Banho no Gangese o Falo de Shiva
27/02/2006
Noite passada foi Shivaratri e fomos para Haridwar para ver o arati especial que fazem no ponto onde Shiva criou o Ganges com seu tridente. Uma energia fortissima. Nao-hindus eram proibidos de entrar no ghat onde eh feita a cerimonia ate poucos anos atras. Na chegada meus bravos com[panheiros de jornada pela primeira vez deram uma rateada. A viagem realmente oi bem estafante, 7 horas em uma estrada perigosissima. Mas como eu havia tomado uma pasta ayurvedica no cafe, estava numa boa. oi bom para segurar a onda deles, que queriam desistir. Pudera. Na chegada o carro oi cercado por mulheres carregando najas. Eu achei olclorico, mas quem esta pilhado fica com medo. Normal. Sugeri meio frontal para cada um, o clima descontraiu.
Na chegada a visao de muitas milhares de pessoas se banhando, no meio de templos, todos seminus, com uma estatua de Shiva do tamanho do cristo redentor desmontou qualquer trava.
Fomos proibidos de fotografar a principio.Rodamos as ruazinhas fazendo mais comprinhas trash ate a hora da cerimonia mesmo. Muito impressionante. Vimos tudo de cima de um muro e ajudei tres vovozinhas de 100 anos (talvez tivessem so 50 de muita fome e sofrimento) a subirem. Elas nao pesavam muito mais de 25 quilos, deram sorrisos lindos sem dentes e assisimos a meia hora de preces, sinos e fogos juntos.Um estival de cores inesquecivel.
Depois viemos para Rishkesh, que acho que eh meu lugar favorito na India. Os Beatles estiveram aqui nos anos 60. Eh uma coisa meio Maua, rio no meio das montanhas. Soh que o rio eh o Ganges legado e a montanha os Himalaias. Muitos centros de yoga, ashrams, templos, livrarias e ocidentais como em nenhuma outra parte do pais ate agora.
Depois do jantar fui rodar os templos da cidade, abertos a noite toda para cantos. O mais impressionante foi um temlo onde o povo cantava muito excitado em torno de um lingham de 3 metros. Sabe o que eh um lingahm ? Uma representacao do falo penetrando a vagina. Isso mesmo cantei e bati cabeca para Shiva em forma de um pirocao de 3 metros.
Decidi passar o dia sozinho (primeira vez em silencio por horas em mais de duas semanas), fiz meu banho no rio (que nesse onto eh dito que apaga maus carmas de 10 encarnacoes). Dei uma banda ela cidade , esqueminha bem tranquilo.
Agora checando mensagens e voltando ao hotel (que tem uma vista incrivel do rio) para azer uma massagem ayurvedica. EEE vidinha boa....Engracado imaginar que no Brasil os amigos estao indo a The Week ou Pool Party, outra onda completamente diferente.
So respondendo pergunta do leitor, estou viajando com mais um casal (ht) de amigos, uma amiga e um amigo (gay), todos queridos ha muitos anos. Namorado ficou no Brasil desta vez.
| Escrito por André Fischer às 10h00 | ![]() |
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Chegamos a Delhi
25/02/2006
Nova Delhi eh uma cidade bem ocidentalizada, parecendo certas areas do centro de Recife, com bastante pobreza, pouca miseria radical como em outras partes e predios muito modernos. Connaught Place, o centro do centro, eh triste, decadente. O metro , modernissimo, tem checagem de malas em cada estacao, quilos de militares por toda parte. O clima as ruas eh bem mais violento A primeira impressao de dehli eh pessima. Teria acabado a lua-de-mel com a India ?
