Bush está me transformando em um terrorista anti-americano
28/07/2004
Ontem fui ver a pré-estréia de Farenheit 11 de setembro, o documentário novo do Michael Moore. O filme se arrasta em alguns momentos, tem excesso de informação, força a barra no melodrama e jornalisticamente é bem questionável – não apresenta o básico “outro lado”, por exemplo.
Mesmo descontado o evidente maniqueísmo de Morre, é impossível sair sem uma sensação de ódio profundo pela atual administração dos EUA. E muito difícil não confundir a burrice belicista do povo americano com má intenção.
Saí com ímpetos terroristas. Torço pelo fracasso total das forças militares americanas e britânicas. Confesso uma ponta de satisfação a cada fracasso militar da coalisão. Acho menos perigosos os rebeldes degoladores das bandeiras pratas e responsabilizo Bush e Blair por cada estrangeiro ou criança iraquiana que morre.
Quando era pequeno meus pais eram meio comunistóides e nos ensinaram a considerar o consumismo americano como uma manifestação menor de cultura. Cresci achando a Disneylândia uma babaquice e só fomos uma vez a Nova York como concessão à nossa formação mais generalista.
Mas depois da universidade mudei muito minha visão do mundo e me encantei com os EUA. Passei a freqüentar NY, considerá-la capital do mundo e até a Disney acabei conhecendo. Tanto a de Anaheim quanto a de Orlando.
Virei fã completo do modo de viver americano e passei até alguns anos deixando a Europa meio de lado. Meu inglês chegou até a ficar melhor que o francês.
Quando se fala em cultura gay, então, não há nem o que se dizer. Foram os corajosos americanos que impulsionaram a luta por direitos e criaram um padrão seguido pelo mundo todo.
As últimas vezes que fui aos EUA me senti mal, um desconforto no ar. Fui revistado de maneira humilhante nos aeroportos, tive que ouvir um motorista de ônibus gritando que Bush ia livrar o mundo de Saddam.
Parecia que estava na Alemanha nazista, algo de muito podre no ar. Decidi não voltar enquanto a coisa não mudar.
Quero voltar a admirar os americanos, voltar a acreditar em seu papel de liderança. Por enquanto só me resta torcer para que o bom senso seja restabelecido por lá.
Esse blog é só um desabafo. Já já mando um textinho menos down...
| Escrito por André Fischer às 14h55 | ![]() |
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Como ser dois sem perder a unidade
20/07/2004
Estar em uma relação estabelecida e estável muda muita coisa na vida de uma pessoa. Como em tudo mais, existem vantagens e desvantagens.
Quando você se dispõe a formar um casal perde a capacidade de decidir sozinho sobre coisinhas bobas como ir a um jantar ou passar um final de semana fora. Se por um lado ganha uma ótima companhia para ficar em casa - e no inverno isso é fundamental- para sair, as coisas não são tão simples assim.
Tem aquele amigo que você acha divertidíssimo, mas seu namorado encanou que ele é um mala sem-alça. Arma uma ida à praia que lhe parece imperdível, mas ele pode não estar disposto a tomar sol. E aquela outra amiga que você adora há anos, mas só encontra muito raramente e quando sentam é por horas e para colocar a vida em dia. Se estiverem acompanhados a conversa vai ficar truncada, precisando de muitas explicações.
Ao formar uma dupla, você acaba deixando de fazer algumas coisas que pareciam corriqueiras quando estava sozinho. 
Por mais que tenha uma relação bacana, acredito que é preciso deixar reservado sempre um bom tempo na agenda para manobras pessoais e para o bom e velho social. Que, em São Paulo pelo menos, geralmente vem acompanhado do profissional. Já acreditei no grude total, casamento completo, morando e trabalhando junto.
Mas hoje só de pensar em algo assim me dá um arrepio. Preciso de espaço, poder manobrar na vasta rede social que estabeleci. Espero que o relacionamento preencha as necessidades afetivas, emocionais, e sexuais. Mas não quero concentrar tudo em uma pessoa só. É injusto e cria cobranças desnecessárias.
Considero o tempo gasto com conhecidos, amigos e família fundamental para o bem estar emocional e mental. Acho que até físico.
