Ganhou o cara jeanuinamente de bem.
30/03/2005
Vitória Espetacular !!!!!!!!!!!!!!!!
Na primeira semana achei o cara meio estranho, com tom professoral demais. No paredão ele ganhou meu respeito- e de muita, muita gente- ao dizer que era gay quando se sentiu perseguido. Se assumir na frente de 40 milhões de pessoas, na primeira semana do Big Brother não é para qualquer um não. Outros dois Brothers gays tinham passado por aquela mesma casa se esquivando do tema.
Votei pela sua permanência várias vezes naquela primeira semana e na seguinte. Ainda sim tinha lá meus outros favoritos, achando que ele estava querendo assumir muito cedo a liderança de seus companheiros. Mas pude reconhecer rapidamente que a liderança era dele mesmo.
Jean foi demonstrando que além de gay, era um cara sensível, inteligente, culto, de bom coração e com intenções genuínas.
Talvez pelo fato de ser um gay falando de sua vida pessoal e a maneira de ver o mundo que passei a prestar mais atenção nele. E a partir daí fui entendendo a sua estratégia no programa. Jogar limpo, abrir seu coração e manter o fascínio por aquelas pessoas tantas vezes fúteis e superficiais.
E depois quando, em meio a uma bebedeira, declarou seu sofrimento por estar sendo rejeitado pela amiga Pink, abrindo jeanuinamente seu coração. Já senti isso e só consegui falar a respeito em terapia. O cara fez isso na frente de 50 milhões.
E o melhor de tudo é que o povo entendeu a mensagem, se identificou com ela e votou em Jean.
Falei com Xico Sá minutos depois da vitória espetacular, em conexão direta com o Bar da Dida, onde a conquista do milhão por Jean foi compartilhada com emoção. “ É Copa do Mundo”, comentou.
Acho que é um daqueles dias que a gente sente que alguma coisa mudou. Dessa vez pra melhor.
No Mix a gente está cobrindo cada passo do cara. Dá uma olhada.
http://mixbrasil.uol.com.br/extra!/tudosobrejean/final.asp
| Escrito por André Fischer às 00h48 | ![]() |
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Entre as/os frutas
27/03/2005
Será que o prestígio de Jean no BBB realmente demonstra que sociedade brasileira está evoluindo no quesito tolerância ?
Acabo de ver uma cena bem interessante no Polis, onde estava tomando o açaí da manhã.
O balconista vira-se para o rapaz que faz os sucos e pergunta:
- E hoje à noite no Big Brother, quem vai ganhar ?
O outro responde:
- Tô torcendo pelo cabeludo, mas é o viado que vai ficar.
Acho que meio resume como o chamado povão vê a participação do sensível e inteligente representante da "comunidade" (veja meu artigo na Revista da Folha de hoje para entender as aspas).
| Escrito por André Fischer às 13h17 | ![]() |
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Minha vida de cachorro
21/03/2005
Como não planejo ter filhos, a relação mais próxima de paternidade que
experimento é com Neo. Me considero um pai meio relapso, viajo muito e
confio que a empregada supra suas necessidades de carinho, passeios etc.
Será que conseguimos compreender e satisfazer as reais necessidades de nossos
cães ? Quais serão as reais necessidades do Neo?
Falo constantemente com ele sobre a vida e como devemos dividir nosso
espaço.
Se vale a regra de conversão de idade canina-humana, Neo está com 30 anos,
mas parece um adolescente.
Teve ensino militar (foi treinado por uma sargento
da PM) e, apesar das limitações inerentes à sua raça, é bem educado.
No
aniversário de 21 anos, após ter crises de adolescência que resultaram na
destruição de várias camas, ganhou casa própria em fundo de terreno sob árvores
frutíferas.
Canceriano, adora ficar em casa com seu jornal.
Gourmet,adora consumir a
horta de temperos e só come Eukanuba.
Radical, não se interessa por moda
e rasgou todas as roupas que já teve.
Gostosão, faz enorme sucesso por
onde passa com seus olhos azuis e músculos definidos.
Germânico, não se abala quando latem para ele.
Já teve meia dúzia de filho(te)s, resultados da semana e meia de amor com uma
parceira mais velha e experiente que nunca mais viu. Apesar de serem vizinhos,
não chegou a conhecer seus rebentos nem nunca pagou pensão.
Faz a linha
invocado, assusta quem passa na rua, e por isso já recebeu até ameaça de
morte.
