Caos em Brasília + Povo das Drogas
07/12/2006
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Após esperar 7h30 para embarcar, escrevo a bordo do avião a caminho de Congonhas. Durante a espera, li Quando Fui o Outro do Pessoa quase inteiro, assisti ao argentino Un Buda no cinema do aeroporto e consegui me manter zen no meio do caos completo.
Já embarcados, fomos forçados a ir para o meio da pista para aguardar a decolagem. O piloto explicou que passageiros desesperados na sala de embarque tentaram invadir a aeronave. A Policia Federal teve que intervir.
Parecia aquela evacuação desesperada do Vietnã no final da guerra. Ou os navios com a família real saindo de Lisboa deixando uma multidão no porto, ao som de tiros das tropas de Napoleão.
Já desmarquei a ida a Cuiabá na quinta. Uma pena não estar lá na volta em grande estilo do Mix ao Mato Grosso, mas não dá para arriscar outro dia desses. Até o zen tem limites.
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Ontem à noite o programa de curtas Sexy Boys abarrotou a Academia de Tênis, no Festival MixBrasil em Brasília. Ingressos esgotados, chão lotado em plena segunda, enquanto várias salas do complexo zeraram de público e até Almodóvar não atraiu mais do que meia dúzia de gatos pingados. Prova que o povo quer ver filmes alternativos que mostrem a experiência gay.
Durante este Festival surgiu todo tipo de proposta e pedidos referentes a exibição de filmes. É mais do que evidente que existe a necessidade de um circuito que exiba prduções que não estão chegando no Brasil. E não vai ser baixando filmes piratas na Internet que isso vai se resolver. O cinema é uma experiência especial: compartilhamos emoções com desconhecidos em um mesmo espaço físico, no escuro e com uma tela grande. Um ritual que, no caso de filmes de interesse de gays e lésbicas, ainda ganha a conotação de encontro de comunidade e reforço de identidade cultural.
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Na saída do cinema fui com amigos jantar e falamos sobre a tal prisão de 17 pessoas por tráfico de drogas, que aconteceu na semana passada no Rio e São Paulo e que deu até no Jornal Nacional. Como é assunto meio tabu, a comunidade gay se calou e passou batido até mesmo no noticiário do MixBrasil. Todos os presos são figuras conhecidas das boates e festas do circuito e, ao que parece, não eram grandes traficantes- repassavam para bancar seu (desmesurado) consumo. Correm até boatos que a ação foi encomendada por traficantes maiores.
Fiquei calado enquanto pude, mas no final tive que assumir o careta. Há um evidente abuso no consumo de drogas nesses lugares e é preciso fazer algo para brecar o exagero, nem que seja tirar de circulação os peixes pequenos, para criar algum impacto.
Não vejo nada de divertido em manter uma ambulância de plantão para aqueles tantos que derretem na pista a cada noite, pelo excesso na mistura de K,G, E e cocaína. Deixar acontecer sem fazer nada é ser conivente com o que rola lá dentro.
É hora do povo dar uma parada para pensar. Existe uma fronteira bem clara entre o uso recreativo de drogas e chafurdar nelas sem respeito algum ao próprio corpo e mente. E parece que a idiotização causada pelo uso excessivo está afetando a capacidade de um grupo imenso de homens gays de enxergar o que está acontecendo.
| Escrito por André Fischer às 17h13 | ![]() |
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Guerra Civil Carioca
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Copacabana, uma da manhã. Ontem à noite na saída do túnel da Toneleros um homem negro, de vinte poucos anos, empunha uma escopeta e aponta para os carros que passam. No caso, nosso carro. Sem pensar muito, acelerarmos e por sorte não tomamos um tiro. Por um triz.
A violência urbana está passando todos os limites.
Um amigo diz que não deveria andar por lugares ermos depois das 22h. A Rua Toneleros é um local ermo? Avisa ele que a Visconde de Albuquerque, que separa o Leblon do Alto Leblon (a área mais rica da cidade) não pode de forma alguma ser atravessada depois da meia-noite. Meu queixo caiu e ele disse, tranquilamente, que todos locais sabem disso e basta evitar esses locais. Melhor trafegar pela praia. Por enquanto.
Temo pela segurança da minha família e meus queridos amigos. Ainda preciso me acostumar à nova geografia do medo da Zona Sul.
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Uma importante produtora cultural carioca acredita que O Globo esteja deliberadamente orquestrando uma campanha para idiotizar o público carioca. O objetivo seria transformar todos em Hommer Simpsons. Como o jornal é virtualmente o único do Rio, ninguém tem coragem de dizer isso em público.
Estou há 12 dias na cidade e só consigo ler a Folha. Foi pelo jornal paulista que soube do lançamento do livro sobre Bispo do Rosário, que acontece aqui.
O editor do Segundo Caderno, que um dia já considerei uma das cabeças pensantes dessa cidade, está na linha de frente do achatamento cultural.Como se não bastassem o casal de anti-cristos que arrasa o Estado há 8 anos.
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Vale lembrar que depois da Folha e Estado terem dado a mais completa cobertura que o Festival MixBrasil já teve, fomos esnobados pelo Globo. Felizmente temos nosso público por aqui. Amo o Rio, é minha cidade natal, não quero jogar a toalha.O que vai ser preciso fazer para reverter essa triste situação?
