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Honestidade é a melhor política ?

31/01/2005

Neste verão de dias outonais, tenho aproveitado para fazer uma maratona de Sex and the City.  O seriado, ao lado de Seinfeld meu favorito de todos os tempos, tem sido reprisado à exaustão no Multishow e Fox sem o menor critério linear. Hoje é começo da segunda temporada, amanhã meio da sexta. Ver em DVD um episódio atrás do outro torna a história mais crível. E novelesca.

 

Um maior drama que marcou o final da terceira temporada foi o caso de Carrie com Big, enquanto estava com o adorável Aidan. Após o fim ela entrou no dilema se deveria contar ou não. Passou mal, se torturou, consultou as amigas. E decidiu que deveria ser honesta e contar a verdade. O namoro, que caminhava aparentemente muito bem, acabou no exato instante em que ela contou.

E ele disse que ela nunca deveria ter contado.

 

Se ela tinha certeza que queria ficar com ele e o affair com Big acabou, porque contou ? Para torturar o outro? Acho que sim, por puro egoísmo e querer compartilhar com ele sua culpa.

 

Acredito que a honestidade tem limites que é o sentimento do outro. Para que feri-lo com algo que já faria parte do passado? Melhor não ter feito, mas se o estrago já foi consumado, a melhor maneira de atenuá-lo não seria deletando da memória e de sua história pessoal ?

Todos, sim todos os seres humanos adultos, já traímos – seja em pensamento, virtual ou carnalmente.

 

Antes de contar é preciso saber o efeito que isto causará na outra pessoa. O famoso “sua avó subiu no telhado” é nestas horas a melhor política, para determinar até onde a verdade pode ser desnudada. 

A não ser que seu objetivo seja acabar com a história.

 

Todos que estamos em relações fantasiamos um pouco sobre o outro. Faz parte do jogo manter este personagem amado intocável o mais tempo possível. Quebrar o encantamento com a verdade nua e crua pode ajudar a manter  o nível de honestidade e consciência limpa dentro de um namoro ou casamento.

 

Mas a longo prazo cria rachaduras na figura do ente querido que podem nunca consertar.


Escrito por André Fischer às 00h33 Comentários Envie

Apropriando termos depreciativos/ Quem pode dizer bicha ?

24/01/2005

Arnaldo Jabor usou e usa com freqüência o termo “as bichas” para se referir a homossexuais, seja o tema casamento ou turismo gays. Vem sempre em tom de ironia e deboche. Me sinto ofendido e o considero preconceituoso.

Uso com alguma freqüência “as bichas fervidas” ou “o lugar favorito das bichas”. Em geral recorro mais a bi , versão mais curta e ainda mais simpática. Por que eu posso fazê-lo sem ser preconceituoso? Porque boa parte das bichas fervidas são amigos ou conhecidos e o lugar das bichas se não freqüento, já fui. Por isso pode dar um toque de humor em um texto sem estar ofendendo ninguém.

Faz todo diferença do mundo eu, caucasiano, chamar um negro na praia de negão(neguinho uso para pessoas de todas as cores!), e um outro negro interpelá-lo da mesma forma.

Só quem sofre o preconceito pode se apropriar dele.

Foi assim que o movimento gay dos EUA nos anos 70 desmistificou palavras como Queer (que quer só dizer estranho, mas era a pior ofensa a um homossexual) e se apropriou dela e ainda ganhou a vantagem de um termo unisex.
O orgulho com que tomaram para si estes termos fez a coisa toda ir mais além e hoje toda a sociedade americana usa o termo com outra conotação, mais leve e moderna.
*
Sempre tive horror do termo Entendidos, mas volto a dizer que , não fosse a carga cafona que veio com o termo dos anos 70 e 80, seria a melhor maneira de nos identificarmos.


Escrito por André Fischer às 15h28 Comentários Envie

Ainda BBB

19/01/2005



Dia seguinte do paredão. Muita coisa mudou na casa.
Meus favoritos passaram a ser Natalia, Sammy e Pink, brochei completamente com os gigantes gostosões e torço pela saída imediata de Rogério, completamente obcecado em fazer armações. Marielza já não me incomoda tanto.
E quero que Jean permaneça por uma boas semanas pois tem sido bem didático em seu discurso sobre o fato de ser gay – mesmo tendo quase resvaldo para o papo bissexual, mas saiu bem e falou de sua identidade cultural gay.

