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Brokeback em Minas

26/06/2007

Semana tri-corrida.

Amanhã lanço novo livro, o 1o.Almanaque de Banheiro - uma proposta editorial leve, de leituras de temas gerais em textos curtos para leituras no wc. E já começo a preparar o seguinte, que , espero, ainda sai esse ano. Mais denso, jornalístico, vai exigir suor adicional. Já estou dando uma geral no mercado publicitário com o projeto da Junior, sentindo a reação - que por enquanto tem sido bem positiva. E nem consegui terminar os artigos da viagem...

Queria muito falar mais sobre a linda festa de São João que participei no finde no interior de Minas, emocionante a mistura de divino e profano. A produção linda da igrejinha, os fogos, fiz dezenas de fotos da imensa fogueira. Tive muitos insights, mas vai ter que ficar para depois. Ontem fiz bate-volta ao Rio, coisa midiática de 12 horas, fiquei com a cabeça meio afetada. Acho que foi o jet lag ;-)  

Queria tempo também para falar sobre o livro novo do Capucho, Rato. O autor de Cinema Orly dessa vez conta a história super sensual de um garoto que mora em um cortiço no centro de Niterói, narrada com muita intensidade na primeira pessoa.

E nada de academia há um mês e meio. Ainda bem que está fazendo frio e que não estou precisando ir ao mercado de carnes ;-)


Escrito por André Fischer às 20h17 Comentários Envie

Nos Embalos de Ipanema

19/06/2007

Já era hora de voltar ao Rio. Há uns 6,7 anos não passava mais de dois meses sem por os pés em Ipanema. Está tudo no mesmo lugar: Coqueirão cheio mesmo com o resto da praia esvaziada pelo friozinho, casais fumando um no Arpoador no fim de tarde, Feira Hippie engarrafando o trânsito da Visconde de Pirajá. Foi uma viagem família, para pegar um colo, nem amigos mais queridos eu vi. Com exceção de um.
Fiz programas que não fazia há anos: andar sozinho sem rumo, entrar em antros que não visitava há séculos.

O Rio das vésperas do inverno tem um charme diferente do verão. Ruas tranqüilas, clima bucólico, cores menos vivas. Achei a cidade excepcionalmente vazia, nem sinal de gringos. No sábado tudo meio às moscas, só o Copa Café bombava.
Não consegui definir minha vida imobiliária na cidade, mas urge que o faça logo.

Na sexta à noite assisti no Canal Brasil “ Nos Embalos de Ipanema”. Engraçado que tinha falado muito sobre o Calmon à tarde. Você já assistiu? Não sei como, fazendo o MixBrasil há tanto tempo ainda não tinha assistido. Im-per-dí-vel.
André di Biasi pré-menino do Rio (o filme é de 78!!!!) faz um surfista de Marechal Hermes que pega trem para pegar onda na praia do Diabo.Lá encontra um quarentão, vivido pelo Paulo Vilaça, que se apaixona por ele e passa bancá-lo: compra prancha nova, refaz guarda-roupa na Company, dá relógio de presente. Quem intermedia a operação é o cafetão encarnado pelo então hiper gostoso Roberto Bonfim. Ele come as garotinhas todas enquanto isso.

O filme segue mostrando a Ipanema dourada da minha infância, cantos que nem me lembrava mais. Na seqüência passou Embalos Alucinantes, todo rodado na New York Disco Laser – mas aí nem quero comentar para não ficar fazendo o tiozão retrô.

Estranho constatar que André diBiasi era o mais delicioso dos cariocas há 30 anos, na época de Armação Ilimitada ainda quebrava um galho. Quem vê hoje não imagina o que ele já foi.
A beleza realmente é algo fugaz, sobretudo para quem não se cuida.


Escrito por André Fischer às 21h05 Comentários Envie

Cão Sem Dono

14/06/2007

Engraçado como pessoas próximas, com gosto e background cultural parecido podem ter opiniões tão divergentes, soobretudo quando o assunto é cinema.
Fui ver o filme novo do Beto Brant, Cão Sem Dono. Achei o melhor filme brasileiro dos últimos tempos, e olhe que gostei bem de Céu de Suely e Cheiro do Ralo. Uma amiga querida não agüentou e sai no meio, achando chato e pobre.

