Paranóia com números é sinal de imaturidade
28/06/2005
Este fim-de-semana estive na Parada Gay do Rio com nosso carro repetindo a
parceria Mix Brasil-A Loca- Disponível. Arrisco dizer que foi o trio mais
animado, mas preciso confessar que não fui aos outros. Sem dúvida a melhor
Parada carioca de todos os tempos. Não há dúvidas de que a mais antiga Parada do
Brasil cresceu, que está mais representativa, mais organizada e mais animada.
Como sempre a polêmica fica em torno do número de participantes. A polícia falou
em 300 mil , depois 400 mil, os organizadores em 1 milhão.
Foi um fim-de-semana de paradas pelo Brasil e pelo mundo.
Não sei quantos mil em Fortaleza, outros tantos em Belém. A polícia e
organizadores também discordam nos números em Paris, mas nem tanto: 550 mil
contra 700 mil.
Li a cobertura de vários jornais ao redor do planeta nesta segunda pós Pride. Engraçado que sobre as principais e mais importantes Paradas do mundo, as de San Francisco e Nova York, não há menção sobre o número de participantes. Falam apenas em centenas de milhares. Entendo que depois de trinta e tantos anos isso deixou de ser uma questão. Essas Paradas já tiveram um milhão de participantes, caíram pela metade e atualmente a o número varia de acordo com o clima ou algum fato político importante do momento.
O que interessa é a discussão que elas levantam. Na Espanha o tema é adoção,
no Canadá o casamento, nos EUA a resistência contra retrocessos propostos pelos
republicanos.
Em países onde os direitos são quase plenamente reconhecidos,
como a Escandinávia e Holanda, as Paradas são pequenas manifestações mais para
marcar a data.
Em Paris, onde a militância gay é relativamente desorganizada apesar dos avanços sociais da comunidade glbt, a Parada tem um caráter mais festivo, mas ainda assim o prefeito Delanoë comparece para demonstrar seu apoio aos direitos civis - e não para proferir uma tola saudação aos turistas como fez Serra.
Por aqui a cobertura dos jornais fala apenas de importância do mercado e do
número de participantes.
A questão é que nossas Paradas estão crescendo e os
números realmente ainda são importantes para justificar o espaço nas capas dos
jornais.
Só que claramente estão se distanciando do objetivo inicial. É
simpático ter os gays oferecendo uma festa para o resto da sociedade, ver a
palavra gay estampada uma vez por ano em manchetes ligadas a algo positivo.
Felizmente existe uma certa complacência da imprensa que pula a parte putaria
forte que marca as Paradas, como as desnecessários finais na Praça da República
ou nas dunas do Lido. Sem julgamentos morais, mas não deixa de ser meio
esquisito ver militantes gays usando esses eventos para fazer pegação no meio da
rua. Sei lá.
O fato é que, de concreto, não vejo resultados. Por concreto
entenda-se resultados práticos, ou seja, legislação pró-direitos civis.
Só espero que as organizações não se confundam com o sucesso de público que
as Paradas gays se tornaram no Brasil e tentem virar empresas de eventos gays.
Para isso já existe uma classe de empresários da noite muito bem estruturada e
que não necessita dessa interferência.
E, na boa, Parada não é lugar para
usar verba de campanha de conscientização contra aids. Não disso que estamos
falando no dia do Orgulho Gay. Em qualquer lugar do mundo é um evento da própria
comunidade, que precisa se mobilizar para que ele aconteça.
Espero que os grupos de militância que conseguirem capitalizar com suas Paradas não façam o papelão como que aconteceu em Londres, que acabou virando apenas um mega show com a marca Pride, e usem o dinheiro arrecadado para trabalhos que realmente possam fazer alguma diferença.
| Escrito por André Fischer às 20h19 | ![]() |
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Arrumando o armário de revistas
21/06/2005
Há uma semana as caixas estavam ali, entulhando a nova sala de reuniões.
Resolvi dar uma arrumada, já que as revistas não vão se organizar sozinhas. E o
Feng Shui de um imóvel cheio de caixas de mudança fechadas não pode ser pior.
Melhor dissipar aquela energia toda contida.
Você consegue imaginar o que é o acervo de revistas gays do Mix ? Centenas e
centenas de revistas do mundo inteiro, além de dezenas de publicações nacionais
que já acabaram. Você lembra da Sui Generis, Ok Magazine, Somos, Ent&, Guia
Mix, Gold ? Sem contar com um monte de jornais e revistinhas de vida curtíssima.
Escrevi ou fui entrevistado pela maioria delas, conheci praticamente todo mundo
que se meteu nesta aventura editorial gls no Brasil nos últimos 12 anos.
Não
resisti e folheei vários artigos. A sensação é de que os temas vão se repetindo.
Não havia Parada Gay no Brasil daquela época, hoje tem uma de 2 milhões de
pessoas em Sampa mais 60 e tantas espalhadas pelo país. Mas as questões mudaram
muito pouco.
Comparei com o que é publicado hoje em dia, com o caderno Mais que saiu na
Folha deste domingo sobre o mercado gay. Na boa...nada de novo. Podiam ser
artigos escritos em 95. As reflexões sobre o mercado pink da semana passada em
nadica diferem do caderno especial da Meio & Mensagem de 1998.
Vou
entendo o que significa a idade...ou melhor dizendo, a experiência.
O falso novo não engana.
Muita coisa parece reedição, matéria requentada. Durante esta Parada dei não sei quantas entrevistas a veículos que queriam saber sobre o mercado gls. Ainda não existe nenhum dado, nenhuma pesquisa séria, repeti várias vezes. A pesquisa da Folha também é interessante, mas de prático serve para quase nada.