Quando vai à rua passear gosta de deixar suas marcas por onde passa e faz
cara de triste quando é repreendido. E cara de tarado quando avista uma fêmea
mesmo distante.
Sim, para tristeza de seu pai , Neo é hétero.
| Escrito por André Fischer às 21h42 | ![]() |
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Neste calorzão, só dá pra namorar....
15/03/2005
Ontem uma amiga cujas opiniões respeito muito criticou minha coluna publicada na Revista da Folha neste domingo, intitulada “Casais Improváveis”. O artigo falava de casais formados por pessoas que dificilmente veríamos juntas. Uma reflexão sobre um fato que tenho com especial interesse, motivado por uma experiência bastante pessoal.
Cobrou um maior engajamento em meus escritos na Folha e sugeriu uma troca de textos entre o da Revista e o último deste blog, sobre a filha de Severino Cavalcanti e a necessidade de aceitarmos opiniões de pessoas próximas. Segundo ela é um assunto mais complexo e mais engajado.
Repliquei ponderando que não posso naquele espaço apenas fazer críticas ao sistema, o que não deixa de ser um desdobramento da questão colocada aqui no texto anterior. Os dois artigos anteriores publicados eram mais políticos, falando sobre perspectivas de conquistas e retrocessos do movimento homossexual brasileiro, no Brasil pré e pós Severino.
Como minha colega Vange costuma abordar em suas colunas temas envolvendo o universo lésbico de maneira mais pessoal, histórica e literária, penso que devo em minhas colunas tratar de temas mais gays e cotidianos. Aí vale a novela, Big Brother e umas eventuais bichices. Avalio que se só falar sobre política ou interesses demasiado específicos, o espaço perderá leitores. É preciso lembrar que estamos falando de uma revista dirigida ao grande público, especialmente à família.
Esta amiga aponta uma complacência de todos em um país que insiste em não encarar de frente seus imensos e numerosos problemas.
Gostaria de ter uma página inteira para expor minhas opiniões sobre todos os assuntos, da minha decepção com o atual governo à grosseria mal-disfarçada da Tatiane Pink, passando pelo novo DVD do Morrissey e opções imobiliárias na zona oeste de São Paulo.
Só que na Revista da Folha, a mim cabem 1600 caracteres sem ilustração, sobre questões de interesse ou pelo menos com um gancho claramente gls. Esse foi o nome que dei à coluna e não devo querer extrapolar sua função.
Entendo a tal complacência diante dos problemas do mundo. Mas o que posso fazer para tirar o grupo de mendigos que dormem o dia todo em plena Visconde de Pirajá ? Adiantaria reclamar à abandonada prefeitura de César Maia? Deveria oferecer meu sofá-cama?
O que me resta nestes momentos é continuar namorando muito e passando por eles entre uma saída para fazer compras ou ida à praia fingindo que não existem. Ou então pegar a ponte aérea e chegar no meu bairro onde não há moradores de rua. Até agora. 
E esfriar a cabeça mesmo sob um sol de 39 graus...
| Escrito por André Fischer às 07h36 | ![]() |
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A filha de Severino
09/03/2005
Tenho amigos que se incomodam em falar de política ou economia. Vivem como se este lado da realidade simplesmente não existisse. É preciso um Tsunami para se ligarem no noticiário. Eu os adoro, mas preciso trocar idéias sobre fatos que acompanho diariamente pelo primeiro caderno. É com poucos que consigo trocar idéias sobre estes temas.
Já fui bem mais ativo politicamente. Por outro lado também não consigo só raciocinar sobre o que os mais radicais chamam de alienação. fato é que ando focado em questões de foro estritamente pessoal e pela primeira vez acompanho obcecadamente o BBB. Nunca soube tanto sobre grifes e complementos alimentares. E, shame on me, há dois meses não pego num livro. Há fases diferentes em que temos interesses distintos na vida.
Um pouco de política não faz mal a ninguém. Que tal misturar os dois lados?
Assim como boa parte dos brasileiros que lêem jornal, fui tomado por um certo pânico com a eleição de Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara. Afinal de contas era um desconhecido do PP, partido que concentra os maiores trastes da política brasileira, contrário ao aborto, às células-tronco e aos direitos para homossexuais. E ainda por cima queria gastar 1,4 bilhões do nosso bolso para aumentar os salários dos deputados.
Nos dias seguintes à desagradável surpresa, vimos Severino reforçar suas idéias retrógradas e posar de pop star.
