O prêmio vai para....
29/05/2005
The Week teve o carro mais glamouroso, sem dúdida, com maior númerode VIPs.
Também os melhores Gogo´s, com produção de Walério Araújo. A Loca fez o melhor encerramento de todos os tempos. Fogos e fachos poderosos
de luz. Serra o discurso mais competente mas também o mais rápido. Madonna teve dois covers no show do palco oficial. O carro da Salete Campari/Editora Jaboticaba era pequeno mas fervia
horrores. O da Associação Protetora dos Animais trazia meninas e meninos fantasiados de
bichinhos e bichinhas. Camarote Solidário de Roselli Tardelli no Conjunto Nacional oferecia a vista
mais completa.. Tanta gente, tanta gente, que a Parada ficou parada por mais de duas horas.

| Escrito por André Fischer às 21h58 | ![]() |
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Eu tenho a Força
Em inglês o termo é empowering, não sei como traduzir para português.O termo é muito usado por gays e lésbicas americanos em movimentos de massa e quando têm uma conquista importante. Para quem foi a sensação é meio esta mesmo. Como na música do HeMan, cantada à exaustão pelopovo da Trash: Eu Tenho A Força. Somos muitos e temos que ser ouvidos. Queremos Direitos Respeitados, Parceria Civil Já. Na Avenida todos eram Gays, sendo ou não. Todas as tribos estavam lá. Os góticos, as sapas finas, os militantes das antigas, as meninas querendo beijar, as barbies finas, as travas super produzidas, cross dressers dando as caras. Turistas gringos, do interior, do país inteiro. Todos os excluídos mostrando que temos a força, transformamos ocupamos a cidade e fizemos a maior manifestação de rua da História do país.
| Escrito por André Fischer às 21h56 | ![]() |
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Quantos Milhões ?
Na quinta-feira também cruzei a Paulista duas vezes, lá pelas 16h e às
18h. Vou ter que usar um DataFischer, mas sempre fui bom em avaliar números de
pessoas. uso o método que treinei desde pequeno com Malba Tahan em O Home Que
Calculava. Costumo acertar com pequena margem desde a lotação de uma sala de
cinema ao público de um estádio. Sem querer fazer comparações - já fazendo- a Parada Gay é muitas vezes maior
do que a Marcha Para Jesus. Com todo respeito, se haviam 2 milhões na quinta,
então hoje os 5 milhões que chegaram a ser anunciados em um momento de excitação
pela Parada realmente fariam sentido. Será que é uma questão de lobby ?
Acabei de chegar da Parada. Vi tudo, tudo: palco, subi em vários
carros, no camarote do Conjnuto Nacional, em outro no sexto andar no edifício
Belas Artes. Tudo muito, muito lotado. Desde às 10 da manhã até às 21h. Já, Já
falo sobre isso.
| Escrito por André Fischer às 21h54 | ![]() |
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Viramos um mercado
26/05/2005
A Beleza Roubada da coisa gay
Desde a semana passada estou com o piloto automático ligado. Os inúmeros compromissos que se acumulam por conta da semana do orgulho gay na cidade me fazem pular de um compromisso para outro e ter que eleger os que considero fundamentais. Para escrever agora estou deixando de ir a um almoço de trabalho. Função, função, função.
Antes de sair de casa para a maratona pré-Parada, estava assistindo no GNT uma entrevista com Dulce Quental, que está lançando álbum novo chamado Beleza Roubada. Ela falava da perda da inocência, de como o amadurecimento na porrada acontece em detrimento de uma maneira mais ingênua de lidar com o mundo.
E ela afirma que agora está buscando resgatar esta singeleza sem afetação, que vivia nos anos 80, em seu novo trabalho.
Difícil deixar de relacionar isso com a questão gay, vendo São Paulo lotada de turistas gays e o país finalmente parecendo acordar para o significado dos gays enquanto mercado.
No próprio GNT há uma campanha pesada de filmes sobre a diversidade sexual, relacionada à estréia de um canal premium pornô gay.
Quando começamos aqui no Mix, no começo dos anos 90, buscávamos a “profissionalização” do movimento, então estagnado e com uma cara de ONG petista. Uso as aspas porque a estrutura utilizada era mínima, equipe pouco ou não-remunerada, trabalhando basicamente por acreditar na causa. Mesmo assim assumimos a postura de empresa por uma questão de princípio, seguindo a onda americana de mudar a visão da sociedade sobre nosso segmento.
A Parada também começou assim, como uma ação entre amigos, pequeno grupo de pessoas querendo desencaretar este país de falsos liberais. Defendi desde seu início um approach menos militante para que a Parada pudesse crescer. Ainda sem maiores pretensões empresariais, mais por acreditar que este seria o caminho mais fácil para atrair mais gente.
