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31 de outubro, Dia do Saci

30/10/2005

Cultura Gay no Brasil ainda é muito americana

Vi em rodapés de jornais e revistas que existe uma tentativa de se institucionalizar o 31 de outubro como Dia do Saci. Trata-se de um evidente desdobramento lógico da campanha “ Halloween o cacete” que já vi estampada nas ruas por aí. Mesmo sabendo do radicalismo nacionalista que está por trás do slogan, preciso confessar que nutro uma simpatia pela revolta. Tenho assistido com uma certa incredulidade uma festa absolutamente alheia à nossa cultura sair dos cursos de inglês e se tornar popular muito rapidamente.

Assumidamente aculturados, já celebramos o nascimento de Cristo na versão neve européia do Natal sob um sol acachapante de quarenta graus. Mas importar abóboras recortadas e crianças vestidas de Freddy Krugger pedindo “doçuras ou travessuras”  a esta alura do campeonato, em tempos de exército americano esgarçando o cu do mundo, me soa como uma afronta debilóide.

Mas não pode se negar que a onda atende uma demanda de festas – e as boates gays brasileiras, que seguem o padrão americano  de boate, que o digam. Essa semana clubes de norte a sul do país fazem festas de Halloween na véspera do feriado de Finados, sempre usando a iconografia típica americana. Só que bem mais naïf, tipo festa de curso de inglês mesmo.

Nos EUA o Halloween já foi assimilado pelos gays americanos como a festa em os homens se vestem de mulher e vice-versa, mas essa parte a gente ainda pula por aqui.       

Então melhor aproveitar o espírito e a vontade de festas temáticas com tema fantástico e adotar de vez o Dia do Saci. Ano que vem já vou preparar o modelão com uma perna da calça cortada, boininha vermelha e pitar um cachimbo .
Ou encarnar a mula-sem-cabeça de vez.


Escrito por André Fischer às 21h55 Comentários Envie

Ainda Brokeback

24/10/2005

A vida só vale ser vivida se for intensamente


Sábado acordei com a idéia de consagrar o dia ao hedonismo. Só assim para esquecer que vivo em um planeta cercado por pobres cidadãos cegos pela violência e ignorância que assolam esse mundo comandado por Bush.
Tenho lembrado muito do livro novo do João Ximenes, Juízo, um blog escrito em 2011 quando o Brasil teria acabado de eleger seu primeiro presidente evangélico e virado uma república fundamentalista. Acho que demos neste domingo mais um passo nessa direção. Só falta agora um referendo para proibir o aborto, outro para a maconha e o último que vai erradicar a homossexualidade do país. Desculpem armamentistas, mas é tudo mais ou menos a mesma coisa. Hoje li uma infeliz festejando o não como uma “vitória do povo sobre o governo”.
Ai que dor ver tanta gente pensando pequeno!


Enfim...

 

Comecei o sábado comprando um colchão novo maravilhoso com travesseiros da Nasa (assim me garantiu o vendedor e eu quis acreditar) que prometem um sono melhor. Depois um almoço natureba indiano no Maha Mantra, seguido de show do Traças em tarde Punk Rock na USP, onde comecei a beber. Ainda bati uma Confraria quase inteira no Chileno e fui a uma festinha ótima de jornalistas – onde tomei mais dois baldes de caipirinhas de saquê que o Chris preparou. De lá fui direto ver o Cronenberg novo, que adorei- não sei dizer até que ponto por efeito do álcool. Na seqüência outra festinha maravilhosa na casa de Marco e Chico e, para coroar a jaca, uma passada no Hell´s. Preciso confessar aqui que foi minha primeira vez. Pouca gente sabe disso e menos ainda vai acreditar nesse anacronismo, mas foi meu début no lendário after. Pois olha, me diverti pencas.

 

Vamos pular o domingo até o final da noite, quando fui ver Brokeback Mountain, vendido no Mix Brasil como a mais linda história de amor gay do cinema. Se não é a mais é das mais..
Passei o dia hoje tendo flashbacks das lindas cenas de amor (a primeira cena de sexo provocou pelo menos uma centena de ereções na platéia) e pensando na extensão da moral da história.

Vou tentar não contar o final do filme.

O que eu sei é que realmente a gente não pode deixar de fazer as coisas com medo do que os outros vão pensar ou por querer se poupar.

 

A vida só vale ser vivida se for intensamente.

Viver pra quê, sem tesão, sem se jogar? Morrer aos 39 com a sensação de que tinha jogado a vida fora. Ou ainda, pior, sobreviver jogando a toalha?

Nã, nã, nã... o dia que me conformar será o dia do meu juízo final. Até lá vou viver da mistura de paixão com ilusão acreditando ainda na beleza das coisas. É esse  coquetel que vai me manter vivo.


Escrito por André Fischer às 23h46 Comentários Envie

Entre furacões e terremotos

18/10/2005

Finalmente o verão deu o ar de sua graça. Em um ano cheio de tsunamis, furacões, terremotos e outras pragas um belo dia na praia ganha ares de rendenção. Fodam-se o Lula e o Mensalão. Fodam-se o Referendo e a gripe Aviária.

Na sexta-feira, finalmente após semanas nubladas, o sol apareceu em grande estilo. Comecei a trabalhar por volta das 9h30, mas com o astro-rei gritando lá fora foi impossível continuar. Por volta das 15h mandei tudo às favas e fui para praia encontrar Ricardo e amigos. Ipanema estava mega abarrotada, parecia um domingão em janeiro. Turistas ? Muito poucos. Basicamente cariocas desocupados ou fugindo do trabalho, como eu.
Vi um grupo de surdos gays discutindo, tentei entender o que diziam. Muitas vezes o sinal para homem, esperar, praia e tal. Mas meus conhecimentos de Libras ainda não são suficientes para uma compreensão completa, por isso nem me arrisquei a dar um oi.
Não tinha ainda visto o espelho hilário que foi colocado em uma das barracas da Farme. Aliás, cada vez menos me sinto confortável naquele 8 e meio. Um desfile de corpos incríveis, mas a afetação parece ser inversamente proporcional à macheza da aparência física. Em 15 minutos saí para o Natural e, em vez de voltar a trabalhar fui para o Coqueirão, de onde só saí depois do por-do-sol.