O Mix em Brasília começou ontem, com imenso destaque nos jornais da capital.
| Escrito por André Fischer às 17h12 | ![]() |
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SExy Boys em Nikiti
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Os rapazes de Niterói são conhecidos nacionalmente pelo seu sex appeal particular. Reúnem o charme e bronzeado que só os homens da zona norte e subúrbios cariocas têm, mas parecem mais bem alimentados - e um tanto recatados e sem a atitude muitas vezes posuda dos ipanemenses.
Eu sou fã confesso.
Há algumas edições o Festival MixBrasil vem tentando colocar um pé em Niterói e esse ano finalmente rolou. Estive no domingo para apresentar umas seções, entre elas a de curtas Sexy Boys. Público bacana, meninos bonitos. Lá fora, na praia de Icaraí, Fernanda Abreu fazia show comemorando aniversário da cidade. A musa da carioquice revelou que sua mãe atravessou a baía de Guanabara (pela barca já que na época ainda não havia ponte) para ter os filhos no Rio, e que voltou direto da maternidade para casa em Nikiti. Ovação total. Niteroienses gostam de niteroienses assumidos.
Os niteroienses costumam dizer, quando estão fora do Rio, que são cariocas. Entendo que é mais fácil e faz mais sucesso, sobretudo no exterior. Além disso não estão mentindo totalmente, já que geralmente os papa-goiaba passam boa parte de seus dias e de suas vidas do lado de cá.
Só que não deixa de ser um enrustimento de origem, que faz parte da própria identidade local.
Talvez isso deixe os niteroienses mais sexies.
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Parafraseando Morrissey, “I wear brown in the outside cause brown is how I feel in the inside”. Verdade é que só me sinto confortável ultimamente usando uma gama estreita de cores entre o cinza e o marrom.
| Escrito por André Fischer às 17h12 | ![]() |
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O feijão e o sonho
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Trampando no Rio esses dias por conta da temporada carioca do 14o. MixBrasil. Ontem no blog gay do Globo havia uma crítica ao Mix: diziam que o Festival não decola por aqui como em São Paulo porque a equipe, que seria toda paulista, é conhecida por falar mal do Rio. Injustiça. Sou carioca, amo o Rio, bem como a Suzy. O que sempre dizemos é justamente que a imprensa local parece apegada a essa picuinha atrasada Rio-São Paulo e insistem em não nos dar bola – a justificativa que já ouvi diretamente de um jornalista daqui é exatamente porque começamos em São Paulo e o Rio é apenas uma extensão.
A impressão é que a tal rivalidade está muito mais na cabeça dos cariocas que na dos paulistas. Geralmente os paulistanos adoram o Rio. É daqui a implicância com os paulistas. Perdoem os radicais, mas muitas vezes soa como dor-de-cotovelo. Agora que dá pena ver o conservadorismo e pequenez das mentes em uma cidade tão maravilhosa, ai isso dá. Não é à toa que os Garotinhos foram eleitos.
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Existe uma diferença entre o feijão e o sonho. O feijão é a realidade, o sonho é o que almejamos. As vezes um sonho bem sonhado até se torna realidade. Pode ser que se torne algo mais sofisticado e light do que feijão. Para conseguir isso é preciso muito, muito controle, para não desandar. Boca fechada, controle dos sentimentos e ações, esperar o momento certo... E manter os dedos cruzados.
Isso, caros leitores vintanistas, só se consegue com a idade, e quando se consegue.
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Estamos começando a formatar um novo produto no Mix. O Moblie Mix oferece bate-papo e uma seção de notícias pelo celular. Além disso estou fazendo um mini diário, alimentado remotamente com detalhes do meu dia-a-dia. Como ainda muito pouca gente lê, dá pra ser beeeem pessoal. Se der certo, não sei se vou conseguir continar sendo tão íntimo. Dá uma conferida no http://mixbrasil.uol.com.br/mobile/
| Escrito por André Fischer às 17h11 | ![]() |
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LOVE
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Na véspera do feriado dei uma escapadinha da bombada Maratona Sáfica do Mix Brasil no Espaço Unibanco para checar o baixista do New Order, Peter Hook, que ia encarnar o DJ em festinha no clube Royal
Hook abriu seu set com um bootleg misturando o clássico “Love Will Tear Us Apart” do Joy Division (do qual ele fez parte) com o mega hit dos anos 70 “Love Will Keep Us Together” da dupla Captain & Tennille. A música repetia à exaustão os dois refrões e não foi feita para dançar, apenas para provocar uma reflexão.
O amor, no final das contas, vai nos afastar ou nos aproximar ?
A conveniência pode colocar duas pessoas juntas por algum tempo, mas só o amor é capaz de criar uma ligação que supera as pequenezas da individualidade.
O amor deveria aproximar. É para isso que nos apaixonamos e nos entregamos ao outro. No entanto existem maneiras diferentes de amar e expectativas distintas com relação ao amor. Amores incompatíveis podem ser o motivo maior de afastamento entre duas pessoas que se amam.
O amor de verdade deve ser livre e ter certeza de que é. Para viver, ele precisa trafegar na mão dupla, monitorado para que não entre em rota de colisão.
Assim entendo eu o amor.
| Escrito por André Fischer às 16h17 | ![]() |
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