Ontem na saída de qualquer um dos clubes gays, todos mega lotados, havia uma frenética distribuição de flyers de festas, eventos e websites, todos em busca do tal pink money que finalmente começa a dar as caras no Brasil.
E aí vale um mea culpa. Não posso nem pensar em me queixar da perda desta inocência, pois vejo que ela deu maior visibilidade a gays e lésbicas e somos beneficiados por este movimento. Exatamente por isso estamos crescendo como empresa.
Mas que tenho uma certa saudade dos tempos em que tudo era feito mais pensando na diversão do que nos resultados financeiros, ah isso eu tenho...
| Escrito por André Fischer às 14h13 | ![]() |
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O Lado Negro da Força
18/05/2005
Ninguém é capaz de amar uma pessoa se odeia outra.
Bem fiz eu ontem em largar tudo e ir à cabine de imprensa do Episódio 3 de
Guerra nas Estrelas no Artplex novo em Botafogo. O tema central deste capítulo
final da primeira parte da saga mostra como Anakin Skywalker se tornou Darth
Vader ao se deixar seduzir pelo lado negro da Força.
Mais que um libelo
contra a guerra, George Lucas completou de forma majestosa o maior conto de
fadas de nossos tempos. Lindo, lindo.
Não vou contar o filme, fique
tranqüilo. Mas se você acompanha Star Wars, sabe que o quarto episódio começa
com o Império do Mal no poder e portanto sabe que desta vez o bem vai
perder.
Anakin, um jovem com poderes fantásticos, reluta em aceitar a decisão do
Conselho de Jedis em não torná-lo mestre. Ele não entende que seu arrebatamento-
que algumas vezes beira a irracionalidade- abre brechas para que a Força se
perca. Ou pior ainda, que não seja usada para o bem. Segundo o código Jedi a
Força deve ser usada exclusivamente para o bem, caso o contrário seu lado
sombrio pode vir à tona. Talvez por isso os Jedis, de uma maneira pueril e que
vai causar mais tarde sua eliminação, se recusem até mesmo a conhecer o
significado desta ameaça do mal.
A simples tentação de saber a extensão dos poderes do lado escuro da Força já
é um primeiro passo para passar para o lado de lá. O amor de Anakin por Padmé
perde o sentido ao ser manchado por outro sentimento ruim. Acredito que o amor
seja absolutamente incompatível com ódio e que ninguém possa amar alguém de
verdade se odeia algo ou outro alguém.
Engraçado como um filme tão soturno e com final infeliz pôde me deixar bem.
Talvez por conhecer o final da história, lá longe, três episódios depois. Talvez
pelo efeito do THC, aliás, do THX. É verdade que saí meio baratinado, cheguei a
perder uma reunião. Mas saí pelas ruas do Rio com a Vespa me sentindo um Jedi a
beira-mar..
De volta à realidade paulistana, fui confrontado com uma visão negativa do
mundo em um encontro profissional. Conheço muita gente que brinca de ser “do
mal” sem ter a real dimensão da energia negativa que gera. Digo que brincam,
porque sou meio Doris Day mesmo e quero crer que não têm noção das implicações
de seus atos.
O que alimentaria a idéia desta virada de casaca para o lado
de lá é a sensação de poder que ela dá. Passar por cima de critérios
estabelecidos para o bem geral,faz as pessoas se sentirem superiores ao próprio
bem. Já vi e continuo vendo muita gente caindo nesta cilada.
Só que elas não
conseguem ver que, embaixo da lustrosa e poderosa máscara fashion de Darth
Vader, existe um ser com a carne carcomida pelo fogo/ódio e que no final vai
padecer por abrir uma pequena brecha a sua verdadeira essência.
Sim, porque como George Lucas, também confio que essencialmente todo mundo nasce para o bem.
| Escrito por André Fischer às 18h04 | ![]() |
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Pintando Corpos
09/05/2005
Gosto da idéia de viver sempre novas experiências. A partir do momento que a
vida vai se estabilizando, é preciso buscar outros desafios para manter o
frescor. Foi nessa que topei o convite do Duilio Ferronato para entrar no
Projeto Epitelial, um work in progress que consiste em fotografar pessoas nuas
em espaços públicos interagindo com pinturas em seus corpos feitas por elas
mesmas...ou no caso por mim.
Seria minha primeira experiência nas Artes
Plásticas, uma coisa mais para performance do que pintura...