Fiz bem em recarregar as baterias. À noite um pequeno tornado revirou o tempo e as latas de lixo da zona sul. Dia seguinte uma chuvinha chata e impiedosa fez lembrar que ainda faltam dois meses para a melhor estação do ano. 
Foi bom viver Ipanema em seu melhor ainda que por apenas algumas horas.

O universo em desfile, amigos todos se encontrando, discutindo os rumos da humanidade até aquela noite, sensação de que existe uma solução para o planeta.

Assim que passar o verão a gente pensa nisso.


Escrito por André Fischer às 12h09 Comentários Envie

Defesa do Não me revolta o estômago

11/10/2005

Tenho o péssimo hábito de, quando estou sozinho, comer assistindo TV. A concentração diminui e o alimento desce de maneira errada, eu sei, mas simplesmente não consigo comer só. Posso ir ao cinema, viajar, sair para dançar sem ninguém. Mas se não tiver companhia para comer, acabo tendo que ligar a televisão. Nobody is perfect. Esse costume feio me levou a perder o apetite nas últimas semanas em três ocasiões distintas.

A primeira foi ao ver Severino dizendo que os problemas do Congresso eram o homossexualismo e os “tóchicos”, depois foi o deputado Nonô afirmando na tribuna do câmara que só um “mongol” era capaz de não sei o quê. A terceira foi ontem, ao assistir aquela vaca loura defendendo o armamento da população no programa eleitoral do referendo.  

Perdoem os 54% de usuários do Mix que declararam na Enquete que pretendem votar Não no referendo sobre a proibição de comércio de armas, mas preciso discordar tremendamente de vocês. Se for radicalmente favorável ao Não, melhor parar de ler este blog por aqui, pois minha posição é bastante radical.

Em um país com índices de violência superiores ao da Faixa de Gaza e com o tal recorde de assassinatos de homossexuais me parece uma sandice querer defender o porte de armas a uma população tão violenta e despreparada. Felizmente Luis Mott voltou atrás em sua inexplicável defesa do Não e optou pelo Sim.
O referendo pode ser fora de hora, mas já que está aí, vamos aproveitar para mostrar que a maioria da população quer o fim da violência e das armas. Na verdade é isso que ele vai mostrar. Uma disposição da sociedade, muito mais do que qualquer outra coisa.
Defender o sim para mim é igual a defender o Bush e toda a corja do mundo que acha que só a violência pode combater com violência. 
O programa do Não, que parece feito por e para retardados, afirma que a Suíça é o país mais armado do planeta e com menor índice de violência. Ahã. Tira o suíço lá do cantão dele e joga no trãnsito de São Paulo com uma escopeta na mão para ver o que vai dar. E pelo amor de Deus querer glamourizar o uso de armas me revolta o estômago.

Já tive um 38ão apontado na minha cara e lhe digo que uma arma no carro não adiantaria muita coisa. 
Não consigo entender como alguém com um mínimo de bom senso e bom caráter pode defender o que considero uma barbaridade. Até agora não ouvi nenhum argumento razoável. O PT estaria armando um exército particular, os traficantes querendo vender defesa armada para a população e por aí segue. A última foi uma cidadã que me parecia inteligente repetindo como papagaio que defende um direito. Perguntei, “qual direito?, de matar?” e tive que ouvir “ sim, posso ter o direito de querer ser uma assassina”.
Então está bem, fica assim. Vamos votar no sim para pelo menos uma pessoa ter cassado seu direito de matar outrem.  


Escrito por André Fischer às 16h37 Comentários Envie

Fantasias Sexuais

05/10/2005

O Mix publicou na semana passada os resultados de uma pesquisa em que usuários diziam quais seriam os limites da traição. Parece não haver um consenso sobre qual seria o limite da realização da fantasia sexual de cada um e da fidelidade quando se está em um relacionamento.

As vinte situações sexuais apresentadas se constituem em fantasias que vagueiam pela mente e da maioria dos homens gays. Os héteros também têm suas fantasias, mas acredito que sejam limitadas pela menor possibilidade de realizá-las.

Sim, admitamos: um homem gay quando quer faz sexo quando e como tiver vontade. Onde e com quem e são outros quinhentos.  Poucos são os heterossexuais que conseguem entrar na rede e descolar em poucos minutos uma rapidinha, tarefa relativamente fácil para um gay com banda larga em casa. 

A existência dessas fantasias independe de estar namorando, casado ou solteiro. Acho que quanto mais fiel, mais o cara vai extravasar seus fetiches através de sonhos ou pela internet, já que a própria pesquisa mostrou que sexo virtual não é considerado traição. 
Se tudo o que se fala e conta nos chats fosse realmente verdade, o mundo seria uma suruba só. Pouca gente tem disposição para por em prática tudo que pensa, fala ou sonha, e geralmente é melhor que fique por aí mesmo, se não perde a graça.

Mas que é saudável dar uma transgredidazinha vez ou outra...ah isso ninguém pode negar....

 

Clica aqui para dar uma olhada na tal pesquisa do Mix.

E se quiser compartilhar alguma fantasia, manda um comentário.


Escrito por André Fischer às 18h35 Comentários Envie


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