Nosso hotel eh tido como 5 estrelas, mas nao teria jamais mais de 3 no Brasil. Comento com nosso agente de viagem sobrea necessidade de um sistema internacional de estrelas em hoteis. Ele diz que o servico indiano eh de 5 estrelas mesmo que as instalacoes nao sejam. Sorry, mas nao eh bem assim. Dizer que isso eh um 5 estrelas eh pura e simplesmente enganacao – o que acontece com muita frequencia. Existe uma mania nacional de dencarar o estrangeiro como fonte de dinheiro mais facil. Eh melhor que nova India adote um sistema mais occidental de precos fixados. Negociar todos os precos o tempo todo dah no saco.
O casamento de Abishek e Ash ainda esta em todas capas. Sera que eles vao ou nao se casr afinal de contas ?
A fama de Saif Ali Kahn parece obscurecida essa semana pelo lancamento de Taxi 9211, novo hit de Bollywood, estrelado por John Abraham, o mega idolo que esta em todos os lugares. Incrivel como sao venerados.
Os amigos gays locais (amigos dos amigos de Bombaim) nos deram o perdidos e resolvemos dar um pulinho no restaurante chines, tido como atracao de nossa vizinhanca, Rajendra Place. Ok, nada demais.
Ao acordar demos uma banda no bairro, bem simpatiquinho de classe media (uma coisa meio Tijuca), um pulinho no minitemplo de Shiva na esquina com um bramane doidao que nos encheu de prasads, uma ida a um hortifruti charmosissimo com produtinhos para cozinha e pronto. Ja comecamos a simpatizar com a cidade.
Fomos a megamultimesquita (a Segunda maior do mundo) em Old Delhi, ao memorial de Gandhi, a monumental sede do governo, a uma mesquita construida com as ruinas de templos hinduistas do seculo IV (a coisa mais linda ate agora) e finalmente a loucura completa que eh Old Dehli, com suas minimicroruas com milahres de anos. Nos perdemos por dentro. Entendo pessoas que surtam la dentro. Mas achei tranquilissimo, comprei umamaquinninha que fica repetindo mantras diversos por 60 rupias (3 reais). La dentro compra-se de tudo, tudo tudo. Maioria das ruas parecem corredores das lojas, dificil explicar, um atmosfera muito ancestral.
Na volta fomos a sauna do hotel, conversamos com os tiozoes , tipos meio esquisitos. E vimos finalmente uma noiva, toda aparamentada, vestido e joias pesavam quilos, precisava ser meio carregada. Tiramos fotos com elas, as meninas se encantaram comigo e com R. Uma delas aquendou direto, se oferecendo para ensinar hindi.
Fomos a um restaurante meio nouvelle cuisine italiano incrivel em Saket, um bairro bem occidental em meio a um parque. Otimos pratos, otima caipirinha (!!!!!), otimo bolinho de arroz. Algumas partes parecem com cidades do interior de Sao Paulo, bonitas, arborizadas, sem sinais tao evidentes de miseria- a nao ser as criancas abandonadas literalmente pegando no seu pe. Nada tao diferente do centro de Sao Paulo, apenas em maior quantidade. Enfim, o restaurante, como outros, nao esta servindo frango. A histeria da gripe aviaria esta em todos os lugares, se abster de comer frango eh uma questao seria em um pais com maioria de vegetarianos radicais…
teve esse momento engracado de dar autografo na rua. Pode?
daqui a pouco acordo para ir as cidades sagradas na beira do Ganges, shivaratri, dia de jejum e festas...
| Escrito por André Fischer às 16h21 | ![]() |
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O Taj em si, Hare Krishnas
Fomos ao Taj Mahal, que eh uma das maravilhas mesmo do mundo, ma sesse todo mundo conhece, nao ha o que dizer. Soh que conhecemos umas croatas engracadas no onibus que leva do estacionamento ao monumento em si. Nosso guia era bem dramatico, contando aos poucos a historia de amor do maharaj e sua rainha que resultaram no Taj.
Pela tarde abdicamos do sightseeing por forte e as compras que tantam sempre empurrar. Voltamnos ao quarto (em nosso hotel confortavel mas bem decadentao), com vista para o Taj, comemos no quarto mesmo.
