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Pequi pro frio

31/07/2007

O pequi é uma fruta bastante popular no centro-oeste, nordeste e partes de Minas. Apesar de extremamente perfumada e saborosa é uma iguaria perigosa. Dentro dela reside um perigo para os incautos: seus espinhos escondidos podem causar um grande estrago na boca dos que o morde em busca de mais carne.
Por isso seu consumo exige um certo cuidado, devendo ser apenas chupado, raspado com os dentes com extremo cuidado ou simplesmente ter seu sabor diluído em molhos.

O creme de pequi é como o sorvete de fruta-do-conde: perfeito para os mais práticos (ou mais preguiçosos, dependendo do ponto de vista). 


Essa noite a lareira já foi ligada, o aquecedor também e ainda assim faz frio em casa. Nada melhor do que comer um bom prato quente para aproveitar uma noite glacial de inverno. Sozinho na Cozinha, você pode preparar tudo que gosta, dependendo apenas do que sua geladeira oferece e do seu gosto pessoal. Essa noite a despensa e tupperwares combinados ofereceram os ingredientes para a seguinte receita, usando um delicioso creme de pequi que comprei no Mercado Central de BH. Depois de um final de semana de consumo intenso de carne animal, nada melhor do que uma dieta rápida vegetariana para dar uma limpada no organismo. 


Lasanha de Beringela com Creme de Pequi

serve uma pessoa


Meia beringela de tamanho médio
Purê de abóbora (purê de cenoura, de batata ou ainda um bom molho de tomate)
Creme de Pequi
Couve picada passada na manteiga (ou espinafre, ou brotos)
5 Palmitos picados (ou aspargos)
Azeite 
Queijo parmesão ralado (ou chanclish ou mussarela)
Cheiro verde (ou manjericão ou pimentão)
 
Monte em uma travessa como uma lasanha as tiras de beringela entremeadas com os ingredientes. No final regue com azeite à vontade, cubra com queijo. leve ao forno (convencional 25-30 minutos a 180o ou 14 minutos no microondas). Salpique com cheiro verde e coma... 


Escrito por André Fischer às 01h42 Comentários Envie

O armário como parte do mobiliário

26/07/2007

Vamos pensar em uma hipótese. Em um futuro mais ou menos distante, a homofobia acabou no mundo civilizado. Se não acabou completamente, virou algo politicamente incorreto e praticamente banido, como o preconceito contra judeus. Ele existe ainda mas, fora do mundo islâmico, é possível viver sendo judeu sem ser perseguido ou perder o emprego por isso. Nada parecido com o preconceito que a maioria dos homossexuais ainda vive hoje em dia.

Mas vamos lá, acabou a homofobia. Todo mundo pode viver livremente sua sexualidade. Ninguém vai bater em você na rua se der pinta, pais não expulsam filhos de casa só por isso.

Muitos vão poder se assumir e não terão que se esconder e com isso o número de gays e lésbicas será muito mais visível do que hoje. Só que provavelmente a maioria da população vai continuar heterossexual. Arriscaria afirmar que mais da metade não seria nem bissexual.

Lugares exclusivamente gays vão diminuir em número, mas ainda vão existir. Da mesma maneira que quando você quer rezar ou meditar escolhe entre uma igreja ou um templo, ou se gosta de sertanejo vai para o Vila Country.

E como fica a vida no vestiário da academia, por exemplo? Todos sabem que você é gay. Vai poder olhar abertamente o pau do cara? Se ficar pelado na frente dos outros também tiver deixado de ser um tabu- como acontece nas saunas escandinavas- criará um leve mal estar. Nesse futuro sem homofobia o coió pode deixar de existir, mas por um bom tempo a heterossexualidade será o default. Judeus podem celebrar abertamente suas festas, mas os feriados religiosos no ocidente continuam sendo os cristãos. Mulheres se libertaram formalmente do jugo machista mas é considerado bacana deixá-las entrar e sair na frente.

Em algumas situações de convivência íntima entre pessoas de sexo igual e orientações sexuais diferentes, o armário continuará fazendo parte do mobiliário social, com ou sem portas, mesmo que limitado a algumas situações específicas. Não concordo, apenas prevejo. Pode até ser uma boa negociação, tipo relaxa e goza. 


Escrito por André Fischer às 00h00 Comentários Envie

Obcecado pelo Pan

25/07/2007

Desde o começo do Pan passo os dias ligado no SporTv e acompanhando cada prova. Não faço distinção entre masculino e feminino, handebol ou ping pong (ups, tênis de mesa) mas é evidente que nas provas de atletismo masculino a torcida é redobrada. Os corpos favoritos são os do atletismo e saltos ornamentais (que vou assistir no sábado). Ginástica olímpica são um pouquinho forte demais e bem baixinhos.
Mas nada supera o decatlon. Como cada esporte tem uma compleição ideal, o fato de ter que competir em 10 modalidades proporciona, na minha opinião, o corpo mais perfeito. Forte mas não bombado, leve mas musculoso. Passei 2 dias acompanhando as competições, torcendo para o Carlos Chinin, mas sem tirar o olho do Ivan Scolfaro e do argentino Gerardo Canale.
*
Por conta desse bombardeio de imagens saudáveis, voltei a malhar com mais afinco, estou controlando a alimentação. E os resultados já estão aparecendo.
*
Ando bem incomodado com as vaias no Pan. Adorei as vaias na abertura para o Lula, para as delegações americana e venezuelana. Mostrou politização do público. Mas vaiar cada oponente dos atletas brasileiros, é de um suburbanismo sem par, mostra que nosso povo não entendeu o que quer dizer 'espírito olímpico'.


