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Na cama

30/04/2007

Sábado fomos ver ‘ Na Cama’ filme chileno estrelado pelo delicioso Gonzalo Velenzuela que está em cartaz em apenas um horário em uma sala aqui em São Paulo. Um dos filmes mais interessantes que assisti esse ano,é todo passado em uma cama de motel e protagonizado por um casal que acabou de se conhecer. A proposta é ótima, a tensão emocional e psicológica me deixou sem fôlego (além dos dois lindos pelados o tempo todo e com três cenas de sexo memoráveis).

Quando vi a sinopse e a foto no jornal coloquei imediatamente entre minhas prioridades. Só que a Folha destruiu o filme, dizendo que era chato e pretensioso e que não valia a pena ser assistido. Provavelmente por isso está tendo uma carreira tão curta nas salas da cidade. Não fossem dois amigos cariocas que assistiram e amaram, talvez eu nem tivesse assistido.

Seguindo a mesma crítica fui assistir Cartola, documentário que ganhou 4 estrelas. Não fosse a incrível história do cartoila em si, teria pedido dinheiro de volta. O filme é uma das coisas mais amadoras que assisti ultimamente. De dar dó.

Moral da história: não dá mesmo para confiar cegamente em críticas de filmes. A Folha ainda que erra menos. O Globo, por exemplo, é bom sempre levar a cotação ao contrário: se diz que é bom, é porque não presta, se acaba com o filme, deve ser bom. Acabamos perdendo muito coisa preciosa por confiar no que diz um cara que podia estar de mau humor, mau comido no dia ou é amigo do diretor.

Se ver algo que lhe parece interessante, confie no seu faro e vá ver.


Escrito por André Fischer às 16h58 Comentários Envie

Tomando posição

27/04/2007

Tem horas que é preciso tomar partido. Ficar em cima do muro pode ser muito cômodo: você não se aborrece tanto e não é cobrado por atos de outras pessoas.
Só que não opinar em momentos decisivos também pode ser uma omissão grave.


Geralmente seguimos aqui no MixBrasil a cartilha do politicamente correto, o Manual de Redação da Folha e a Lei de Imprensa. Isso nos faz sempre ouvir o outro lado e tomar cuidado para não cometer erros de informação.
No entanto somos uma instituição comprometida com uma causa, no caso a defesa dos direitos glbt. Essa consciência da importância do nosso trabalho inclui posições muito assertivas sobre outros temas além da diversidade sexual, em favor da liberdade de expressão e defesa do meio ambiente e contra a guerra.


Ontem grupos gays franceses decidiram apoiar a candidatura da socialista Ségolène Royal à presidência da república. Aqui no Brasil a ABGLT também apoiou a candidatura Lula, mas a diferença entre o presidente petista e Serra é mais político-partidária do que ideológica. A França vive um confronto real entre esquerda e direita há décadas, muito distinto da simples picuinha que divide PT e PSDB, dois partidos teoricamente mais à esquerda, mas que se conspurcaram ao chegar ao poder fazendo alianças eticamente bastante questionáveis com a direita.


A França já garantiu vários direitos aos homossexuais e provavelmente o direitista Nicolas Sarkozy não poderia mexeria neles. Do outro lado Ségolène não chega a entusiasmar, pois comete gafes constantemente e mesmo tendo sido Ministra da Família era contra o casamento gay - só mudou de opinião quando lançou sua candidatura.
Apesar disso o que está em jogo são princípios filosóficos e o embate entre Sarkozy e Royal representa uma luta entre o conservadorismo e a tolerância, em um país que é o celeiro de idéias do chamado mundo livre.


Sarkozy chama os pobres da periferia de “ralé”, é contra direitos de imigrantes, tem um tom beligerante e antipático em seu discurso. Ségolène defende causas ecológicas, fala dos problemas da juventude e é uma mulher charmosa. Pode parecer fútil escolher um presidente pelo simples fato de ser mulher ( afinal de contas a Alemanha elegeu uma conservadora) e bonita. Mas ter na liderança alguém que toca nas feridas da sociedade, promete renovação e que além de tudo é uma figura simpática pode mudar o humor do país.  