Estou buscando a utopia de ser dois e um ao mesmo tempo. Espero poder alcançar este nirvana ainda nesta vida. Se possível ainda nesta década.
E como você administra o tempo em suas relações ?
| Escrito por André Fischer às 14h06 | ![]() |
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A escolha da grife perfeita
15/07/2004
Mais uma vez o tema deste blog vai ser o que consideram pura futilidade. Durante muitos anos também acreditava que grifes eram assunto para gente desocupada e com a cabeça vazia. Mas já comecei a mudar um pouco minha opinião sobre o tema.
Ando às voltas com a escolha de um novo par de óculos. Por anos só usei legítimos camelôs made in China, passei para os Chilli Beans e finalmente ano passado me rendi ao Gucci. Acredito que o investimento anualizado em óculos não mudou muito. Um par no Chilli Beans sai por volta de R$70 e meu recorde foi resistir 3 meses sem perder, arranhar ou sentar em cima. O tempo médio de um óculos era de um mês. Não considerava investir mais justamente por sua vida curta.
Não via muita diferença no resultado estético, posto que esta não era uma grande preocupação. A partir do momento que fui convencido a investir 10 vezes este valor em uma marca mudou minha percepção da coisa.
A começar pelo cuidado com o patrimônio. Há quase um ano guardo meus óculos sempre na caixinha e continuam bem conservados. O caimento no rosto é evidentemente melhor, sem falar em lentes que protegem os olhos de verdade no lugar de vidros que fritam a retina.
E tem a questão da mensagem que as grifes transmitem. Um Prada, mesmo mínimo e discreto, demonstra não só poder estampado no rosto mas que seu proprietário valoriza tecnologia, design e a qualidade embutidos naquele logotipo. Isso se traduz em uma confiança adicional na hora de ir para rua na luz do dia.
Agora chegou a hora de investir em um modelo mais esportivo. Imagino que a necessidade do terceiro venha com junto com o grau (minha visão se mantém 20/20, mas sei que não vai durar para sempre).
Prefiro as marcas italianas às francesas. Passam uma imagem de poder, classe e masculinidade. Exceção feita a Versace, que considero perua demais - pelo menos para mim. Não tenho peito de ostentar um Chanel, precisa ser muito macho. E como sou label victim novato, não considero marcas esportivas americanas. Cheguei a gostar de um modelo nacional, mas preciso confessar que puro deslumbramento me impele às marcas importadas. Boas, como diria minha avó. Caras, como diria minha sobrinha.
Ainda não estou preparado psicologicamente para desembolsar seis salários mínimos em um YSL. Por isso ando mais propenso a um Armani básico, apesar da Erika considerar a marca uó...
E você, tem uma grife favorita? Acha tudo isso uma babaquice ou valoriza uma boa marca ? 
| Escrito por André Fischer às 12h07 | ![]() |
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Mudando de lado
06/07/2004
Bem que tentei, mas não rolou.
Continuando minha saga esportiva no Valle Nevado, comecei a me sentir mais seguro para usar mais velocidade ao
descer a montanha. Isso não quer dizer que os tombos tenham cessado, muito pelo contrário.
O que me fez acreditar que talvez estivesse usando o lado errado da prancha.
No snowboard existem duas posições para os pés: regular ou goofy( em português estúpido). Regular seriam os que usam a perna esquerda na frente e goofy os que usam a direita na frente.
Já havia passado pelo teste, que consiste em ser empurrado e verificar qual pé faz o apoio, para saber que sou regular.
Mas minha dificuldade em fazer curvas para direita e o fato de várias vezes me pegar fazendo manobras com a direita na frente, me levaram a crer que poderia ser goofy.
Decidi então tentar trocar de lado, mesmo já tendo praticado várias vezes como regular.
A troca da prancha foi fácil. Difícil foi me esquecer as horas todas de treinamento com o pé esquerdo. 
Resultado: me deu uma preguiça grande de me recondicionar e acabei ficando com o esquerdo na frente mesmo.
Posso não ser um ás do snowboard, levar uns tombos na hora de virar para direita, mas aproveitei melhor o tempo na montanha, sem ter que voltar para o beabá do equilíbrio.
Fiquei pensando no dilema que passam esses gays que vão a Igrejas para tentar recondicionar sua sexualidade. Eles não estão satisfeitos com as vidas que levam, esperavam mais de suas manobras no campo sexual ou emocional e encaram a heterossexualidade como sua tábua de salvação.
