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Out in Africa

22/09/2005

Já estava decidido a passar o primeiro ano em quase 20 sem sair do Brasil. Para variar, ficar por aqui mesmo tomando pé das zilhões de coisas que andam rolando no eixão Rio-Sampa. Mas o chamamento de uma esticadinha rápida em Cape Town foi mais tarde.
Não foi minha primeira vez na cidade e por isso me impressionou. Como sempre viajar a lugares ditos de terceiro mundo trazem um choque maior na volta. Não é de surpreender o contraste de Paris ou Montreal com a sujeira e pobreza das cidades brasileiras. Mas é dureza ver que uma cidade africana dá de mil em civilização e cuidado quando se compara com nossas capitais. Beira a depressão ver a miséria e pobreza de espírito que ainda grassam por estas terras.
Enfim...
O bairro gay de Waterkrant se sofisticou. Não digo nem em termos da noite. Nesse quesito pelo menos ganhamos de 10 a zero. Os clubes e bares são bem cafoninhas e sem maiores apelos. Mas não acredito que ninguém se despenque até a África esperando baladas enlouquecidas. De qualquer maneira é reconfortante saber que, se precisar, estão lá os moços dançando os velhos hits dos clubes gays daqui. E até bar leather tem.
Eu preferi curtir outros lados. Muito shopping, aproveitando o fato da África do Sul ser dos poucos países do mundo tão ou mais baratos do que o Brasil, e a busca de programas alternativos. Correr atrás de pinguins, focas e babuínos, bater perna atrás dos sabores, cheiros e fumaças locais...
Não me furtei também de passar tempo em um cybercafé gostosinho e com boa música, fazer um tour pelas Delis com os temperos exóticos típicos de uma cozinha que mistura elementos europeus, africanos e asiáticos. Muito filé de avestruz, muito mango chutney, muitas pimentas estranhas. E ainda cair de queixo no melhor hot dog do planeta, o festejado Mohamad em Long St. Lá se foi de vez meu pretenso vegetarianismo. 
Aliás, descobrimos lugares fofos na rua mais turística da cidade, que de gay tem apenas um restaurantezinho lindo, o Royale. E lojas de discos (comprei uma versão Fellini em africâner), tralhas ótimas em brechó indiano e tal...
Engraçado foi ter a experiência de uma luazinha de mel em grupo. Nunca tinha feito nada assim, temia um pouco, mas funcionou direitinho.

No decorrer dos próximos dias estarei soltando umas materinhas no Mix sobre a noite, o bairro gay e passeios bacanas para se fazer na cidade.     

Clica aqui para ver o dicionário de pajubá em afrikaans que meu xará, André do Val, catou nas ruas de Cape Town.


Escrito por André Fischer às 11h27 Comentários Envie

Four to the floor, I was sure…

11/09/2005

Finalmente o Top of the Pops chegou ao Brasil. A mais tradicional parada inglesa, a dos hits, desde sempre trouxe informações e boas surpresas. Ouvi há umas duas semanas o From the Floorboards Up do Paul Weller e nas buscas acabei encontrando umas versões diferentes do Four to the floor, do Starsailor. Que o nome e refrão anunciavam que o cara estava de quatro eu entendia, mas exatamente como e porque ele chegou lá ?
Fui mais longe na busca.
A expressão é usada por produtores de música eletrônica para designar um tipo de batida que tem sido muito usada recentemente. Acho que não. Four to the floor também é uma expressão antiga usada em Londres para bêbado.
Pode ser.
Existem coisas que o dinheiro não pode comprar e outras que só mesmo o álcool possibilita.
Mesmo que uma hepatite na infância tenha me tornado um cara fraco para bebidas, não é uma caipirinha só que vai me animar a passar quase seis horas em um clube, boa parte do tempo na pista. O sacrílego coquetel de Champagne com energético mais um shotzinho de tequila e não sei quantas cervejas (que simplesmente apareciam na minha mão) foi a conta certa para a animação que precisou ainda de um chill out para desembocar no sono.
Como a ressaca nem foi tão forte, avalio que valeu.
*
No domingão, fazendo um balanço do fim-de-semana que começou no Vegas,
um amigo lembra o dito “amor da pista debaixo não sobe a escada”, ao que outro rebate dizendo que não só subiu, mas saiu da casa dele ao meio-dia. E depois?... querem saber todos.
“Que depois?” responde ele.


Escrito por André Fischer às 15h26 Comentários Envie

É o amor !

05/09/2005

Sertanejo para coreano ver


Dias dedicados a namorar e ir ao cinema... Comecei por um filme que está em cartaz no Reserva Cultural faria mais sentido estar na minha. Casa Vazia, o coreano que ganhou Veneza no ano passado. Os dois personagens principais, o lindo Jae Hee e a mina que eles se apaixona, passam o filme inteiro sem dizer uma palavra sequer – o que me atraiu em função do curso de Libras (sim, já estou começando a conseguir me comunicar só com sinais). A imagem do cartaz (aqui do lado) me chamou a atenção e sintetiza a história toda, só não vou entrar em detalhes para depois não dizerem mais uma vez que conto fim de filme. Além disso aborda uma relação entre dois desajustados e, afinal de contas, é um filme da Coréia. Adorei, mas não é um filme para todos.


 

O seguinte foi 2 Filhos de Francisco. Vários amigos que considero me disseram que o filme era bom e resolvi ir em busca do improvável. Afinal de contas, para mim esse é o ano da derrubada de dogmas. Se posso comer até porco depois de décadas sem comer carne, porque não arriscar duas horas vendo a história de um ídolo sertanejo. Estávamos na porta do Bristol mesmo, a sessão era dali a 10 minutos...porque não ?
Quer saber...sim, o filme é bom. Um tantinho piegas, mas emociona. E a música, FYI, nem chega a irritar. Não há quem não se emocione e identifique com uma história de sucesso depois de tantas privações. Resumindo, um filme para todos. Não sei se ele tem algum alcance para estrangeiros, mas pega de um jeito emocionado para quem tem referenciais culturais brasileiros, seja clubber ou sertanejo.

 

Chego à conclusão que vou abandonando aos poucos o compromisso com o que se acredita ser vanguarda. O alternativo e o underground ainda são o destino primeiro da minha atenção. Só não quero, nem consigo mais, ficar preso a rótulo algum, seja ele cabeça, gay ou moderno.    


Escrito por André Fischer às 17h45 Comentários Envie


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