Pode parecer meio besta um posicionamento sobre eleições em outro continente, mas eu sou totalmente anti-Sarkozy, pró-Ségolène.


Escrito por André Fischer às 11h55 Comentários Envie

Segunda vida

26/04/2007

 Já estive bem mais ativo no Second Life. Por um momento tive a impressão de que era o futuro da internet, mas a medida que ia rodando pelas ilhas todas, fui achando a coisa toda meio sem graça. A grande maioria das empresas que anunciam a entrada no SL na verdade colocam lá um predinho sem graça, vazio, sem ninguém, nem o que fazer. marketing puro não tem graça.

Passei por uns clubes gays de sexo, cheio de homens pelados exibindo seus paus gigantescos. Engraçado por cinco minutos. Nas ilhas brasileiras vários avatares com roupas incríveis, milhões de assessórios brilhantes. Mas me pareceu muito moçadinha demais da conta, ninguém com muito a dizer.

Estou aqui na minha frente com a planta do que seria a Ilha MixBrasil, um paraíso virtual. Só que estamos com dúvidas se devemos entrar de verdade. Para ficar como as outras tantas empresas fantasmas, não vemos sentido. Melhor investir tempo e dinheiro em coisas melhores.


A imagem aí de cima é do meu avatar. A cara é meio parecida com a minha, peitoral a bíceps mais caprichados e a pele azul como a de Krishna. Meu nome lá é AF Masala. Ando meio sumido do Second Life, vivendo intensamente minha primeira vida, tanto no mundo real quanto na internet.


Se você está por lá dá um toque, quem sabe animo a passar mais tempo por lá e construir de verdade nossa maravilhosa ilha. 


Escrito por André Fischer às 18h07 Comentários Envie

Faça rápido

25/04/2007

Meu pai diz ter um novo mote de vida: If You Have To Do It, Do It Quickly , em bom português, se tiver que fazer, faça rápido.
Não confundido com precipitação,´contém uma grande sabedoria:
Pra que protelar o que vai ter que ser resolvido mais cedo ou mais tarde de qualquer forma ?
Isso vale para tudo.

Faça a fila andar, ligue para quem tem que ligar, pinte logo a casa, termine de uma vez o namoro, pague de uma vez as dívidas (assim que tiver o dinheiro).
Assim dá tempo das outras questões que surgem a partir dessas tomarem seu lugar e assim a vida tomar seu rumo.
Geralmente as surpresas que vêm a partir daí são positivas...
*
Viu só o México? A união civil entre pessoas do mesmo sexo já havia sido aprovada e agora o aborto foi legalizado no DF.
Repito mais uma vez: de que adianta uma mega micareta com não-sei-quantos milhões na rua, se a gente não consegue porra de direito nenhum ?


Escrito por André Fischer às 18h16 Comentários Envie

Fúria Jovem

23/04/2007

Ontem fui ao Maracanã ver a vitória do Botafogo sobre a (sim, no feminino) Cabofriense. Lindeza de espetáculo, fui com meu pai relembrando a primeira vez que ele me levou ao maior do mundo para ver a histórica vitória do Fogão sobre o Flamengo por 6x0.

O Botafogo começou arrasando, em 20 minutos havia feito 3 gols, parecia que vinha uma mega goleada. Justamente quando a linda torcida da Fúria Jovem, que lotava o estádio, resolveu fazer uma ola comemorativa, a Cabofriense marcou. Pouca gente viu o gol. Só que depois disso o Botafogo se amedrontou e resolveu “administrar o resultado”, ou seja, um jogo amarrado até o final do segundo tempo para segurar a vitória.

Engraçado como times, assim como pessoas, amarelam quando o jogo parece estar ganho. Tornam-se conservadoras, preferem diminuir o brilho do espetáculo a arriscar um resultado positivo. Poderia ter sido uma lavada memorável.

Mas tudo bem, levamos a Taça Rio - ainda que, na real, ela seja apenas o segundo turno do campeonato. O importante é comemorar. Na saída comprei uma mega bandeira linda e outras quinquilharias com a estrela solitária. Aliás, não há torcida mais bonita e tranqüila do que a do Bota. 
*
Mais um motivo para comemorar foi a BotaFogo especial de um ano no Vegas. Delícia completa, vibração lá em cima. Saí às 6 e meia com a casa cheia. É sempre assim: cada vez que me passa pela cabeça dar uma parada de tocar sou brindado com uma noite especial. Tesão puro, difícil parar.