E meio que chega, já estou comecando a me cansar do tema...


Escrito por André Fischer às 20h54 Comentários Envie

Homossexualidade como desculpa

17/01/2005

Jean no primeiro paredão do BBB5

Em outubro de 2002 escrevi coluna na revista da Folha intitulada “ Gay Vota em Gay?” analisando o fracasso retumbante de norte a sul de candidaturas glbt nas eleições daquele ano. O texto teve forte repercussão sobretudo no movimento organizado ao constatar que não existia um sentimento corporativa em nossa “comunidade” bem como não havia uma representatividade nas lideranças.

Mais um gay vai depender do voto popular. Desta vez é o BBB5 Jean que foi enviado ao paredão. O professor baiano se assumiu gay na frente das câmeras e disse que o preconceito o levou a ser indicado por seus colegas.
Acho que não. Cheguei a ver os gigantes gostosões na banheira fazendo comentários sobre Jean virando os olhos. Mas podia ser por acharem ele um pentelho. Vários BBBs se mostraram perplexos, alguns constrangidos com medo da reação do público.

Mas a verdade é que desde o primeiro dia Jean demonstrou ser manipulador e visivelmente quer controlar o grupo. Queria centralizar as compras e saber o que cada um comprava. Faz questão também de ser o apaziguador de climas. Talvez seja vício de professor, talvez seja sua estratégia para se manter no grupo. Eu, estando lá dentro, me preocuparia em colocá-lo para fora pois evidentemente ameaça os outros jogadores. E achei um meio chato. Fala demais, quer se explicar demais.

Engraçado ele ensinando as meninas a “linguagem da noite”. Começou por amapô, que explicou significar mulher. Noite do submundo gay, ele esqueceu de acrescentar.
Simpatizei um pouco quando ele contou que simplesmente fugiu da universidade onde dá aula em três cursos e faz mestrado para participar do BBB. Se preocupou também com seu futuro acadêmico. Muito justo, após a exposição que está tendo.

Acho equivocado ele usar a questão do preconceito para justificar a saída e buscar apoio nisso. Muitos gays apelam para o drama do preconceito para justificar outros problemas.
É o que torna muitos gays erroneamente ativistas em momento e por motivo errados.
Na pesquisa do Globo.com apenas 35% das pessoas acreditam que preconceito é o motivo do emparedamento, 65% o fato de ser uma liderança.

Já votei pela saída da mini-Pitty sem graça. Acho que entre os dois ele merece ficar. Torço um pouco por Jean pelo fato dele ser gay, mas não o aguentarei até a final. Minha favorita é de longe a linda cearense Natália, articulada e alheia às armações. E já nem acho tão bom que os gostosões fiquem mais tempo no sopão. Fico irritado com o médico tentando "armar estratégias" obsessivamente, está acabando com o clima na casa. E que aquela mulher de voz insuportável, grossa e o cão de feia caia fora logo.


Escrito por André Fischer às 09h54 Comentários Envie

Lá vem o carnaval

10/01/2005

Mal acabou o Réveillon e pela frente menos de um mês para o carnaval. Mais uma vez a confrontação com os instintos mais básicos. O chamado para a baixaria é forte. Sendo gay e solteiro a decisão fica relativamente tranqüila. Se jogar em dos tradicionais destinos de aqüendação (Floripa, Rio, Paraty, Salvador) ou fazer a linha mais comportado e ir para outro destino com expctativa menor sobre sexo. Naqueles locais não há surpresa, apenas contabilidade.
A quantidade tem lá seu apelo, significa abrir mão da individualidade e compartilhar o corpo e prazer com maior número de pessoas. Bonito, quase cristão.
Muitos casamentos gays estabelecem essas efemérides como tempo do “liberou geral”. Portanto nada mais justo que se aproveite.
Para namorados a decisão pode ser mais complicada e envolver uma negociação. Ou simplesmente passarem juntos em um destino não-carnavalesco. Se for este seu caso, melhor ficar longe da confusão.

Qual vai ser seu destino no carnaval ?


Escrito por André Fischer às 16h17 Comentários Envie


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