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It Takes Two To Tango

06/11/2006



Você pode criar fantasias, imaginar um mundo dourado de tesão e paixão, fazer planos para o futuro e simplesmente esperar ser correspondido. É seu direito.

No entanto as chances de alguém querer exatamente o mesmo que você, com a mesma intensidade e no mesmo momento são de um em um milhão, para ser bem otimista. Projetar no outro é receita certa para frustração. Para evitar que isso aconteça é preciso ceder, renunciar, aceitar sucessos parciais, talvez até fingir que está tudo bem. E não é para se frustrar não.

É preciso dois para dançar um tango. É bom lembrar também que há sempre um que conduz – ainda que a condução varie de acordo com o momento ou situação. Se os dois quiserem conduzir ao mesmo tempo, o resultado virá na forma de pisões e perda do ritmo.

Muitas vezes acaba sendo mais fácil dançar sozinhos, no nosso próprio compasso. 

 


Escrito por André Fischer às 17h39 Comentários Envie

Tipo melhor filme da vida



Sim, sou um entusiasta. Não raro me empolgo com filmes, shows, livros, exposições, pessoas e acho que é esse arrebatamento constante que me faz seguir trabalhando, me apaixonando e acreditando no mundo.

Dessa vez foi Shortbus, que assisti na Mostra, que me deixou um pouco mais feliz. O filme de James Cameron Mitchell causou rebuliço em Cannes por suas tantas cenas de sexo explícito. Nem acho que tenho sido as cenas de ejaculação, penetração e autofelação que tenham abalado os caretas, mas maneira natural – e até fofa - como (o que consideram) pornografia é inserida no contexto.

O sexo nada mais é, no filme pelo menos, do que uma busca de interação com o(s) próximo(s), um caminho para a inatingível felicidade. Um caminho que deveria ser prazeroso, mas que nem sempre é tão simples assim. Ajuda bastante na identificação com os personagens o fato do elenco ser formado por homens e mulheres lindos e bem dotados.

Todos têm uma disfuncionalidade sexual ou emocional (e quem não tem?) e os amigos são a única forma de passar por cima dos traumas e feridas abertas deixadas pelo cotidiano. Entenda-se por amigos, pessoas com quem compartilhamos sentimentos. Final de semana passado encarei o mega atraso na sala de embarque de Congonhas com uma querida que posso chamar de amiga apesar de não nos freqüentarmos e termos tido até hoje poucas oportunidades como essa para falar mais de nossos pequenos dramas e experiências.

No clube Shortbus (assim como em lugares como Vegas, A Loca, Dama) há sempre um lugar onde todos podem se encontrar, se tocar, colocar a cabeça no ombro, dar um abraço, um beijo. Só que em Shortbus o pacote inclui sexo. A musiquinha final “We all get it in the end” é um hino à amizade, que deveria tocar no final de cada noite, assim como Cidade Maravilhosa encerra bailes de carnaval.

A felicidade melancólica apresentada por Mitchell (que já nos proporcionou o lindo Hedwig and the Angry Inch, exibido no Mix de 2001) parece mais viável do que a felicidade boba moralista da maioria das produções americanas ou a simples depressão sem esperança.

 


Escrito por André Fischer às 17h38 Comentários Envie

Tipo melhor show da vida




Ontem o show do Daft Punk no Tim Festival foi um daqueles momentos de êxtase coletivo viabilizados por uma demonstração máxima de possibilidades do uso da tecnologia digital no entretenimento, perfeita combinação de música e imagem ao vivo. Uau.

A visão dos dois astronautas tocando poderia parecer distante, mas eles mais parecem ETs amigos com quem compartilhamos sensações. Os franceses produziram na mega tenda da Marina da Glória um clipe lotado de efeitos especiais que aconteciam bem ali na sua frente. O cenário 3D com projeções se transformava quase a cada batida, proporcionando uma viagem lisérgica sem necessidade de fritar neurônios quimicamente.

Cada segundo planejado, nao há nada fora do lugar. Impossivel não pular, nessa versão 2.0 do histórico show do Kraftwerk no Jockey no Free Jazz, no meio de uma multidão vendo e ouvindo músicas que embalaram a virada do milênio.

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Único senão, o tempo de duração. Uma hora e vinte foi muito pouco, deixando uma forte sensação de coito interrompido.

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Sair do Daft Punk e ir ao show do casal cego africano foi um choque estético forte. Fofos, animados, estabeleceram uma conexão forte com o público sem usar, evidentemente nenhum recurso visual.

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Super bacana a vibe do evento, estonteante concentração de gente bonita.

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Devendra ainda tocava quando povo foi em peso para a Moo. Fomos até a porta, também lotada de lindos modernos cariocas.
     

 


Escrito por André Fischer às 17h37 Comentários Envie


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