Escrito por André Fischer às 14h21 Comentários Envie

Eu e minhas circunstâncias

19/07/2007

para Ortega y Gasset

 

Vario de humores, vario de amores. Amo de paixão e não consigo odiar, nada nem ninguém. Vêm as rugas, afrouxam os músculos e ainda me vejo garoto. Rodo o mundo, mudam os cenários, volto para o mesmo lugar. Sempre me sinto estrangeiro. Choro vendo novela, mas me custa expressar um sentimento. Gosto de rock, gosto de pop, tribal nunca. Hoje me considero genial, daqui a pouco não passo de lixo. Ativo, passivo, versátil, vai do tesão. Puto. Romântico. Leio, leio, leio. Às vezes acho que sei tudo, às vezes não entendo nada. Tem vezes que nem sei pra quê. Tenho medo de altura. Não tenho medo de avião. Prefiro morrer em um acidente aéreo, assim, em seis segundos. Moldo minha casa como uma extensão de mim. Por isso tenho duas casas. Vou ao cinema sozinho, viajo sozinho, malho sozinho, durmo sozinho. Sem alguém do meu lado não consigo comprar roupa, o espelho só não basta. Arrumo minha mesa pra no dia seguinte zonear de novo. Poucas coisas fui a vida toda. Dark, hippie, militante, under. Esquerda, meio esquerda, meio direita. Sou alvinegro, adoro preto, nem tanto o branco. Natureba, adoro trash food. Mudo tudo à minha volta. Muda tudo à minha volta. Nada muda. Caem reis, sobem estrelas, encarnações passam. Eu sou eu, meus textos e meus contextos. Sou o tempo, lugar e modos que me cercam. Sou minhas causas e meus motivos.


Escrito por André Fischer às 01h16 Comentários Envie

Jardim dos Sonhos

17/07/2007

Vou assumir, pelo menos por enquanto, o caráter diário deste blog, tá bem? Assim não me cobro grandes elaborações filosóficas (sim, eu sei, elas não acontecem há tempos, mas sempre tem aquela vontade de ser mais profundo...) e posso passar escrever mais sobre coisinhas do cotidiano, atualizá-lo com mais freqüência...
*
Engraçado como há coisas tão bacanas por aí escondidas, querendo permanecer escondidas. I wonder why...

É o caso de Inhotim, a 60Km de BH. A não ser que você seja realmente alguém muito envolvido com o meio das artes, não foi e provavelmente nunca ouviu falar. No Google mesmo há pouca informação a respeito, o site oficial parece feito para não informar e manter o lugar no quase anonimato.


Ë dito ser o maior museu a céu aberto do mundo e abriga parte de um dos maiores acervos de arte contemporânea do país em pavilhões especialmente construídos no meio de um dos mais belos jardins do planeta. Um puta passeio e custa apenas R$10.
Mais estranho é que não há em nenhum lugar referência ao nome do colecionador (Bernardo Paz) ou sobre quem banca aquilo tudo lá impecavelmente (muito provavelmente o próprio).

Estranhíssimo em um mundo onde quase todo mundo faz de tudo para se auto-promover, um cara com um projeto desse tamanho fazer esse esforço todo para se manter fora dos holofotes. Pode ser medo de seqüestro ou uma personalidade muito introspectiva, mas isso não é característica de colecionadores. Entendo um lado, mas também questiono se não é um excesso de elitismo...


*

Já foi dito e redito aqui no Mix, mas a mostra itinerante em BH foi uma delícia, clima ótimo. Há tempos não acompanhava o festival Brasil afora e estava sentindo falta desse contato direto com o público fora do eixo. Esse ano o Festival ainda vai para um monte de cidades (Aracaju, Manaus, Rio Branco...), já me candidatei a ir para Recife (adoro sempre) e Belém – vai ser a primeira vez minha e do Mix lá e justo na época do Círio e da Chiquita...

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Quem diria, meu perfil no Orkut lotou. Antigamente achava meio cafona perfil lotado, mas a gente vive mesmo para derrubar pré-conceitos. Dei uma primeira geral para poder abrigar novos amigos (uns bem bonitinhos ;-) sem ter que cometer o pecado mor de criar um segundo perfil, isso sim, de total mau gosto. Estou deletando uns desconhecidos e outros amigos que sei que não usam mais. Interessante ter que administrar um limite de pessoas, deixar quem realmente vale a pena.

