu tenho o sonho, até hoje frustrado, de fazer um Mix carioca super bacana. Um dia a gente chega lá.
| Escrito por André Fischer às 23h38 | ![]() |
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Solta que volta
25/10/2007
A programação do Festival está um tesão. O Mix anda nas melhores fases de conteúdo. A Rádio está bombando em audiência. O Mr Gay está com cara de que vai emplacar também. Acabei de entregar o livro novo à editora e pediram para encontrar um título novo. Acharam o proposto muito gay.
Só que nada ocupa mais a minha mente do que a Junior. Já estou conectado no número 3, me pego pensando em pautas para 4.
E ainda está difícil escolher meu ensaio favorito no número 2, que estamos fechando. Está cada um mais lindo que o outro, nossa equipe e nossos colaboradores ultrapassaram minhas expectativas totalmente. Tudo muito cheio de significado. Tem um, o mais moderno de todos, que o menino está com uma camiseta que diz “solta que volta”. Grande verdade, escrita com canetinha bic.
Tem gente que gosta de sentir perseguido, gosta que sintam ciúmes. Não vejo graça nisso, parece atraso evolucionário. Vai ter que voltar mais umas três ou quatro encarnações só para resolver esse apego projetado.
Melhor coisa da vida é ter alguém do seu lado, não em cima de você. A conquista acontece justamente quando se passa a sensação de confiança em si mesmo e no outro.
Em uma relação qualquer coisa fora disso é carência. E não se pode confiar em carência.
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Amanhã vai ser bate-volta no Rio, só para ver Björk e Antony. Sábado tem Mr Gay em SP. E não é que o Rio não apresentou nenhum candidato. Depois vai dizer que é implicância minha...
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E esse fenômeno da derrocada do Botafogo, alguém explica? Tenho evitado falar nisso, é um assunto um pouco tabu para mim. O time liderou por não-sei-quantas rodadas, terminou a primeira rodada em segundo e já despencou para . Acabou o gás? Assim não há torcedor que agüente...
| Escrito por André Fischer às 00h29 | ![]() |
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Boca fechada não entra mosca
19/10/2007
Muita coisa acontecendo, se não paro para escrever, o tempo voa e as considerações passam. Apenas para registro, terminei meu novo livro, maior ansiedade para encontro
com editora e ver o que eles acham. E já pintou convite para o seguinte. Número 2 da Junior está lindo de morrer, mas só agora realmente tenho dimensão do tamanho da loucura que é fazer uma revista. E o Festival que está logo aí...
Nem comentei ainda a Parada do Rio. Super bacana, linda de morrer. Justifico o bode. Trabalhei feito um mouro na cobertura para o Mix. Nenhum veículo cobriu como nós, completinho: começo, meio e fim, milhões de fotos. No final fiz um balanço com comentários, avaliando os pontos positivos e negativos. Pois não tive que passar uma hora no telefone com o organizador do evento reclamando que eu estava detonando a Parada?! Poxa, foi um artigo apontando algumas falhas em meio a 20 rasgando elogios. As pessoas têm uma dificuldade incrível de ouvir críticas, mas acho que também é essa nossa função. Para tirar foto de helicóptero sem nenhuma análise crítica já basta O Globo. Eu já me acostumei com cobras e lagartos. Criei um filtro para entender que algumas críticas devem ser ouvidas para melhorar, outras são puro recalque e é preciso não se deixar abalar.
Ontem fui à abertura da Mostra ,
passou o filme novo do Babenco, El Pasado. Uma chatice sem fim. Valeu pelo Gael
ter sentado bem na minha frente, e só. Nem ele gostou. Até
desisti de ir à festa e olha que estava animado. Valeu pelo curtinha
lindo do Claude Lelouch de 1967. Depois fomos ao Ritz jantar. Ao chegar comentei
sobre o aborrecimento que o filme causou a um amigo. E não é que o roteiro era
de alguém da família dele? Por isso que adoto como política nunca falar mal, e
nas poucas ocasiões que fujo da regra confirmo que ela é de ouro.
Vejo esses blogs detonando
lugares e pessoas apenas para destilar veneno. Ganham o quê mesmo? Nada,
geralmente nem a notoriedade que buscam.
| Escrito por André Fischer às 11h33 | ![]() |
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Duas Caras
06/10/2007
Mais uma novela, e mais uma vez só consigo assisti-la da esteira da academia,
sem som.
Em Paraíso Tropical foi de grande uso, pois em closed caption
aparecem sempre os nomes dos personagens e não havia xabu para saber quando era
Taís ou Paula.
Admiro o desprendimento dos autores de novela, que conseguem
escrever um folhetim totalmente descolado da realidade. É pura emoção, baseada
em todos os clichês possíveis e inimagináveis.
Como a tolinha pôde se
entregar daquele jeito para alguém que mal conhecia?
Perder tudo que
teve na vida, passar de milionária a homeless literalmente do noite para o dia,
por achar que é possível se entregar a uma pessoa sem nenhuma
reserva.
Não dá não, querida, por mais que a gente quisesse que isso
fosse possível.
E nem precisa ser nenhum Marconi Ferraço, não. Pode ser
um cara bacana até, mas um dia ele acorda sem querer mais e cabum: acabou o
sonho. Ou pode ser você mesmo que passa a não acreditar mais na fantasia que
criou. Não sei o que é pior.
Uma lástima a gente ter que viver com pé atrás, dá uma travada
nas relações. Funciona como uma espécie de vacina, cria anticorpos contra
possíveis decepções.
Só que endurece o coração.
Ai, que minha lua em
câncer bem queria poder se derreter completamente...
| Escrito por André Fischer às 08h05 | ![]() |
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