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300: Homoerótico é pouco.

30/03/2007

Hoje pela manhã uma jornalista ligou querendo saber se eu concordava que os heterossexuais estavam cada vez mais parecidos como gays e se havia uma moda gay.
A pauta surgiu de uma outra matéria, publicada na Folha há umas duas semanas, que abordou de maneira bem humorada um clichê batido e rebatido. Valeu o ineditismo de ter vários caras bonitos se assumindo na principal coluna do principal jornal do país.

Pela enésima vez disse à repórter que não acredito em moda gay, e lembrei que tanto os gays e héteros retratados na tal matéria se vestiam da mesma maneira porque fazem parte de uma mesma turma - no caso, o povo que freqüenta festas de house tribal. Existem héteros ali, mas o que os une é a música que ouvem, o que usam para se colocarem, as bombas que tomam, as horas gastas em academia, as roupas que vestem. E a maioria absoluta é gay, sim, que não reste nenhuma dúvida sobre isso.

Cada balada tem sua maneira de vestir e as melhores não são fechadas para orientações sexuais. Tanto são boas que atraem todo tipo de gente....mas que geralmente se veste, dança e se coloca de maneira parecida.

E tem mais.

Não existe moda gay, por uma razão muito simples: não existe um jeito gay de vestir.
Sem camisa, de jeans, cordão de prata e óculos escuros com grife cara e aparente, é o jeito dessa turma house tribal (a.k.a. barbie) se ver.
Existem gays punks, góticos, hippies, mauricinhos e de muitos outros estilos.

Pensar de outra forma é enxergar pequeno e se deixar seduzir por uma pauta sofrível.

*

Veja os espartanos de 300, por exemplo.

Pode haver coisa mais sexy do que aquele figurino, aqueles corpos... Eles jogavam em um abismo os bebês que não eram perfeitos e treinavam à exaustão seus corpanzis atléticos. Deviam representar o ápice do que é chamado até hoje de beleza grega. 

Apesar de no filme os atenienses serem chamados de “filósofos e pederastas”, a história conta que os espartanos extravasavam a testosterona, que corria solta entre os soldados sarados, não apenas trucidando inimigos.

Em 300 os super gostosos combatentes usam figurino ultra homoerótico e sobre isso também não há sombra de dúvida. Xerxes, representado por um Rodrigo Santoro
igualmente super gostoso - mas um tanto estranho demais-  tem voz de travesti e se vivesse hoje seria facilmente rotulado de boiola.
Apesar da sanguinolência sem precedentes, que me fez cancelar o jantar marcado para depois do cinema, gostei do filme.  


Escrito por André Fischer às 09h58 Comentários Envie

Sofrimento torna a memória mais exata

27/03/2007

Novo estudo feito da Universidade de Harvard alega que uma pessoa que traz boa lembrança sobre um fato é muito mais passível de ter sua memória distorcida do que uma memória negativa sobre o mesmo evento.

A explicação antropológica é que lembranças ruins apontam perigos, o que torna nos tornaria mais prudentes e maduros.

Segundo o psicólogo Mauro Godoy, acontecimentos ruins gerariam produção de adrenalina e outras substâncias defensivas que despertam atenção e preocupação. Já bons acontecimentos seriam acompanhados por prazer, alegria e outras emoções providas de exagero que distorcem a realidade.

Talvez não seja mesmo bom só lembrar de bons momentos. Essas memórias, agora pelo menos, só têm rendido lágrimas fora de hora. Ontem mesmo ‘Na Sua Estante’ da Pitty me embaçou a visão durante um engarrafamento.


 

Te vejo errando e isso não é pecado
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar

Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícia
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar...


Escrito por André Fischer às 17h30 Comentários Envie

Solteiro escreve melhor?

22/03/2007

 


Por conta do lançamento de um novo livro de crônicas, ando relendo textos que escrevi nos últimos dez anos. Estou chocado por atestar que os melhores são justamente os publicados entre 2000 e 2003, período em que estive em um relacionamento vai-e-volta, vivi variadíssimas experiências sexuais e outras tantas semi-amorosas.


Foi um período bastante agitado em que dividi com leitores do blog, da Folha e de outras publicações distintas como Vogue, TPM e G, entre outras, aventuras e sentimentos - sem me preocupar muito se estava me expondo mais do que deveria. Quebrei a cara várias vezes, paguei muito mico, chorei pencas.


Não deixei de ter uma vida rica em fatos exóticos e jogações nos últimos tempos, ainda que de outro tipo e qualidade.

Só que não é isso que vejo no que escrevo.

Será que a estabilidade emocional nos torna menos ousados e o sofrimento mais criativos?

Seguramente estar solteiro dá liberdade de falar o que bem se entende.
Havia naquele momento uma necessidade maior de compartilhar experiências, processo meio contrário de quando se está em uma relação, já que compartilho sentimentos em maior intensidade com uma pessoa – e quero preservar essa relação do resto do mundo.


Tudo bem que ando pensando muito mais em negócios e escrevendo menos, o que dá uma certa enferrujada.

Talvez a solução seja criar um avatar no Second Life e através dele viver muitas coisas que poderei contar sem maiores pudores.

Será?

 

*******

O blog voltou a ser publicado no sistema antigo. Os textos estão todos aqui, mas os comentário dos posts do último ano foram para o saco. Sorry.

    


Escrito por André Fischer às 15h59 Comentários Envie

Não falou, não aconteceu

 


Semana passada estive durante três dias em Curitiba a convite da ABGLT participando da elaboração do planejamento estratégico da instituição para o próximo triênio. Interessante pensar sobre onde se quer chegar e como fazê-lo no médio prazo.


Acho linda a idéia de viver um dia de cada uma vez, mas na prática isso só funciona até o final da adolescência. Ninguém chega a lugar nenhum se não tiver uma noção pelo menos de qual objetivo quer atingir.


Andamos por aqui matutando muito sobre os rumos do Mix.

Será que esse planejamento também é possível na vida pessoal? Em casa fica um pouco mais complicado ter esse distanciamento, já que as variáveis são maiores e os comprometimentos menores. No final das contas tudo depende do que você quer e de como interage com as pessoas à sua volta.


Mais fácil pensar como empresa, dividir responsabilidades e resultados – algo que não posso fazer comigo mesmo.

*

Por conta dessas e de outras, voltei à terapia para tentar esclarecer alguns pontos, verbalizar o que não chego a formular nem em pensamento. Sou adepto confesso do ‘não falou, não aconteceu’. Pode valer para a convívio social, mas acaba criando uma série de teias de aranha sobre coisas que mereceriam alguma elaboração.


Será que não passa de uma estratégia avestruz?


*


Outro dia n´A Loca lembrei do texto da Nina Lopes aqui no Mix e o relacionei à influência do seu Silvio na cultura popular. Uma bibinha bem travada gritava “Eu Quero Ganhar Mais”. Só não dava pra entender direito exatamente o quê ela queria ganhar àquela altura do campeonato...


*


E falando em tevê, assisti metade do primeiro capítulo de Paraíso Tropical, em Closed Caption na esteira da academia. Parece que vem novela boa por aí. Tomara. Não me envolvo com uma novela desde o BBB5... 

 


Escrito por André Fischer às 15h58 Comentários Envie


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