Realmente não é um filme fácil. Cenas longas, câmeras paradas, fotografia escura, todo passado em ambientes fechados. O elenco tem uma interpretação bastante naturalista e quase todos sequer parecem atores profissionais. O que para mim é um charme adicional da película. Parece muito cinema argentino..

Apesar do diretor paulista, é um filme tri gaúcho. Todo passado em Porto Alegre, é uma adaptação de “Até o Dia em que o Cão Morreu” de Daniel Galera.  Mostra o cotidiano tedioso de Ciro (o delicioso Julio Andrade), um adolescente de 32 anos que se recusa a ,
viver como adulto.
Ele mora com um cachorro sem nome, de quem afirma não ser dono, apenas ‘amigo’. Acredita que lugar de cachorro é na rua e se recusa a estabelecer uma relação com o animal, mas a verdade é que ele vai assumindo o cão – assim como vai se envolvendo aos poucos com Marcela (vivida pela ultra linda e escultural Tainá Muller). A garota veio do interior trabalhar como modelo e, sozinha na cidade grande, acaba acelerando o envolvimento com o cara que inicialmente a trata apenas como mais uma foda.

De alguma maneira que não sei bem explicar, me identifiquei muito com Ciro, acho que tenho uma coisa dele em mim que talvez eu sublime - ou na melhor hipótese ja´tenha conseguido resolver.

Cão Sem Dono tem duas cenas de sexo antológicas, a começar pela de abertura. Acho que vale a pena assistir. 

É o tipo do filme que se ama ou odeia mesmo. Vai lá e vê se você concorda comigo ou com minha amiga...


Escrito por André Fischer às 19h48 Comentários Envie

Chegando da Parada

10/06/2007

Nosso lounge foi desmontado e viemos para a redação do Mix terminar a cobertura. Misto de sensações ainda difícil de descrever. Ao mesmo tempo que há um evidente empoderamento da comunidade glbt - afinal somos os anfitriões da maior festa da cidade - e uma impecável profissionalização do evento, o gigantismo do evento dá uma certa assustada.

Foi a melhor coletiva de imprensa, cerca de 500 jornalistas credenciados, presença do prefeito e de um ministro de estado, tal qual países civilizados, como Austrália e Holanda. Pela primeira vez patrocinadores compareceram, e na imprensa só se exaltava o tamanho do mercado gay.

Porém foram incontáveis os assaltos - só entre amigos foram mais de 10. É algo incontrolável em uma multidão deste tamanho. Chato que deixa de ser um evenmto para família, não mais pelo fato de ser gay, já que não é mais isso que choca, mas pela violência. O comentário geral era que a Parada não cabe mais na Paulista. isso é um erro. É impossível pensar a Parada fora da Paulista, a principal e mais emblemática avenida do país. Uma é sinônimo da outra. Há que se pensar em algumas alternativas para o policiamento no ano que vem, talvez mudanças de trajeto na própria Avenida.

De qualquer forma foi o ano da consolidação da Parada Gay como segundo maior evento turístico do país, perdendo apenas para o Carnaval do Rio, A diferença é que isso aconteceu em apenas 10 anos!!! Uma jornalista da TV japonesa me perguntou qual era a importância da Parada Gay de São Paulo para o mundo. Disse que somos todos testemunhas e participantes de um movimento que está mudando uma sociedade careta (pior, falsamente moderna) como a brasileira, e o melhor é saber que é algo que ainda vai longe. Sem dúvida ainda está apenas engatinhando...

*

Outra coisa que achei bem bacana...no lounge de imprensa do Mix estavam os principais veículos de comunicação do país. UOL, Terra, Globo, Band, Folha, Estadão...todos conectados no minuto a minuto do MixBrasil!!!