E depois nos lancamos a uma das melhores aventuras: Matura e Vrindavan, cidades milenatres sagradas onde Krishna nasceu e viveu respectivamente ha cerca de 3500 anos. Matura foi palco de atentados e lutes armadas entre hindus e mulcumanos. No lugar onde Krishna teria nascido, os mulcumanos destruiram o templo original e construiram uma mesquita, ha centenas de anos. Os hindus construiram outro complexo enorme logo atras, templos de gusto muito duvidoso e energia contamida pelas centenas de soldados armadas em todos os cantos do templo. Sim, passamos por 4 revistas para entrar e cameras nao sao perimitidas. Estranhissimo.
Depois fomos a Vrindavan, cidade com mais de 4 mil templos. Acredite se quiser. Templos gigantescos, tipo Aparecida, vi dezenas. Mini templos, templos medios, estatuas gigantescas de Ganesh, Shiva, replicas do Taj de gurus modernos. Fomos a um templo antigo que acaba de ser aberto a ocidentais , muito antigo com presepios animados com pedacos do Bagavad Ghita. Mistura de estilos e muitos miseraveis aguardando prasad. Como comecava a escurecer pegamos um rickshaw atravessando as ruas medievais do povoado, onde apenas os poucos pontos de luz eletrica nos faziam lembrar que estavamos
Nos tempos modernos. Fomos aos ghats, aqueles degraus na beira do rio, no estilo Varanasi. Nao haviam corpos sendo cremados, aenas pessoas orando. E muitos, muitos macacos. Em um certo ponto achamos que iamos ser atacados por um grupo mais barulhento de macacos e resolvemos voltar para o carro, pegando o rickshaw (puxado por um ciclista) rapidinho ate o carro. Ainda queriamos pegar o centro Hare Krishna aberto, que fica em um pedaco separado de Vrindavan, levemente ocidentalizado. Ali cantamos ate o maravilhoso de marmore (e onde esta o mahasamadi do Prabuphada) e esperamos o templo fechar. Coemmos no ashram la mesmo e voltamos para Agra.
Uma experiencia muito, muito especial. Acho que na volta vou passar a frequentar templos.
A estrada par Dehli eh bem mais tranquila, parecendo uma Estrada vicinal comum do interior do Brasil, nao fossem os carros com 25 passageiros, caminhoes com mais 50, carrocas com dezenas. Muita, muita, muita gente o tempo todo.
| Escrito por André Fischer às 16h21 | ![]() |
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Masala Telecom, Fatepur Sikri
23/02/2006
Prepare sua paciencia para usar servicos de telecomunicacao. Banda larga ainda eh novidade e apesar de cartazes anunciarem acesso a internet ate mesmo nos menores vilarejos nao se iluda: a conexao eh discada da pior qualidade. Nos hoteis o acesso eh caro e ainda assim dificil. Acabo de esperar mais de 40 minutos para a chegada de um ‘ engenheiro’ para consertar a internet do hotel. Isso porque estou em um 5 estrelas ! O lugar mais visitado ate agora sao as lojas Hutch. Em cada cidade eh preciso fazer um ajuste no roaming do cellular, que funciona com um complicado sistema misto de creditos e tempo.
Desde Jodhpur parece que um mes se passou. Durante dois dias vivemos um road movie pelo deserto. Eh preciso ter coracao forte para segurar as estradas. EStamos em uma robusta
Em uma das paradas (para comprar batatas fritas do Saif Ali Kahn- estou colecionando os produtos onde ele aparece) vimos um menino lindissimo, cara de principe do deserto. O povo indiano nao eh extamente bonito, mas quando os gens batem certo o resultado eh assombroso.
Jaipur eh a capital do Rajastao e pode-se entender por isso o caos maior concentrado, Aquilo tudo que se espera da
O templo de Vishnu e Mahalaxmi, construido ha pouco mais de 20 anos eh o mais belo predio do centro da cidade.
