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E se Xico Sá fosse gay ?

29/10/2004

A diferença entre o tesão masculino e o feminino

 

O segundo turno está aí. Tenho minha escolha muito definida, torço por uma virada de última hora. Mas meu saco para acompanhar o processo eleitoral, seja paulistano ou americano, encheu há tempos. Por isso, escrevo hoje sobre outras praias.

 

Fico sempre impressionado com a grandeza de sentimentos das mulheres. Tenho uma amiga, balzaquiana inteligente e interessante fisicamente, que parece não ter o menor critério na escolha de seus parceiros. Não está nem aí se o cara se veste bem, é feio ou bonito.

Sensibilizado fico com seu desapego e com a disposição de compartilhar seu afeto com as figuras mais improváveis. Sempre acho que ela mereceria coisa melhor. Mas percebo que uso como referência um limitado ponto de vista muito influenciado pela estética.

Como fica a vida dos menos aquinhoados fisicamente que decidem se inserir no mundinho gay, onde todos são obrigados a se vestir na moda, ter cabelos bem cortados, corpo sarado e pele bem cuidada ?

 

Em outras comunidades pode ser diferente, mas para ficar bem na fita nos Jardins, são critérios a serem seguidos como lei.

Futilidade suprema? Detesto ter que citar isso como uma verdade, mas inegavelmente o é.

 

Vejamos o exemplo do Xico Sá. Cara brilhante, sensível, bem humorado que admiro pacas, mas que está longe de ser um exemplar padrão de beleza masculina. Só que o cara sempre tem as mulheres mais incríveis. Já vi uma das maiores beldades de São Paulo sofrendo horrores porque ele a tinha abandonado. Xico, afinal de contas, pertence às fêmeas – que venera com total ardor e devoção.  

Conheço tipos parecidos com Xico que são gays e que custam muitíssimo para se descolar. No universo gay existe um padrão a ser seguido que mais funciona como uma ditadura do sucesso sexual.

Se para as mulheres conta gentileza, para os homens a aparência é o primeiro ponto. Entre gays, então, parece ser totalmente determinante em uma aproximação.

Eu mesmo, que busco fugir do arquétipo, tenho minhas frustrações e satisfações em função de alguns referenciais. E mesmo fugindo do padrão oficial, tenho lá minhas restrições físicas na hora de escolher um parceiro.

 

E você, o que acha dos chamados padrões estéticos gays ? Uma babaquice ou influenciam suas escolhas sexuais ?  


Escrito por André Fischer às 17h51 Comentários Envie

Ok, você venceu

19/10/2004

Decidi me render às evidências e fazer duas mudanças em meus hábitos.

Minha rotina foi alterada substancialmente esta semana não apenas pelo acúmulo de tarefas para o Festival Mix Brasil, mas também com a volta à academia. Estava parado há quase cinco meses e o corpo já sentia a diferença. Para começar uma preguiça maior e a dificuldade de me olhar no espelho. Perdi peso, murchei. E a auto-estima vai junto.
O projeto Verão Barbie já está perdido, mas não pretendo desistir de malhar diariamente.
Haja saco.

*
Foi só a moda esfriar que me senti mais confortável para entrar no Orkut. Poizé, demorou, mas me rendi. Sei que meio já era, vejo que o povo nem entra mais. Por isso mesmo fica mais fácil. Só este final de semana uma meia dúzia conhecidos que não vejo há tempos entraram em contato. E outros desconhecidos apareceram.

Tenho uma dificuldade com as manias do momento. Ou bem entrei antes de começarem, para sentir aquele frisson do novo ou só vou considerar a hipótese de aderir bem depois. Posso admirar, mas não me sinto bem dando o braço a torcer antes da hora.
Tipo moicano, que usei antes há tempos. Quando virou corte oficial parei de usar e voltei quando baixou a bola.
Pode parecer frescura, mas já aceitei que sou assim e não vou forçar a minha barra.

Encaro como a abertura de uma rede de contatos que bem pode ser útil mais tarde. No momento não estou para aqüendação, portanto, é possível um distanciamento racional.
Mas já usei para saber qual era a de uma pessoa que conheci rapidamente. No mínimo o que faz profissionalmente, se está namorando, idade e, com sorte, vê o corpão.
Estou montando minha lista de comunidades, aceitando convites de novos amigos, convidando velhos amigos, descobrindo gente perdida do passado na rede.
Tem lista de antigos usuários do BBS Mix Brasil, de ex-alunos do CRJ, até informações sobre Jacques Brel ando trocando. O que me fez voltar a ouvir meu cantor favorito do começo da adolescência.
O esforço agora vai ser para não perder preciosas horas de sono na frente do computador.
Estou há um ano sem acessar Internet de casa, justamente por uma certa falta de controle. Foi uma época que estava meio solteiro, passeando pelos chats da vida, trabalhando a webcam.
Já descobri uma comunidade onde sou detonado. Após quase oito anos na Folha e dois anos e meio de blog já criei anti-corpos às xoxadas por e-mail.

Ontem n´A Loca o texto mais usual dos orkuteiros era de que o serviço deixa de ser gratuito em janeiro.
Se for verdade, acho que a coisa mia.  E aí fazemos o quê ?


Escrito por André Fischer às 16h50 Comentários Envie

Falando de noite...Variedade x Certeza

13/10/2004

 Este feriadão estive no Rio para uma mini temporada de descanso, namoro e um pouquinho de trabalho.
 Tinha que voltar na terça para participar das reuniões para escolher os filmes da Mostra Competitiva Nacional do Festival Mix Brasil e fechamento da programação geral.
 

