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Do Começo ao Fim, o filme

05/11/2009

Desde o começo, o diretor Aloizio Abranches quis contar a história de amor entre dois irmãos que se amavam, mas sem julgamento moral. Provavelmente ela teria que se passar em um mundo que não existe.
Atores lindos, elenco estelar, produção bem cuidada e belas paisagens dão suporte ao corajoso argumento que aborda uma relação incestuosa delineada desde a infância que se concretiza quando adultos.
O mundo perfeito criado pelo filme poderia ser uma utopia, se essa utopia fosse assumida. Os diálogos não sustentam essa realidade paralela. Não há drama, nem na família, nem na sociedade, nem entre eles. Ninguém se incomoda. Tudo conspira para que o amor deles frutifique. Nem uma separação é capaz de gerar conflito.

E parte daí o estranhamento do filme.  Só há sorrisos, gente rica e linda. Nem mesmo duas mortes são capazes de pesar o clima de comercial de margarina. Pelo contrário, elas são soluções fáceis para a história.
Teve gente chorando na sessão para imprensa. Emocionados com o amor puro entre os moços e pela delicada relação da mãe com os filhos .
Os problemas de roteiro, para mim pelo menos, dificultaram um envolvimento maior com a história.

Ainda assim é fundamental assistir a Do Começo ao Fim. É um filme que certamente terá uma carreira internacional e que, além das imagens de sexo ( e muito nu), merece crédito pela originalidade de falar de amor incestuoso sem julgamentos morais .
Outros filmes que abordam essa temática , e que estão presentes no Festival MixBrasil de Cinema esse ano, invariavelmente caem na desgraceira.


Escrito por André Fischer às 01h41 Comentários Envie

Mais uma Parada

01/11/2009

Amanhã tem Parada Gay aqui no Rio. Numa conta rápida, deve ser perto da 40a Parada Gay que estarei presente.
As Paradas são importantes, nem mais pela mobilização que geram, já que todas viraram micareta mesmo. Contam pela visibilidade, colocam a palavra gay na primeira página dos jornais. E pouco além disso.
A do Rio pelo menos leva o governador, e esse ano provalmente o prefeito também, o que dá um aval importante do poder público à causa gay.

Ms como tudo na vida, chega uma hora que entra no automático e a emoção se perde.
Essa coisa dos trios elétricos já não deu?
Imagino que ainda tenha gente que está indo na sua segunda ou terceira Parada. Mas logo logo chegará o esgotamento a esas pessoas também.

Não valeria a pena pensar em um formato novo, talvez menos festivo, mais político? Ou se for para manter a festa, não vale pensar uma festa diferente? 


Escrito por André Fischer às 02h50 Comentários Envie

Sexy back

23/10/2009

Depois da volta de Nova York, onde a cena gay está minguando com uma rapidez impressionante, cheguei até a questionar se realmente faz sentido continuar militando por essa causa.
As livrarias gays fecharam, revistas gays faliram na crise mais do que as não-gays, não há mais saunas nem sexclubs. Tudo em nome de uma inclusão que, na real, na real, ainda está longe de ser completa.
Não adianta o discurso que não é mais necessário lutar por espaço e reconhecimento. Assistindo Patrick 1.5, filme sueco que mostra um casal gay que adota uma criança, vê-se que mesmo na mais tolerante das sociedades existe preconceito. Crianças batem na casa deles chamando-os de viados, os vizinhos se sentem constrangidos de chama-los para frequentar suas casas. 

A idéia de que todo mundo é igual independente da orientação sexual,  à primeira vista pode parecer uma idéia muito sedutora, mas esbarra no preconceito que ainda existe mesmo em Nova York ou Estocolmo e engendra a possibilidade real de um retrocesso mais tarde. Insistir em ser gay, ser diferente, pode voltar a ser considerado um problema.

Nada substituiu a visibilidade e a existência de cena gay de verdade, que tem características próprias. Estou lendo The Boy, uma autobiografia do Edmundo White contando sobre sua vida em Nova York nos anos pré e pós Stonewall. Nos anos 70 a cena gay da grande maçã era infinitamente mais fascinante do que a coisa asséptica que virou hoje.

Por isso fiquei feliz ao saber que The Lair, seriado da here! TV sobre vampiros gays, chegou à terceira temporada sem nenhum pudor.

Dá uma olhada no pequeno trailer com cenas do seriado, editadas muito apropriadamente com Sexy Back do Justin. 
 


Escrito por André Fischer às 17h29 Comentários Envie

O Feioso Pauzudo

21/10/2009

Intimidado pelos corpos e rostos perfeitos dos clubes, ele nem costuma sair para baladas. À noite vai no máximo a um barzinho, de preferência os mais sossegados. Não usa marcas de moda, pois acha que só marcam mais seus pneus. Também não dá muita atenção ao cabelo, pois a calva já ocupa quase metade da cabeça.