A noite decidimos sair em Jaipur. A primeira opcao foi ir ao cinema. Por isso fomos primeiro ao Entertainement Paradise, um multiplex com apenas dois cinemas, restaurants e um infalivel mega-salao de casamentos.
A estacao de casamentos continua a todo vapor. Temos visto meia duzia de casamentos por noite. Sempre com o noivo montado no cavalo, um trio eletrico com show de luzes e bandinha. Todo mundo dancando em cortejo e nunca vimos noiva.
Como soh estavam passando Rang de basanti, que ja vi, e Fight Club (cujoCD comprei, mas o filme nao me interessa em nada). Fomos entao a um Epcot center indiano na periferia de Jaipur. Uma replica de um vilarejo do Rajastao, com 50 e tantos nichos, em cada um uma atracao: bailarinas, faquires, magicos, restaurante tipico (comemos no cahao, com as maos uma comida beeeem rustica misturando rapaduras e saladas secas com especiarias e paes diferentes molhados em masalas malucas.
Logico, andamos de camelo e todo o mico completo.
Na chegada a
Na chegada a
| Escrito por André Fischer às 23h34 | ![]() |
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Chegando no deserto
20/02/2006
Na minuscula estrada que passa por minipovoados entre a inesquecivel
Todo feito de marmore, gigantesco, mais de 1400 colunas esculpidas, nao sei quantos idolos com olhos de diamante. Uma coisa. E os monges pedindo dinheiro
O Mercado da Torre do Relogio eh uma alucinacao medieval, ate demonstracao de uso de especiarias na barraca credenciada do Lonely Planet fizemos. Alem das comprinhas de produtos da caxemira.
Continuo comendo demais, o grau de exposicao aa pimento aumentando radicalmente. Hoje no almoco (na verdade mais um festim indiano) ate meu couro cabeludo suava frio.
O celular nao esta pegando em
Tem alguem usando meu e-mail para enviar mensagem indevidamente…Fico recebendo montes de undelivered messages no webmail, lotando minha caixa, e na verdade nao tenho enviado quase nenhuma….
| Escrito por André Fischer às 14h11 | ![]() |
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Muda Tudo: O Luxo mais exuberante
19/02/2006
Ontem foi dia de total mudanca de paradigma. O ultimo dia em Bombaim foi pontuado pela compra de especiarias no Mercado (amigos, preparem-se para um jantar especial com os temperos todos que comprei), uma ida ao McDonalds(onde o cardapio eh absolutamente distinto, com delicias vegetarianas e o equivalente ao Big Mac eh o Big Maharaj Chicken) e compra de vaaaarios discos de Bollywood (amigos, preparem os ouvidos para a nova fase musical). Os CDs aqui custam 130 rupias (menos de R$7), imaginem o estrago.
Depois uma festinha oferecida pela camara de comercio Brasil-India, onde conheci jornalistas locais sedentos de informacoes sobre a vida sexual no Brasil. Preciso confessar que voltei ao armario nesses dias. Se dizer que todo mundo namora aa vontade ja causa furou, imagine se assumir gay. Tinha pouco tempo para isso.
O festim gastronomico continua e ja sinto a diferenca nas calcas que comecam a apertar. Ainda nao fiz nenhum refeicao occidental, so masalas indianas. Como o voo para Udaipur saia de madrugada resolvi esticar com um pulo para drinque de despedida com amigos indianos e de Singapura no Hyaat, em Santa Cruz. Engracado que saio de rickshaw sozinho no meio da madruga atravessando favelas sem o menor problema. A noia da violencia brasileira ficou totalmente para tras. Triste nosso pais que nao consegue resolver essa questao minimamente.
Chegamos a Udaipur onde a experiencia eh absolutamente oposta. O luxo absoluto, extremo. Estamos no Lake Palace, um hotel da rede Taj Mahal construido no palacio de verao do maharana de Udaipur no meio de um lago. Luxo supremo em cada minimo detalhe. Fiz um scrub de especiarias, o corpo ardendo envolto em pimentas, melhor do que sexo (sera que esse comentario tem a ver com idade ou com fato de que o sexo esta meio fora do cardapio nessa viagem?). Depois seguem detalhes.