Acho que o Mix se mantém firme e forte há 12 anos, a G há uns 8, porque, cada
um a seu jeito cumpre o papel de cobrir o que está acontecendo, uma coisa
dia-a-dia mesmo no caso do Mix.
Penso que a Parada SP, que consegue levantar
mais dinheiro de uma vez só do que qualquer outro empreendimento do nosso
mercado, poderia fazer uma pesquisa a nível nacional, para descobrir quem
realmente somos. Isso custa uma pequena fortuna. Pesquisa com público da Parada
não é muito diferente da pesquisa anual que o Mix faz com seus usuários ou as
que a G fez com seus leitores: reflete apenas uma parcela ínfima da
realidade.
De qualquer forma, foi bom rever essas revistas, projetos editoriais russos, argentinos, alemães, chineses, uns que deram certo, outros que floparam, para poder pensar em tudo que vamos fazer daqui pra frente.
E se é pra ser retrô... enquanto isso vou revendo filmes punks dos anos 70.
| Escrito por André Fischer às 00h14 | ![]() |
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Gripe Heloísa Helena
15/06/2005
Não sei se é a gripe ou a CPI, mas estou
sentindo uma forte constipação mental. Passei o final de semana em Arraial
jogado, dormindo no barco, na praia, em qualquer canto. Achei que podia ser
cansaço da mudança do escritório, mas sentia também a chegada da
influenza. E ela veio mesmo com toda força. Estou
entupido até a alma. Logo agora que estava engrenando na academia
novamente... Some-se a isso a lista interminável de
coisas a fazer – de livro novo a compra de móveis, passando por material gráfico
dos Punks e carro batido – e já teria motivo suficiente para um cansaço
considerável. Mas ninguém me tira da cabeça que essa
crise política não esteja afetando sobremaneira meus ânimos. Ando em um bom momento de vida, tanto
profissional quanto sentimental. Boas perspectivas para todos os lados andavam
me enchendo de tesão – no sentido literal e figurativo.
Não sou mais criança, essa deve ser a
décima crise política que presencio no Brasil, nem deveria me abalar mais. Só
que ingênuo, achava que um governo petelho estaria livre pelo menos deste tipo
de baixaria. No final das contas política é sempre a
mesma merda e me dou conta de que este país não vai sair nunca do atoleiro. Pelo
menos enquanto estiver vivo. Como provavelmente não terei netos, não conto com
uma melhora para eles. Melhor olhar para meu umbigo, me
preocupar com os filmes que estão chegando de Londres, o conserto do carro, a
compra dos móveis, o deck novo no quintal de casa. Quer saber, minha candidata agora é
Heloísa Helena – mas desde que ela não tenha nenhuma chance de
ganhar... E
foda-se. 
| Escrito por André Fischer às 23h43 | ![]() |
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Piranha do Banheiro encontra Mr Brightside
04/06/2005
Não adianta. Música influencia meu estado de espírito e não há como mudar
isso. Aquário com escorpião, dois signos fixos. Isso torna a pessoa meio que
imutável. Para o bem, os valores são mais rígidos, menos mutáveis. Para o
esquisito, dificulta mudar o que precisaria ser mudado.
O fato é que músicas
sempre pautaram meu humor e felizmente a Vênus que também está em aquário
impulsiona uma busca constante de novas estéticas e evoluções nos
relacionamentos pessoais. Rígido, mas pelo menos não empacado.
A música é algo que não pode ser explicado em palavras. É difícil dizer o que
me toca em uma canção. Mas lembro dos momentos exatos que ouvi pela primeira vez
músicas que viria a ouvir centenas e centenas de vezes. Dead Can Dance, Cocteau
Twins, Miss Kittin, Tricky, Sugarcube, várias da Björk, How Soon Is Now, I Feel
Love, Tainted Love, sei lá…
São choques estético-emocionais.
E podem ser
até porcarias divertidas tipo Piranha do Banheiro. Se me bate de alguma maneira,
vou entrar no clima. Vagabunda ! Safada! A voz grita. E eu já sou capaz de
animar até mesmo que o DJ já tenha me exigido passar por uma batelada
bate-cabelo.
Por pouco tempo é verdade, afinal é só uma Piranha no
Banheiro.
As letras são meio fundamentais nesta conquista pelo som. As repito à exaustão. Tem sempre alguma coisa nelas que me pega, dá meio um arrepio, às vezes vontade de chorar. Nem sempre fica claro onde pega.
Agora é Killers que não sai do i-Pod. As outras 400 e tantas músicas têm servido só pra ocupar espaço e variar a cada 2 ou 3 repetições.
Tem esta que me arrepia de um jeito estranho, talvez seja o caso de levar à terapia na semana que vem. Se quiser ir atrás, baixa no Soulseek o thin_white_duke_remix-pulse.
Mr Brightside
I'm coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta be
down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up
like this
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I'm falling
asleep
And she's calling a cab
While he's having a smoke
And she's
taking a drag
Now they're going to bed
And my stomach is sick
And it's
all in my head
But she's touching his-chest
Now, he takes off her
dress
Now, let me go
I just can't look its killing me
And taking control
Jealousy, turning
saints into the sea
Swimming through sick lullabies
Choking on your
alibis
But it's just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my
eager eyes
'Cause I'm Mr Brightside
I never...
I never...
I never...
| Escrito por André Fischer às 02h41 | ![]() |
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