Escrito por André Fischer às 13h08 Comentários Envie

Programinha HT

19/04/2007

Ando em busca de novidades, lugares que me surpreendam de alguma forma.
Agora à tarde em uma entrevista para universitários, tentei desmontar o próprio tema do TCC deles, que gira em torno do velho chavão que as boates são praticamente a única opção de lazer para gays. Acho mesmo que é uma minoria que vive nessa onda, apesar de ser a mais visível.

Ontem na saída da academia resolvi me aventurar no Frangó, bar que tem a maior carta de cervejas do país. Aliás, mesmo morando há 20 anos em São Paulo nunca tinha sequer ido à Freguesia do Ó. Nem sabia que era tão perto.
Esses dias fiquei um tempo em uma festa conversando com uma bier-sommelier, ou seja uma sommelier de cerveja. Gostei do exotismo da profissão e resolvi seguir sua recomendação de lugar.
Impressionante a quantidade de cervejas de todas as procedências e preços (que tal uma garrafa por R$270?). Fui com um casal hiperamigo, não consegui convencer nenhum amigo gay a encarar o programa.
O lugar não pode ser mais ht: jogo do Corinthians no telão, com maioria dos freqüentadores inclusive torcendo contra. Em lugares como esse o melhor a fazer é desligar o aqüendômetro. Por pouco quase esqueci que sou gay.

Entornamos várias, de todas as cores e sabores. Delícia mudar de ares.

Vale uma recomendação? A belga Barbar, curtida no mel.


Escrito por André Fischer às 18h18 Comentários Envie

Record vai ter beijo gay antes da Globo?

17/04/2007


De repente passo o dia falando em adoção. Nunca me passou pela cabeça me tornar pai, mas a manhã no programa Hoje Em Dia na Record discutindo o tema rendeu muitos e-mails e outras entrevistas falando sobre o tema.

Defender aqui a adoção por casais homossexuais é chover no molhado, mas fora da bolha onde vivemos ainda é tido como assunto tabu.

Decidi aceitar o convite depois de ter visto na semana passada na mesma emissora no hilário-se-não-fosse-deprimente Fala Que Eu Te Escuto, casais gays serem tratados como “aberrações” e 86% do público rejeitar, em pesquisa relâmpago, a lei que proíbe discriminação contra orientação sexual. A Universal (ou pelo menos os bispos que apresentam os programas da madrugada da Record) defende que homossexuais devem ser, sim, perseguidos. Acredite se quiser.

Por sorte o mercado fala mais alto e a mesma igreja proprietária da Record permite que as editorias dos programas trabalhem livremente para não afugentar a audiência, que ao que parece é bem mais liberal que os retrógrados pastores.

Anna Hickman e Britto Jr, os apresentadores do programa, defenderam abertamente o direito de gays e lésbicas adotarem. Todos os convidados, incluindo uma psicóloga, um juiz e a ultra-simpatizante repórter que gravou a matéria aqui no Mix (e com Vasco e Junior em Catanduva), eram favoráveis à mudança na legislação avançando esse direito. Até mesmo os telefonemas eram pró.

Bom que estamos conseguindo fincar bandeiras onde menos esperávamos.

Uma funcionária na emissora disse que as coisas estão mesmo mudando por lá  Antigamente certos assuntos não podiam ser discutidos nem nos corredores, sob pena de demissão. Hoje já há liberdade para defender direitos gays às 8 da manhã. E vale a pena dizer que pelo menos durante essa pauta o Hoje Em Dia estava na frente do Mais Você de Ana Maria Braga no Ibope.

Ou seja, o povo quer ver matérias sobre gays. Que bom.

Com o andar da carruagem, nós aqui no Mix andamos apostando que o primeiro beijo gay em novela (com personagens vivos) vai acontecer em novela da Record. A Globo que se segure.