O palacio principal do maharana tem detalhes em vidro e marmore, de uma riqueza absolutamente indiscritivel. Ja vivi experiencias de luxo em destinos como Aspen e Marrakesh e sempre tive acesso a ambientes sofisticados. Mas nada, nada comparavel ao que tenho visto.
Agora sigo para um ultimo pulo na piscina do palacio (a mesma usada por James Bond) antes de seguir viagem…
| Escrito por André Fischer às 02h11 | ![]() |
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Ida aos templos
17/02/2006
Nem mesmo a busca espiritual eh capaz de atenuar a busca mundana do consumo. Vizinho aos templos de Shree Mukteshwar Deavayz e do maravilhoso Centro Hare Krishna (estou encantado com os HK, frequentando o templo diariamente) fica o novo shopping de Juhu, nosso bairro cujo comerciantes ja estamos ficando amigos. Pois anteontem foi dia de compras hardcore no templo do consumo: Nike, Levis, MAC e eletronicos por menos da metade do preco, impossivel resistir. Dificil vai ser chegar ate o fim da viagem com uma mala soh. Felizmente desisti da mochila na ultima hora e vim com minha maior samsonite – que ja esta lotada de imegans, roupas bugigangas e tal.
No Mercado de Lamad (que hoje entra em greve em protsto contra as prostitutes que estao invadindo o local) comprei roupas “etnicas” maravilhosas, costumes completos em puro algodao eleganterrimos, confortabilissimos pelo preco de uma hering. Vamos ver se vou ter peito para usar.
Ontem foi dia de ir a Ganeshpuri, conhecer o ashram de Siddha Yoga e os templos de Nitiyananda. Saimos as 3 da manha para chegar a tempo nos cantos da 5 da matina, seguidos de meditacoes e mais cantos. A sensacao foi de missao cumprida e que SY me deu muitos conhecimentos, mas chegou a hora de novos caminhos. Dificl comparar a generosidade dos pequenos templos instalados nas casas dos saddhus e a gentileza de monges em outros pequenos templos com a paranoia que os americanos instalaram no ashram Siddha Yoga, onde nao eh possivel ver nada e ate registro com foto e numero de passaporte eh preciso para meditar. Uma pena.
Em uma pequena cidadezinha ao lado de Ganeshpuri visitamos outros templos e suas famosas aguas quentes. Nunca em minha vida vi tamanha miseria (sem querer forcar a barra, nao ha paralelo de pobreza nem na regiao mais pobre do Brasil) mas emocionante a maneira como fomos tratados. Saddhus oferecendo prasads (pequenos doces como presente vindos das estatuas dos deuses) nos forcando a esquecer qualquer neurose por limpeza. Descalco boa parte do tempo, meus pes chegaram pisaram locais sagrados sem me preocupar com bacterias ou coisas do genero.
Vi um hijra (homens que se vestem em saris e vivem como mulheres) no templo das Devis. Era a mulher mais elegante do local.
Fiz um puja a Cristo, em um pequeno templo catolico perto daqui. Homenagem a minha irma, que se converteu recentemente ao catolicismo, e a tradicao crista esquecida da minha familia. Nosso motorista ontem tinha o singelo nome de Harekrishna.
Tenho usado o trem para o centro, bem mais rapido que os inacreditaveis engarrafamentos locais. Nao ha como sair de casa sem passar pelo menos duas horas no transito absolutamente caotico.
Perto de Juhu fica o novo bairro moderno, uma especie de Barra da Tijuca favelada. Cada apartamento pequeno nao sai por menos de 50 mil dolares.
Todo mundo tem seu Bollywood star favorito: o meu idolo eh o gostoso Saif Ali Kahn, onipresente em todas as campanhas publicitarias e astro de Paraneeta.