A gritaria foi tamanha que, parece, ele andou mudando de idéias. Aprovou as células-tronco, já enfiou o rabinho entre as penas na questão dos salários e avisou que vai receber lideranças do movimento gay em seu gabinete. É evidente que Severino leu o clipping com jornais de todo país criticando seu posicionamento.
Só que ele dá a entender que a mudança teria sido operada por influência de sua filha Ana, deputada estadual em Pernambuco também pelo PP. A fisioterapeuta de 41 anos e visual moderninho parece uma pessoa mais inserida no mundo atual e defende posições bem mais liberais que seu pai. O sucesso de suas últimas intervenções também serviria de rédea para comentários infelizes em discursos.
Li que ela entrou na política só nas últimas eleições, substituindo o irmão candidato que morreu em acidente e que seria o herdeiro político de Severino.
Imagina que maravilha ter alguém ao seu lado dedicado a corrigir todas as bobagens que você diz ou faz! Será que só ouviríamos cegamente críticas de uma pessoa com laços familiares estreitos?
Conselho de namorado vale assim? E da melhor amiga?
| Escrito por André Fischer às 15h23 | ![]() |
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Peter Pan em mim
03/03/2005
Acabo de chegar do cinema, estou meio em maratona, colocando o atraso em dia essa semana. Meus amigos e eu tivemos que fazer um chill out de umas duas horas para repercutir o filme e dividir impressões sobre a vida que vieram a partir de Em Busca da Terra do Nunca.
Ando meio banana, chorando até em novela. Vendo a cena da estréia da peça, me debulhei em lágrimas, uma coisa cachoeira. Não fui o único. Meus amigos também se carpiram. Na sala, uma fungação meio que coletiva. Mas nada melodramático como Menina de Ouro.
Chorávamos todos de beleza, por identificação com os personagens. Nossos velhos conhecidos desde a primeira infância que agora aparecem como gente de verdade.
Que lindo, que lindo... 
A primeira coisa que fiz ao ligar o computador (aquela checadinha última de e-mail, Orkut e home do UOL antes de dormir) foi apagar parte do blog que havia postado algumas horas antes.Falava só de coisas desagradáveis da vida profissional, dos sapos que aprendemos a administrar e de como evoluímos com eles. Só mantive para não apagar o registro do momento, daquela reflexão.
Adulta demais, no sentido chato da palavra mesmo. Às vezes nos deixamos (posso me apropriar da primeira pessoa do plural ?)Lembrei que encarnei o Peter Pan há mais de 20 anos em uma montagem teatral de fim de ano na Aliança Francesa. Onde andará aquele figurino ? Dificilmente ainda caberia em mim..Reflexão provocada pelo tique-taque do crocodilo, o tempo sempre atrás de nós...
Quero manter sempre o Peter Panzão em mim, assumi-lo de verdade e não deixá-lo abafado pelas tais aporrinhações.
Já está tarde para maiores considerações. Só que queria registrar essas sensações.
| Escrito por André Fischer às 01h03 | ![]() |
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Pagar para não se aborrecer
02/03/2005
Passei minha vida toda ouvindo meu pai dizer que pagava para não se aporrinhar.
Achava uma atitude meio desiludida e até muito pouco tempo atrás costumava fazer exatamente o contrário. Era capaz de pagar para comprar uma briga pelo que acreditava.
Tinha aquela música da Mistress Formika " You Have to Fight for Your Right To Be Queer" que eu acreditava muito. Ainda acredito, mas fazendo cá minhas reservas.
Vejo que mudei, provavelmente é a idade. Não no sentido de ficar velho e perder a garra para batalhar. É que você começa a avaliar melhor o que vale a pena e o que não.
Não acho que tenha desistido das coisas em que acredito, mas já não tenho mais tempo, nem paciência para batalhar por algo que não tenha uma repercussão maior social ou na minha vida particular.
Ontem mesmo passei por um perrengue deste tipo. Dois mauricinhos processaram o Mix ...//
//...Analisando friamente vi que perderia tempo e dinheiro inutilmente. Para quê, para dar uma lição em duas bichinhas enrustidas? A lei do karma cuidará disso.
De uma certa forma paguei para poder dizer, na frente do juiz, o que pensava deles.
Tenho feito a mesma coisa na minha vida particular. Tento não me aborrecer por nada, esperandocom isso me tornar um cara mais zen.
Minha úlcera...//
| Escrito por André Fischer às 13h39 | ![]() |
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