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Gays também comemoram Bodas

25/08/2005


Carlos e André, dois amigos queridos, estão comemorando 10 anos juntos. Assim como um casal lésbico,foram morar sob o mesmo teto um mês depois de se conhecerem e desde então não se separaram. Para os amigos gays são uma referência de relacionamento que deu certo e mesmo para os héteros formam um casal estabelecido como poucos.
As relações gays sofrem pressões incomparavelmente maiores do que as outras. Da sociedade, que não reconhece a possibilidade de dois homens se amarem, ao instinto sexual mais atirado dos homens, que dificulta a reprodução de um padrão de fidelidade estabelecido nos matrimônios heterossexuais. Além disso, os homens são menos dispostos a discutir relacionamentos, atividade favorita das mulheres que apesar de chata e cansativa, acaba demonstrando um interesse maior em segurar as inevitáveis crises de todo casamento.
Antigamente os matrimônios duravam muito e nas lojas havia uma listinha com os anos referentes às bodas comemoradas nos aniversários de casamento. Imagino que em algum lugar do passado os presentes deveriam seguir o material correspondente.
 
Hoje o mais complicado é virar os três meses. Tenho amigos que se consideram “namorando” três dias após terem conhecido alguém. Quem sou eu para dizer o contrário. Mas careta assumido, não considero namoro, para mim ao menos, nada antes de virar um mês e reservo o termo casado para quem mora junto. 

Sugiro uma tabelinha nova para ser afixada nas Roberto Simões e Camicados da vida.
Seguindo esse raciocínio, Carlos e André estariam comemorando suas Bodas de Prata, o que me parece bastante razoável. Namoros, segundo minha proposta, também poderiam comemorar suas Bodas. A indústria de presentes só teria a agradecer, pois imagino que sejam pouquíssimos os casamentos, sejam hétero ou homo, que duram atualmente mais do que uma Boda de Algodão.
Por duas vezes quase,quase cheguei às Bodas de Cristal, morando junto e tudo, mas não consegui ultrapassar essa barreira até agora mitológica para mim. De Madeira e Lã foram várias. Atualmente, caminho em direção às Bodas de Estanho, versão namoro... 


HT        Bodas          Gay

1 ano    Algodão        3 meses
5 anos   Madeira        6 meses
7 anos   Lã                1 ano
10 anos  Estanho       3 anos
15 anos  Cristal          5 anos
20 anos  Porcelana     7 anos
25 anos  Prata           10 anos
40 anos  Esmeralda    15 anos
50 anos  Ouro            20 anos
60 anos  Diamante     25 anos


Escrito por André Fischer às 10h31 Comentários Envie

Aprendendo a falar com surdos

18/08/2005

Comecei a estudar Libras, a Lingua Brasileira de Sinais. Muitos amigos questionaram o porquê dessa decisão, achando se tratar de puro exotismo. Para mim foi uma escolha muito razoável. Queria iniciar um novo estudo e os idiomas sempre me parecem uma opção mais atraente, posto que tenho alguma facilidade nesse campo do conhecimento. Já falo com fluência inglês, francês e espanhol além do exótico português. Estudei alemão um par de anos e cheguei a arriscar o russo e esperanto por poucos meses.
Tive contato maior com surdos a partir de participações de um longa sobre surdos gays que exibimos no Festival Mix Brasil no ano passado todo em Libras com legendas em português. Fiquei fascinado pela idéia de me comunicar sem palavras.

A decisão por Libras veio definitivamente pelo fato de ser um idioma de fácil aprendizado. Em sete meses encerra-se o básico, em outros tantos o avançado.
O que pude apreender da primeira aula é que é preciso estabelecer novas sinapses, já que a estrutura é completamente diferente do português e de outros idiomas falados. A expressão facial/gestual é fundamental na construção das frases e para compreensão do raciocínio.
De uma certa maneira tem um pouco de aula de interpretação também. Imagino que por isso o Botox seja incompatível com o uso de Libras. Mais um bom motivo para evitá-lo por mais um tempo. O que me preocupa é o alto grau de coordenação motora necessária... e nessa seara sou meio fraco.