Mas reorientar o desejo deve ser um tanto mais difícil do que mudar o pé com que se pisa.
Ainda assim achei que não valeria a pena perder um tempo precioso me recondicionando. Com certeza os dois dias que me restavam passaria aprendendo novamente os básicos em vez de tentar aperfeiçoar minha descida do jeito que já sei.
Sem ter que tomar nenhuma atitude radical, desci às vezes me arriscando com o lado direito na frente. Rolou.
Com mais algum tempo de prática percebi que posso até me tornar Bi, ou melhor, ambidestro. Mas sem nenhuma pressão de tempo ou necessidade de ser o fodão do Valle Nevado.
Continuei levando meus tombos e para melhor a sensação de estar moído no final do dia, nada como uma boa piscinada quente no meio da neve.
| Escrito por André Fischer às 17h41 | ![]() |
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Montanha Abaixo
01/07/2004
Como desenvolver auto-confianca nos Andes
Depois da temporada de Paradas Gays, nada como um bom programinha careta para refrescar a cabeca.
O destino que escolhi foi Valle Nevado. Há mais de dois anos nao fazia snowboard, tava na hora de dar uma
desenferrujada.
E minha primeira vez no Chile. Santiago me surpreendeu pelo tamanho e riqueza. Uma Buenos Aires mais rica, mas mais triste e careta.
Saí para fazer um reconhecimento da área. Terca à noite é difícil em qualquer lugar do mundo. Fomos aos lugares óbvios, Bella Vista (um Bixiga mais bem produzido mas ainda mais careta) e Suécia, uma armadilha para turistas maurícios.
Na volta a pé para o hotel vi umas travas, perto delas um grupinho de gays. Decidi segui-los. Acabei baixando num barzinho lindo, meio Ritz, meio Confeitaria Colombo. Um tal de Liguria. Foi um alívio ter a certeza que , mesmo em um lugar sem referências consigo seguir meus instintos e cair na boa.
Ontem rodei o Centrao e depois quase pus os bofes pra fora subindo a cordilheira em direcao a Valle Nevado. EStradinha difícil. Na volta seguramente vou mandar ver um Dramin.
Hoje me joguei montanha abaixo, primeiro na baby mountain. Chato ficar descendo e subindo o tempo todo. A graca de descer uma montanha nevada é justamente sentir a radicalidade do esporte. Vento na cara, pelo menos tentar manobras...
A Nina, que nunca fez esporte, está aqui e resolveu tentar. Mas um instrutor louco jogou ela de cara na pista. É lógico que nao rolou.
Ela concluiu que nao é obrigada a conseguir, nao quer ceder a essa pressao do sucesso.
Mas eu resolvi me arriscar mais e conseguir sim.
Subi até o alto da montanha e me joguei mesmo. Pelo menos ia tomando os tombos, levantando e prosseguindo. Nao me rendo aos tombos. Tudo bem que teve um que foi foda, achei que tinha quebrado a costela.
Acho que a vida é meio assim, pelo menos para mim. Me jogo mesmo, vou acreditando. Ganho confianca e desenvolvo velocidade.
Como a neve está meio baixa, tomei um tombaco na lama em uma pista meio abandonada que entrei. Mais uma licao. É pra se jogar, mas com cuidado. Uma placa no lifting diz " use pistas do seu nível". Acreditei demais. Mas pelo menos já sei que posso. Amanha vou novamente.
Ainda torto fui fazer umas aulinhas de alongamento e abdominal. Os brasileiros sao maioria por aqui. Portanto, a aula na academia foi com uma barbie carioca ao som de Tati Quebra-barraco.
Bom, o Valle é o seguinte. Absolutamente nada para fazer além de esquiar e comer. E nem pense em agito gay. Pude reconhecer algumas bees meio soltas, na academia uns três ou quatro. Mas nada de azaracao. A idéia aqui é outra. Adoraria estar bem acompanhado. ESsa neve toda só fica me dando vontade de casar...
Nao consegui coloocar alguns acentos... E se vier pra cá traga seu lap. O cyber café, bem como todo o resto, é bem caro .
| Escrito por André Fischer às 20h01 | ![]() |
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