Sobre comentario do leitor, conheci o lindo Hrithik Roshan tambem e a filmagem que vi foi justamente de Doom – part 2, que tera cenas gravadas no Rio no final de marco. Estarei la com certeza !!!!
deopis de uma intensa comunicacao por msn com os amigos locais, vamos a festinha, nao sei onde. Antes dois coqueties de trabalhop com pessoal da camera brasil-india e com lider de um grupo de doireitos gays local.
amanha, vamos pro rajastao cedo.
As fotos estao ficando incriveis, mas ainda nao vai ser agora que vou comecar a postar....
| Escrito por André Fischer às 02h29 | ![]() |
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Karma, a noite gay de Bombaim
15/02/2006
Nossa, eh tanta informacao que fica dificil administrar...
Ontem na volta do centro passamos pelo templo de Mahalaxmi, a deusa da bem aventuranca espiritual e material. Momento mais India ate agora. Um beco , vilarejo, cheio de lojinhas, em estilo medieval, onde eh preciso atravessar uma rua inteira sem sapatos. Cantei aa Laxmi, fiz oferendas. Na saida deu para ver a fila de leprosos com olhares de desespero na entrada da mesquita vizinha. Nao sei ainda se darei conta de entrar la.
Fomos ao cinema, espetaculo aa parte. Uma sala imensa, cuja sessao comeca com o hino da India e todos levantam, antes do trailer. O filme em si bem feitinho, sobre jovens de Dehli, meio em ingles , meio em hindi, o publico participando ativamente aos gritos.
Depois, enfim, fomos a tal festa gay. Seguimos a dica de nossos amigos - sim, ja temos quilos de amigos, coisa mais facil eh socializar- e fomos de trem. As 11 e meia da noite pegamos o trem, lotaderrino para o centro. Na primeira classe ao menos havia lugar para sentar, trem sujissimo, mas no caminho conhecemos um moco que voltava do jantar de dia dos namorados com a noiva que nos levou ate quase a porta da boate. O nome nao poderia ser mais apropriado: Karma. Eh la que acontece a noite gay local, a unica do sul da India, duas vezes por mes as 3as feiras.
A entrada custa 500 rupias (25 reais, uma fortuna para os padroes locais). Havia uns 150 caras e 4 meninas (2 ocidentais amigas moderninhas e 2 bolachas indianas). O som era pop indiano, uma house bem animada, todos acompanhando as letras em hindi. Nada de iluminacao. O DJ errou feio duas vezes , parou a musica pediu desculpas e continuou. Meu amigo R diz que os moco parecem odaliscas dancando, talvez influencia dos filmes musicais todos coreografados. Preciso dizer que o povo eh bem feinho, excecao a uma meia duzia de meio-bonitinhos e um principe encantados, parecendo uma encarnacao de Lord Shiva, mas que estava bem apaixonado aos beijos com o namorado monstrinho. Alias, foi a primeira vez que vi pessoas se beijando.
Nunca imaginei que minha tatuagem na nuca com mantra faria tanto sucesso. As pessoas me param na rua, repetem o mantra, se aproximam. Na boate, entao, sucesso total. Conheci um grupo de rapazes que vinham de Puna, a 2 horas daqui, apenas para a tal noite gay. Voltavam para trabalhar no dia seguinte de manha. Outro grupo do norte do pais, uma barbie sem camisa, um artista indiano radicado nos EUA, um executivo de Singapura. Para cortar o clima aquendacao bastava dizer " i have a boyfriend" e passar para uma conversinha mais amena. Sai com a agenda do celular cheia de telefones.
Como todos os outros lugares daqui, fechou a 1h30. Uma lei de um governo ultraconservador dos anos 90 determinou que tudo deva fechar esse horario. O governo caiu, mas a lei nao. Uma pena. Na saida fomos convidados para uma festinha. Nosso carona ouvia Mutantes no carro e nao sabia que eram brasileiros. Chegamos a casa de um publicitario, diretor de arte que recebia um grupinho bacana, incluindo as 2 memninas ocidentais da Karma. Um loft novaiorquino maravilhoso. Mas por fora o predio parecia uma favela. Alias a cidade, incrivel, simpatica, apaixonante, eh um imenso favelao, eh preciso dizer. Mesmo as areas mais nobres.