Acabei a aula cheio de vontade de compor palavras em gestos. Aliás as palavras nem são mais palavras, mas expressões de uma idéia reproduzidas no gestual.
Outro fato interessante é que a Libras só é válida no Brasil, já que muitas das palavras são ligadas a expressões do português falado por aqui.
Além dos novos amigos (tem um grupo de surdos bonitinhos que freqüenta A Loca) vou poder usar para assistir os programas evangélicos na tevê (ahã), sempre com tradução simultânea, e com uma amiga, que também vai estudar Libras. Vamos poder dizer o que quisermos, à distância, sem que ninguém entenda...


Clique aqui para ver o vídeo bacana que o Mix fez com dicionário de expressões gays em Libras.


 


Escrito por André Fischer às 12h47 Comentários Envie

Escroto ou despreparado?

15/08/2005

Como todo mundo, ando perplexo com o andamento da crise política. Essa de dizer, olhando para o teto, que não sabia de nada e achar que isso encerra o caso, é prova de que cometi um imenso erro: o de acreditar que a mudança no país era possível com a mudança de governo.
Tenho a impressão de que se não for um deslumbrado que se vendeu para chegar ao poder – e não fazer nada – trata-se de um despreparado ignorante que não está capacitado para governar.

O resultado final é quase o mesmo.

É evidente que essa corja não age diferente do que faziam em governos anteriores. Mas isso os faz piores que os outros, sim, pois foram eleitos por que simbolizavam esperança de mudança.


O fato é que em outubro de 2002 estava lá eu, com Daniel e Nina na Avenida Paulista chorando ao cantar o hino nacional com o presidente eleito. Me sinto um imbecil, mas Nina diz que o que conta é o que sentimos- e isso ninguém pode roubar.

Quem se sente traído sou eu.

Não bastasse ter paralisado o país, parece estar fora de cogitação votar parceria civil ou qualquer direito glbt.
Tudo ficou sem sentido, não há clima para se discutir direito gay no meio dessa lambança.

E chega. Não vou deixar mais esses merdas estragarem meu humor.

Porque, afinal de contas, tirando isso, vai tudo bem...


Escrito por André Fischer às 18h09 Comentários Envie

Do Boldró à Loca

10/08/2005

Depois de passar uma semana no paraíso de Fernando de Noronha, convivendo com tartarugas, arraias e peixes ornamentais, eis me de volta à realidade.
Pela primeira vez em mais de 8 anos passei sete dias inteiros sem checar e-mail. E nem celular pegava (a porcaria do Vivo que quero trocar logo). Desconectado do mundo, só vendo palestras no Tamar, fazendo trilhas, mergulhando, passando protetor 30 quatro vezes por dia e namorando muito. Cachorro, Meio, Conceição, Boldró, Americano, Bode, Quixaba, Cacimba do Padre, Porcos e Sancho. Uma coisa do Leme ao Pontal, versão paraíso.
A ilha tem um quê afrodisíaco. Mas leve seu namorado: não há traço de possibilidade de paquera por lá.

Para voltar à vida comum, caí já de cabeça na festa de 10 anos d´A Loca. Nada melhor para por o pé no cotidiano enLouquecido de Sampa.
A noite foi diferente das outras. Para começar não havia vagas nas ruas próximas. Algo raro, pois o público d´A Loca vai mesmo é de metrô. Portanto, muitos convidados especiais, gente que não via há muito tempo. Estranho a quantidade de pessoas que disseram que ando sumido. Talvez ande mesmo sumido dos lugares de sempre. Há dez anos eu era um clubber assumido, figura fácil na noite. Hoje saio bem, bem menos.
Bonitinhos mais clubbers, povo da Lenha, roqueirinhos das matinês de domingo abarrotavam o lugar a ponto de não dar nem para andar.
Vou à casa desde a abertura, mas comecei mesmo a freqüentar com o início do Grind. É bom ter lugares que sobrevivem aos modismos, onde podemos bater ponto com passar dos anos. Ter aquela sensação quase de como estar em casa. O Ritz, por exemplo. Nem vou mais com tanta freqüência, mas é bom saber que ele está lá.

 
Existem vários lugares que sinto como um cômodo avançado do meu lar sentimental. O Polis da General Osório, Coqueirão, Casuarina, a casa da Eliana no Lago Sul, praia no Acaiaca, Rue des Archives, Wild Oats da Alton Rd e outros tantos...   

 

 


Escrito por André Fischer às 17h46 Comentários Envie


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