Com a virtual falência da Vasp, a Gol fez o papelão de aumentar sua tarifa para R$300 e manter uns poucos vôos no preço antigo. Para conseguir pegar a última ponte a R$180, teria que estar no Santos Dumont até às 8h30 e com isso a noitada foi para o beleléu.

 Para dizer a verdade não foi um grande sacrifício. Ando ultra seletivo com minhas saídas e não havia nada no cardápio noturno carioca capaz de me fazer perder uma boa noite de sono.

 Optei por programas mais alternativos: shopping na Visconde, happy hour no Devassa, lanchinho no Ateliê, um delicioso jantar-degustação com grupo adorável de BFs, ver a exposição das galerias no Jardim Botânico, além das idas a casas de amigos. Praia só off-Farme e mesmo assim depois das quatro.

Tive ainda o prazer de conhecer a foférrima Annie Sprinkle, ex-estrela pornô que hoje é sexóloga, documentarista e militante lésbica. Acompanho a carreira dela há anos e sempre quis conhecê-la. Ganhei uma de suas famosas Tit Prints (gravuras que faz com o próprio peito), que fará parte de minha pequena, mas crescente, coleção de arte erótica.

 Antes de voltar para Sampa fui encontrar amigos queridos para colocar o papo em dia (e ver a versão completa do vídeo da Paris Hilton).
 Ao chegar lá descobri que meus amigos iam para o Fosfobox ver um DJ gringo. Só que eles já tinham ido lá na 6ª, no sábado e no domingo.
Segundo eles não há outra opção na noite carioca.
 Lembrei dos velhos tempos do Crepúsculo de Cubatão, que cheguei a freqüentar de quarta a sábado no final da adolescência. Tinha a sensação de que meu mundo de interesses, pelo menos musicais e sexuais, poderia ser circunscrito àquilo mesmo. No máximo as idas ao Satã em Sampa.

Quase duas décadas depois, busco diversificar ao máximo minha programação como estratégia para manter o entusiasmo. Por até 40 minutos quase toda novidade pode ser interessante.
Ir a uma casa noturna, por mais bacana que seja, significa que levarei algum tempo para voltar. Gosto cada vez mais de valorizar cada momento justamente por sua unicidade.


Falando de noite... E você, prefere variar ou não se arriscar e repetir constantemente ?


Escrito por André Fischer às 16h02 Comentários Envie

Diversidade Sexual na adolescência/ Resultado das eleições

06/10/2004

Suzy, Cláudio e eu temos passado nos últimos dois meses pelo menos duas manhãs (sim, das 8h ao meio-dia) por semana em CEUs da periferia de São Paulo em oficinas de vídeo e diversidade sexual com alunos da 8ª série.
Uma experiência e tanto. Ainda me encanto com o que tenho aprendido sobre o universo adolescente das chamadas camadas populares. Mas também tenho sido forçado a ver as dificuldades de lidar com eles.


Começamos sempre em todas as turmas discutindo preconceito contra homossexuais e nos entusiasmamos inicialmente com os roteiros engajados que resultam dos pri9meiros encontros.
Mas é só começarmos a gravar, que os preconceitos voltam à tona com força máxima. Os meninos se recusam a fazer seus papéis, que muitas incluem a sugestão de que seriam gays. E as meninas, ao vê-los atuando ficam gritando impropérios, os chamando de bichinhas, desmunhecando e por aí.
Some-se a isso o grande despreparo da maioria dos alunos (o português é vilipendiado de maneira assustadora nos roteiros que li). Fica difícil conter o desânimo. Como sempre, são as exceções que salvam nosso dia.

Você gostaria de compartilhar aqui suas experiências em lidar com o tema da diversidade sexual com adolescentes? Não me refiro a experiências sexuais, por favor...

*****


Sobre as eleições, algumas considerações rápidas. Mais uma vez candidaturas glbt floparam de norte a sul. Coincidência ou não, os 3 únicos vereadores homossexuais eleitos não constavam de nenhuma lista da ABGLT ou do movimento gay. Eles teriam sido esquecidos ou esqueceram de se anunciar gays para a militância?
E será que se Marcelo Cerqueira tivesse saído por outro partido em Salvador não teria mais chances de levar? O PV virou uma legenda de aluguel e ainda sem força para eleger alguém.

Como desta vez optei por apoiar uma candidata simpatizante, fico feliz que ela tenha sido tão bem eleita, mais de 50 mil votos. A maioria dos gays que conheço votou nela, mas seguramente sua eleição foi garantida pelo apoio de outros segmentos. É torcer agora para que ela marque presença na Câmara defendendo nossos direitos.
Acho que as coisas vão melhorando. Gostei muito de ver Marcio Youssef, uma mauricinho que vem emporcalhando a cidade nos últimos seis meses perder fragorosamente. E,convenhamos, a eleição de Zé do Caixão também teria sido uma piada de mau gosto dispensável. Já basta Agnaldo Timóteo.
Em Sampa voto Marta no segundo turno também e torço por ela, mas acho que, apesar de careta demais, o Serra nem é tão mal.
Só continuo mesmo triste com a situação lamentável do Rio. Morro de vergonha pela situação política de lá e só espero que em dois anos a população acorde do pesadelo que embarcou nos últimos 10, 15 anos.

E você, como percebeu as eleições ?


Escrito por André Fischer às 15h57 Comentários Envie


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