Escrito por André Fischer às 01h05 Comentários Envie

No se puede ser un niño sin pulmones

12/04/2007

Ando com bloqueio tremendo, sem conseguir articular muito bem opiniões nem pensamentos. Vou tocando no piloto automático. Seguindo uma agenda básica que garante divertimento necessário, troca de informações e alguma ação.

Só a rotina diária já exige horas respondendo mensagens, enviando projetos, tendo reuniões. Teria que correr mais atrás, mas sem neura de me cobrar demais e desenvolver uma frustração - era só o que me faltava a essa altura do campeonato. Tenho a impressão que só sai bobagem quando tento arrancar alguma coisa. Estou com uma ponta de dor de cabeça, pode ser de tanto pensar sem chegar a uma conclusão.

Tô chato pra caralho, né? Animo até segunda. Se não, pelo menos penso em alguma coisa mais pra cima pra postar aqui. Compromisso.
*
O título aí do blog é de uma música do Superputa, banda galega de punk eletrônico que a Madame Mim me introduziu. Trasheira divertida justamente pra não pensar muito. Toco ela hoje no Studio Sp. Vou abrir show do Wander Wildner, acho que fica no espírito. Tem outra deles bem engraçada, mas um pouco mais pista, também que deixo pro Vegas na semana que vem.

 


Escrito por André Fischer às 18h21 Comentários Envie

Melhor não

08/04/2007

A Folha de hoje traz pesquisas sobre várias questões que podem ir à plebiscito no futuro próximo.
Deu o que já se previa: o Brasil é um país conservador, contra o aborto e a favor da pena de morte. Sobre a união de pessoas do mesmo sexo há um perigoso empate técnico. Desde o vergonhoso plebiscito sobre as armas penso que, se o objetivo é avançar, melhor não consultar a população. Pode parecer reaça, mas em país com ampla maioria de analfabetos funcionais, não dá para esperar articulação de pensamento mais sofisticada ou visão de mundo respeitando as liberdades coletivas. 
Melhor trabalhar brechas legislativas, sensibilizar a boa vontade do executivo, ou aguardar jurisprudências no judiciário- o único poder que não tem compromisso com o eleitorado tacanha.


Escrito por André Fischer às 13h45 Comentários Envie

Cegueira histérica

A esteira da academia é lugar para deixar a mente vagar livremente. Ontem surgiu de algum canto escondido do hipocampo a palavra bela palavra inglesa `trustworthy`. Estive calculando quantas pessoas são ou já foram dignas de confiança, aquela confiança especial que brota da mais absoluta intimidade, na cama. Do tipo que se fala tudo que passa pela cabeça, sem nenhum tipo de censura ou preocupação com que o resto do mundo pode pensar.
Cheguei à conclusão que não preenchem nem os dedos de uma mão.
Uau, tão pouco assim? Esses momentos e essas pessoas tão especiais tem que ser muito valorizados.
*
Com essa chuvinha safada e hóspede querida no pedaço, ficar em casa tem sido ótimo programa. Assistimos um filme com a Uma Thurman, bem deprê chamado Hysterical Blindness. Ela tem acessos de cegueira quando se vê confrontada com a realidade estúpida que vive, bem diferente do que fantasia.
Será que muitas vezes não passamos pela mesma situação sem esse diagnóstico? Tanta gente se recusa a enxergar o que está à volta, vivendo em uma espécie de cegueira auto-imputada...


Escrito por André Fischer às 13h42 Comentários Envie

Hoje eu não vou sair

04/04/2007

Todo dia, de segunda a segunda, há pelo menos dois ou três programas ‘imperdíveis’ em São Paulo. Não faltam nunca lugares cheios de gente interessante, com boa música, cheio de informação. Ontem foi assim, amanhã também vai ser.

Com o tempo arrefece aquele não-posso-perder e a você se toca que muito pouca coisa é realmente imperdível. É ansiedade que torna tudo tão urgente.

Hoje o melhor a fazer é ficar em casa. Por a cabeça no lugar, trabalhar um pouco, ver tevê, ler uma biografia bem babaca.

Aprender a desfrutar a solidão.


Escrito por André Fischer às 00h37 Comentários Envie


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