Na festa todos simpatississimos, gentilissimos. As pessoas sao muito carinhosas, se tocam muito. Na rua mesmo o tempo todo se ve homens caminhando de maos dadas, amigos falando e mexendo na orelha uim do outro. ( Nosso motorista nao conseguiu nem entender o significado de dois homens juntos. Hijras , homens que se vestem de mulher, ele sabe o que sao. Gays, nunca ouviu falar!) No final ja estava conversando com todos de maos dadas. Serio, puro carinho sem comprometimento. O anfitriao nos tratando como reis. AS 4 da manha aproveitei uma carona e voltei para casa, pois estava a 30 quilometros do hotel. Meu amigo R acabou indo para a casa de um meio-bonitinho , assistente de direcao em Bollywood. Disse que o menino mora em uma mansao com os pais, trata os empregados como cachorro.
A comida eh um dos tantos pontos fortes da viagem. O cafe da manha ja comeca apimentado, mas nenhum efeito colateral ate agora....
Daqui a pouco vamos a praia (nao pense em nada parecido com Brasil), depois uma ida ao shopping aqui mesmo em Juhu, tentar comprar uma camera nova...
| Escrito por André Fischer às 02h32 | ![]() |
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Bollywood e Hare Krishna
14/02/2006
Assim que sai do cyber cafe ontem, perdi minha camera em um rickshaw. Nem isso foi capaz de afetar meu humor. Vou ter que comprar outra, pois a viagem esta so comecando, mas conto com as cameras dos amigos. Fomos a Bollywood onde trabalhei como figurante em um filme de acao e aproveitei para entrevistar a equipe e conhecer Uday Chopra, um dos queridinhos da nova geracao de atores-cantores-modelos. Fotos e detalhes mais para frente - assim que conseguir uma conexao decente.
Estou em um bazar beeeem sujinho, no terceiro andar de uma tapera no centrao, com conexao lentissima... Conheco uns frescos que surtaram ao chegar, iamgino que teriam medo de estar no lugar onde estou. De qualquer forma a conecxao eh mais rapida do que pelo celular. No caminho para o centro - sao 3 horas de engarrafamento entre Juhu, o bairro bacana onde estamos- consegui ver internet no carro sites, noticias do Mix e UOL.
Na volta de Filming City - a sede dos estudios - fui a um templo lindissmo, com seis andares dedicados a varias divindades e pessoas santas. Repeti muitos mantras, recebi uma bencao de um monge, me emocionei muito, chorei pencas, um choro de alivio e felicidade. Bem em frente um mega templo Hare Krishna, onde dancamos e cantamos aa noite o redor do Prabuphada e comprei algumas imagens para meu puja.
Como ninguem eh de ferro, aa noite fomos a uma boite, ao som de pop indiano, com direito a uma versao de Dont' Cha. Como tudo fecha a 1h30 os engarrafamentos nesse horario sao enormes e eh o horario ideal para ver a juventude local. Dificil reconhecer quem eh gay. Por via das duvidas hoje fomos assistir uma palestra sobre direitos gays na faculdade de direito. Muito pouca gente mas pelo menos rolou convite para uma festinha mais tarde em Santa Cruz de um jornalista da Time Out local e seu namorado. Vamos ver no que vai dar...
Nota fofa de hoje foi ida a casa onde morou Gandhi, vimos sua capa, as paducas (sandalias) e tal.
Apesar dos indianos repetirem que a India eh como o Brasil, um pais de contrastes, ate agora acho que nao ha termos de comparacao. O bairro chique, que eles chamam de Beverly Hills local, esta bem , bem longe de qualquer bairro rico brasileiro.