*

Não posso deixar de mencionar a extrema falta de sensibilidade da Revista da Folha que demitiu o Duílio Ferronato da coluna GLS (aquela que assinei 10 anos) justamemente no domingo da Parada Gay. Ainda não sei detalhes, vou ter que conversar com o amigo para saber o que rolou, mas sem dúvida alguma hoje o tema da coluna deste domingo tinha que ser de comemoração e não de lástima...


Escrito por André Fischer às 18h09 Comentários Envie

Parque de diversões

Ontem foi dia de Gay Day no Hopi Hari. Fui nas três primeiras edições e depois cansei. Resolvi dar um pulo novamente esse ano para ver a quantas andava. Sabe que gostei? Para começar o Parque tem novas atrações e a festa concentra o lado mais lúdico da Parada. Pós-adolescentes animados, caravanas de outros estados, em um clima fofo, levíssimo.

De lá fui para Gira-sol, a festa dos musculosos. Um choque. Muitos homens lindos, super produção, lugar bacana, tudo certo. Só que saí da fofura para cair no caldeirão, climão inferno. Incrível a semana gay estar desse tamanho, oferecendo opções para todos os gotos.

À noite fui pro Clash, tocar na noite Close. Estava bem simpático, Marcão e Barbie detonaram a pista. O clima estava ótimo, cheio de bonitinhos e bonitinhas. Mas por uma falta de comunicação (ai, viajar tem seus preços), a casa acabou reproduzindo nos flyers a prática do “mulher vip até 1h”. Resultado: freqüência 70% feminina, né? Na próxima a gente corrige isso.
 
Escrevo do lounge de imprensa MixBrasil no MASP. Aqui dentro finíssimo. Lá fora está uma muvuca meio perigosa, ondas de assalto...


Escrito por André Fischer às 14h03 Comentários Envie

A polêmica do panfleto sobre drogas

08/06/2007

Acabo de ver no SPTV chamada sobre o tal folheto impresso pela Associação da Parada GLBT de São Paulo sobre uso de drogas, especialmente indicando como miminizar os riscos de uso de cocaína. A Folha resolveu dar destaque a esse material, pegando pesado contra. Foi sensacionalista, é claro. A iniciativa é logicamente louvável. Admiro a coragem mas, sinceramente, pode ser uma baita bola fora, em um momento errado. Antes de me atacarem, explico.

 

Aqui no MixBrasil nós já passamos por esse mesmo momento. Há uns 4 anos publicamos também uma cartilha de redução de danos no uso de drogas no site. O resultado veio muito rapidamente: fomos chamados ao Denarc (a delegacia de entorpecentes) para prestar esclarecimentos. Tivemos que ir com advogado apresentar exatamente as mesmas justificativas da questão da redução de danos, que é uma política do Ministério da Saúde, e não uma simples apologia ao uso de drogas. Uma dor de cabeça que não valeu a pena - até porque fomos obrigados a retirar a tal cartilha que era baseada em material do Ministério da Saúde inglês.


Louve-se a iniciativa de se assumir que vivemos em uma comunidade onde há um evidente abuso no uso de drogas e buscar uma maneira de tentar reduzir as cenas deprimentes de overdoses, que não são raras na noite. Tenho certeza que o objetivo do pessoal da Parada, careta no bom sentido, foi justamente ajudar quem não se controla na colocação.


Só que vivemos em um país careta, no mal sentido, e uma atitude dessa é um prato cheio para conservadores que pode danificar um belo trabalho que vem sendo feito. A maneira lamentável como a mídia já está explorando essa cartilha pode causar muito mais danos à causa gay do que a redução de danos aos poucos que poderiam ser beneficiados com as informações nela veiculada.


Pena, mas sem querer ser baixa-pau, já entendi que não adianta dar murro em ponta de faca. É preciso trabalhar com a realidade.
Há um batalhão de gente contra a causa glbt, esperando justamente uma chance dessas para cair em cima de nós. 


Escrito por André Fischer às 20h01 Comentários Envie

Começou a maratona

Ontem foi dada a largada para a maratona anual da Parada Gay. Até domingo é aquela função sem parar de eventos. Em todos vou a trabalho, em algum deles consigo também me divertir.
Ainda é emocionante ver São Paulo abraçando a causa glbt, assumindo que é gay o maior evento turístico da cidade - e dizem que o segundo maior do país, só perdendo para o carnaval carioca em número de turistas estrangeiros.