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E mesmo perdendo de lavada, Botafogo resiste na liderança. A questão é saber quanto tempo dá para se manter líder isolado sem Dodô...

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Acabei de ler outro livro de um conhecido. Putz, uma bomba. Não dá pra ser falso e dizer que gostei, não dá pra fazer o honesto e dizer que ele teria feito melhor se não publicasse. Melhor fingir que não li...


Escrito por André Fischer às 00h49 Comentários Envie

Heleninha, sai desse corpo

13/07/2007

Semana passada bebi tanto, tanto na inauguração da The Week Rio que me prometi passar uma semana inteirinha sem uma gota de álcool. Não que esteja a ponto de me tornar um alcoólatra. Já vi pinguços de verdade e estou bem longe disso. Nem acho que tenha que feito nada que me embarace tanto- tirando a recordação vaga de uma mão ou outra fora do lugar, mas isso não tira pedaço de ninguém. Começou no Chill In nos meninos (Tony lembra que no Rio Chill In chama Esquenta, o que faz realmente muito mais sentido) a base de Red Label com Energético. Chegando lá André nem precisou insistir para . Tome mais não-sei-quantas cervejas até de manhã e pronto: passei o sábado estragado. 

Resisti bravamente a um jantar com amigos sem tocar na BuscaVida, minha cachaça favorita.

Até na festa da Nokia, que estava linda (locação, som, elenco perfeitos), tudo de bom, com váááários open bars, me comportei.
Só que ontem, faltando um dia para atingir meu objetivo, Heleninha baixou. Eu estava no Josefine, aqui em BH, surpreso (positivamente, muito positivamente) com o clube e um bom energético com pinga era o que precisava para dar uma relaxada e aproveitar a noite. Fully.

Mas aquilo, né... Hoje só consegui acordar de verdade no final da manhã, sem conseguir render. E tenho que estar inteligente, pois participo de um debate, dou umas tantas entrevistas e ainda noite de autógrafos.

Vale a pena na hora, tem vezes que é fundamental para poder relaxar e divertir tranqüilamente. Depois nem sei se tanto.

Será culpa judaico-cristã, que deve ser deixada de lado, ou consciência dos limites do corpo que devem ser respeitados ?


Escrito por André Fischer às 12h26 Comentários Envie

Santo Parto

05/07/2007

Dez dias sem postar nenhum blog. Aos leitores peço desculpa, não pense que representa pouco caso com este espaço. Não é só o excesso de trabalho que me afasta de escrever mais. Poderia buscar escusas das inúmeras questões profissionais (já falei muito sobre lançamento de livro, livro seguinte que já preparo, a revista Junior e novas urgências no Festival), mas o que impede realmente um empenho maior são questões pessoais que me movem nesse momento.

Não estou podendo, além do divã e de dois ou três amigos muito próximos, compartilhar temas que povoam minha mente nesse instante. Todos de foro muito íntimo, que envolvem outras pessoas e abrir publicamente seria uma cagada. Erros estratégico que outros amigos e amigas que também têm blogs já sucumbiram à tentação de cometer.
Logo, logo volto a ser mais pessoal. Assim que der...Prometo.

*

Não sou lá muito de teatro, mas resolvi aceitar o convite de um amigo para assistir a estréia de Santo Parto no Satyros. Precisávamos conversar e seria uma boa oportunidade para um papo antes e depois. Só que na saída acabamos conversando só sobre o que assistimos.
Lembrava que a peça em sua versão carioca chegou a ser noticiada no Mix por conta de cenas do galã Sergio Marone sem roupa e do beijo dele em Roberto Bontempo que causava frisson entre fãs mais exaltadas.

O espetáculo conta a história de um padre que está grávido de um menor evangélico, com quem tem um caso. Há cena de sexo entre eles, um forte beijo entre o padre e o garoto , strip do gostosinho, contestação de dogmas da Igreja como o celibato e a proibição da homossexualidade. Ainda assim não é possível dizer que seja uma peça gay. Mesmo com todos esses elementos há algo mais no texto. Podemos escolher no que acreditar? É possível, e realmente necessário, reformular o catolicismo sem que ele perca seu sentido? A fé tem força de mudar a realidade? 

Apesar da montagem paulista ser um tanto tosca, do elenco dar várias derrapadas (com exceção de Marco Antônio Pâmio, ótimo no papel do padre), e os números musicais serem quase constrangedores, o texto de Lauro César Muniz segura a onda. O tom de comédia alivia o conteúdo mais denso, sem dispersar a reflexão.
Acho que vale a pena assistir.
Para mim teve a qualidade de oferecer uma incursão em um universo paralelo. O mundo do teatro realmente tem personagens (e figurinos) muito, muito particulares, diferentes dos que costumo ver nos meus circuitos habituais...

 


Escrito por André Fischer às 12h19 Comentários Envie


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