Este primeiro encontro aconteceu neste final de semana no Pulgueiro. A experiência já começou engraçada por que revivi os bons primeiros dias de MMM , aquele clima de amigos participando de um evento alternativo. Lá os alternativos são uma mistura de punks, hare krishna, gays e body artists. O show de suspensão – com o mano e a mina sendo suspensos por ganchos no joelho- foi o momento mais hard. Dar cambalhotas no ar no pula-pula o mais light. Conhecer o trabalho de uma ONG que recolhe cachorros abandonados o mais emocionante.
Voltando ao Epitelial, ficamos esperando para ver o que acontecia. Será que
as pessoas topariam tirar a roupa e se lambuzar todas com a estranha combinação
de pigmentos e farinha de trigo em um galpão gelado ?
Pois 12 pessoas
toparam. Senti-me pouco à vontade no começo por estar manuseando pessoas
desconhecidas – e principalmente por 9 das 12 serem mulheres.
Acabei me
acostumando rapidamente.
Na real, passar tinta em um peito ou em um pinto faz
pouca diferença dentro de um contexto artístico.
Aconteceu de tudo: uma
garota com sua avó, criança e mãe comemorando dia das mães, casal de namorados,
uma menina com a carne toda furada por correntes (por sinal um pedaço de pele
descolou durante o ensaio), um rapaz, uma moça incrível (que me deixou meio
passado) uma outra envolta em uma bolha de plásticos...
Interessante que
todos saíam muito felizes e tocados com a experiência.
Alternava os papéis de
pintor, assistente de estúdio e fotógrafo. Lambuzado, me estirava no chão para
conseguir os melhores ângulos. Cheguei em casa todo cagado, cansado, mas
feliz.
Como sempre, encarei a estranha esta vida
multimídia. Hoje foi dia de me vestir ”socialmente” por conta de compromissos
mais caretas e ainda estou com as unhas meio pintadas – a escovinha não
conseguiu tirar toda a farinha de trigo preta que parece entranhada em mina
carne.
Ainda não sabemos onde isso vai dar. Mas as melhores coisas rolam assim
mesmo: pelo puro prazer de fazê-las e sem grandes expectativas de onde podem nos
levar.
| Escrito por André Fischer às 17h27 | ![]() |
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Só para adultos
02/05/2005
Fim-de-semana de jogação em cenas bem distintas. Circuitinho básico, café-com-leite quase. Three days in a row: Cachaça na calçada da Dida, Punk Rock na Augusta e Grind em noite excepcionalmente gay.
Quando baixa o Exu Saideiro é assim. Nem a friaca me segura em casa. Melhor a fazer é cometer programas bacanas como oferenda. Para mim não carece nem de elixir do druida: vai só na animação mesmo.
O bom de São Paulo é que você pode nem sair muito. Mas o(s) dia(s) que quer, tem sempre algo interessante rolando, para todos os gostos. Como sempre, acho que não há nada melhor do que variar.
Um amigo disse que usa essa técnica da variação de turmas e lugares e se sente sempre intruso. Corrigi para melhorar o entendimento: me sinto sempre um convidado. Dá para manter o olhar de estrangeiro - e ter a sensação de que é carne nova no pedaço.
Ando mesmo gostando de um rock, o que me distancia ainda mais da cena house/tribal que domina os clubes gays. No rock, seja ele mais pesado como no Outs ou mais comercial como n´A Loca, a atitude é bem outra. Os meninos me parecem mais bonitos, há mais garotas, os héteros marcam presença mais visível, a colocação é diferente.
De qualquer maneira, sair refresca o repertório de experiências. Ficar em casa, namorando, bundando ou escrevendo é uma delícia. Só que chega uma hora que não é preciso por a cara
na rua e ver o que anda rolando.
Na noite ouvi histórias e presenciei fatos bizarros. Quer ouvir uma de baixaria? Um amigo, numa noite destas de carência no frio, resolveu fazer uma pegação pelo Disponível. O perfil do cara só tinha foto do bundalelê, ele não enviava de rosto por nada. Meu amigo foi até lá e quando chegou o cara estava pelado e com uma fronha na cabeça. Entrou, fez o que tinha que fazer e foi embora, sem nunca ter visto as fuças do cidadão.
E na noite de punk rock, a banda se apresentou com sangue de mágico. A mina baixista na saída do palco ainda estava com sangue (falso) jorrando pela orelha. Pois não teve um fã que teve a pachorra de ir lá e lamber o sangue todo ? Gross !
Passado o verão, quando o Rio é imbatível, São Paulo diz a que veio: terra de gente bonita e pistas certas.
E você, por onde tem andado ?
| Escrito por André Fischer às 17h22 | ![]() |
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