Ontem foi dia da Feira Cultural, que pela primeira vez saiu do Arouche e foi para o Anhangabaú. Perdeu um pouco do charme pela localização, mas ganhou muito em organização e possibilitou a melhor circulação das pessoas – que já era impossível na Vieira de Carvalho.
Tivemos lá nosso stand institucional, foi um tanto cansativo ficar das 10h às 21h em pé, atendendo pessoas, fazendo social, mas bem rica a troca de informações e contato com usuários do site, freqüentadores do Festival. Por sinal, está rolando direitinho a mostra de filmes lá no Olido, apesar do horário bizarro.
O estranho foi a quantidade de mendigos e afins, sobretudo pela manhã e até o meio da tarde, que inviabilizou a distribuição de brindes. Eles vinham aos montes e criavam uma situação meio complicada. Eu dialogava com todos, pedindo calma, sugerindo que não levassem aquela mão cheia de ímãs de geladeira. Bate aquela culpa classe-média de querer dar uma força para essa população excluída, mas tinha que lembrar que estava lá como veículo de comunicação, e crianças de rua definitivamente estão fora do nosso público alvo. Suspendi os brindes, que passaram a ser dados apenas a algumas pessoas.
A taróloga que contratamos para dar foi um sucesso. No finzinho fiz minha consulta e só veio com boas perspectivas. Espero que esteja certa.

À noite fui a Pacha. Estava bem mais vazia do que da outra vez que fui, arquibancadas desocupadas – e elas são o principal diferencial daquela pista-arena. Mesmo com frio, o modelo geral era a camisetinha, não havia muitos descamisados – pelo menos até às 3h, quando joguei a toalha. Muitos gostosos, mas estava cedo para o nível de colocação. Será que não dá pra se divertir com um pouco menos na cabeça?


Escrito por André Fischer às 12h16 Comentários Envie

Lá da Conchinchina

04/06/2007

Ainda estou meio fora de fuso, com sono em horas erradas. Mas a vida em são Paulo está a mil por hora e não dá pra ficar marcando.

O finzinho da viagem reservou algumas surpresas. Atravessamos a Conchinchina literalmente de trem 5 estrelas, experiência bem mais agradável que a anterior.

Não dava nada por Saigon e acabamos passando um dia bem interessante. É a única cidade do Vietnã que se pode dizer que tenha uma noite, inclusive noite gay, parece uma metrópole capitalista, sem traço de comunismo. As ruas e avenidas são lindas, super arborizadas e o centro tem prédios belíssimos herdados da época dos franceses. Ficamos hospedados na Dong Khoi, rua chique, bem perto da Opera e do Q Club – o Spot com pistinha de lá. Demos uma geral nos bares e puteiros da Pham Ngu Lao, comemos umas delícias num boteco gay do lado de um dos inúmeros KFC. Parece que o KFC faz muito sucesso porque o tiozinho que é o símbolo é a cara do Ho Chi Min – aliás há uma bela estátua dele num belo jardim na frente do belo prédio da prefeitura.

Num canto do moderno mercado municipal vimos as vacas , dezenas daquelas da Cow Parade, todas jogadas em um canto. Bizarra imagem.
O mercado por sinal é o único lugar onde é possível fazer compras no Vietnã.
Dei uma última meditada no templo hinduísta de Sri Thendayyutthapani, na área mais rica de Saigon- os indianos formam uma espécie de casta de milionários cuja fortuna  resistiu ao regime comunista- e de lá para o aeroporto. EStão construindo um super moderno, de fora parece melhor que Cumbica.

Na volta um diazinho em Hong Kong, rodei pelas bandas de Caucase Bay - bem menos glamurosas que Central, mas ainda assim super Blade Runner- fiz massagem, comidinhas e a longuíssima jornada de volta.

E agora é enfiar a cara no trabalho que essa semana tem Junior na veia e Parada.


Escrito por André Fischer às 07h58 Comentários Envie


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