No post anterior esqueci de mencionar que vi o por-do-sol mais avassalador da vida, uma bola gigante laranja se pondo atras do skyline de Bombaim, visto do oceano indico. E que fizemos um social otimo no aeroporto de Joanesburgo...
| Escrito por André Fischer às 07h14 | ![]() |
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Primeiro post da India
13/02/2006
Esse vai ser um post telegrafico apenas para constar...
Estou completamente apaixonado pelo pais, depois de um momento de leve tensao na chegada. E preciso acostumar os olhos para ver a beleza do pais, a inacreditavel gentileza das pessoas. EStamos em Juhu, o bairro onde vivem os astros de Bollywwod. Ja assisti um filmes, estou viciado na MTV e outros 3 canais de musica, ate na noite ja nos jogamos. Ainda nao entendi bem a sexualidade local. A grande questao eh o Valentine s Day de amanha. Os jovens querem namorar livremente...e parece que vao conseguir. Mas ha uma tensao no ar. O pais se moderniza muito rapidamente.
Fomos rodar pela cidade, ja estou com celular, que custa preco de banana. Tipo 10 centavos de real o minuto e a recarga eh feita em qualquer biboca na rua. Ontem um passeio mistico por um templo de 15 seculos dedicado aa energia sexual, semi-destruido pela ignorancia dos portugueses, que se chocaram com as imagens fortes. Somos fotografados nas ruas, talvez minha Lacoste laranja forte componha bem com as peles morenas dos indianos.
O melhor de tudo sao as comidas, me esbaldando completamente, sabores exoticos, tudo apimentado desde o cafe da manha.
Giselle esta em dois posters da Louis Vuitton no Taj Mahal, a esquina mais luxuosa da cidade, em frente ao Gateway of India. Latinos estao com tudo. Gente linda em meio aa turba barulhenta. Buzinas e corvos dando o tom. Tudo baratissimo. As compras ja comecaram.
Estamos saindo agora mesmo para assistir a uma filmagem em Bollywwood, parece que eh uma cena de luta em um filme epico.
E hoje, meu aniversario, comecamos bem com festinha no hotel. E como presente, Botafogo ganhou a taca Guanabara !!! Tudo de bom.
| Escrito por André Fischer às 05h46 | ![]() |
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Uma nova viagem
07/02/2006
Pela primeira vez em muitos anos (muitos anos mesmo) me preparo para uma
viagem de um mês sem ser a trabalho.
Vou para Índia, realizar uma jornada que
planejo há tempos. Conhecer o sub-continente misturando busca religiosa com
programas mais turísticos-mundanos. Vou via Africa do Sul, para chegar mais
rápido e não desviar do meu objetivo final. E pela primeira vez na vida vou
fazer uma viagem de férias com tudo programadinho, com agência de
turismo mesmo. Estou sentindo a maior firmeza.
Não teria tempo para fazer todas as reservas de tudo, catar
lugares e passeios como geralmente faço. Para India não há possibiulidade
de deixar tudo solto, sob o forte risco de desandar tudo e ter que ficar em
espeluncas. Na boa, em viagem assim 4 estrelas é o mínimo minimorum que posso
aguentar. De preferência 5 estrelas, com direito a palácios, passeio de
elefante, motorista e tudo mais. Dos velhos tempos fica só o mochilão. Será que
é a idade ?
Nos últimos dias tento colocar a vida em dia para essa ausência
maior. Academia, cinema, festival, site, livro, namoro... Tudo muito
intenso.
Bom saber que montei a vida de um jeito que não sou indispensável,
que pode existir vida além do trabalho. Demorou, mas acho que estou chegando
lá.
Para ser completamente sincero vai ser pouco provável me
desligar totalmente. Estou levando estou levando uma mini-estação com wifi para
tentar enviar textos de lá e amigo fotógrafo a tiracolo para documentar essa
rica experiência.
Acompanha por aqui essa viagem. Sempre que possível mandarei notinhas de lá.
| Escrito por André Fischer às 19h46 | ![]() |
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