Mas é sem roupa que o patinho feio se revela.

Vai a praia de nudismo, é o rei do quarto escuro, glória dos glory holes. Na academia passa mais tempo no vestiário trocando de roupa, tomando banho do que malhando. Na sauna posiciona estrategicamente a toalha para revelar justamente a parte mais avantajada da sua anatomia.       

Fica excitado quando percebe que chama atenção. E se satisfaz depois em ver aqueles corpos e rostos perfeitos pagando pau pra ele.


Escrito por André Fischer às 18h59 Comentários Envie

Falando em política

19/10/2009

Fui convidado para participar do Festival de Política organizado pela Trip e Studio SP. O objetivo é pensar na viabilidade do Brasil e levantar o que podemos fazer para mudar nosso país.

A principal causa de um país que começa a poder pensar no seu futuro é garantir  acessibilidade plena a toda informação. Nessa Era de Aquario que começa, a comunicação passa a ser o maior valor devemos discutir de maneira séria os limites do controle sobre a informação e a garantia de liberdade no uso dela.

A popularização de netbooks e smartphones ao mesmo tempo, que vai colocará a possibilidade de comunicar na mão de cada indivíduo também o tornará mais controlável. Com o GPS embutido nos equipamentos somos todos bispas Sônias com suas tornozeleiras.
Serviços de controle parental que já estão sendo usados por famílias americanas podem parecer positivos para pais que querem saber onde estão os filhos por segurança, mas dá medo a possibilidade de ser  localizado a qualquer momento.

É muito importante nesse momento garantir a restrição ao acesso das informações pessoais. Devo ter o direito de não ser seguido. Caminhamos para um mundo onde a privacidade será um conceito do passado, mas isso só pode acontecer daqui a muito tempo em mundo mais perfeito, onde as liberdades pessoais estejam totalmente garantidas. Países como a Coréia do Norte, China, Irã e Cuba usam a internet para cercear a liberdade. Imagine se essas tecnologias estivessem disponíveis há 150 anos? Todos os negros do Brasil teriam chips implantados para serem melhor controlados. A Microsoft vai lançar em 2010 a Xbox Natal , que reconhece rostos, vozes e movimentos das pessoas dentro de casa. Imagine se elas estivessem instaladas nas casas da Somália, onde mulheres que usam sutiã estão sendo perseguidas?

Precisamos estabelecer imediatamente regras que sejam fruto de consenso. A pornografia infantil, por exemplo, já foi elegida como algo que deve ser eliminado da rede mundial.

Outras causas fundamentais devem estabelecer parâmetros das liberdades individuais. Já.

Os direitos civis lgbt foram encampados pelo discurso mais liberal nos países mais avançados independente da pressão de grupos de militância gay. Foram políticos e eleitorados de maioria heterossexual que entenderam que eles representam a defesa de direitos fundamentais de expressão, no caso aplicados à orientação sexual.
Em países como Espanha, Holanda, Canadá, Escandinávia e parte dos EUA isso já é uma realidade. Na Africa do Sul por motivos históricos a defesa por direitos lgbt foi incluída na defesa das minorias. Nosso vizinho Uruguai levantou a bandeira dos direitos humanos

Zapatero foi eleito na Espanha defendendo direitos para gays e lésbicas, levantou essa bandeira  e cumpriu nos primeiros meses de governo. Obama, que também defendeu direitos lgbt em sua campanha, já se movimenta para cumprir promessas. Eles não estão apenas agradando uma pequena minoria. Entendem que essa é uma questão emblemática dos direitos individuais.

No Brasil as Paradas e outros movimentos nos deram visibilidade e muito acreditam que isso já seja suficiente. A baixíssima mobilização da comunidade lgbt (que não é diferente do resto da sociedade brasileira) fez com que essa visibilidade não se traduzisse até agora direitos.

E a visibilidade, em um mundo cada vez mais parecido com o 1984 de Orwell, pode sumir a qualquer momento.

Não basta o presidente Lula ir a um  Gongresso LGBT e dizer que acha bacana ser gay. Teria sido um momento histórico se isso tivesse se traduzido  em um objetivo real do governo de transformar o discurso em lei.

Só o que vira lei é uma real conquista, que não pode ser deletada.
Quando fazemos política, falamos em fazer leis, agir de acordo com elas e defender essas leis.

O PL 122 que está tramitando no Congresso desde 2006 prevê a criminalização da homofobia, igualando-a  ao racismo. Não explicitar a proibição de descriminação por orientação sexual, como acontece nos casos de raça, cor, sexo, idade e credo, torna essa questão invisível e passível de ser esquecida.

A causa dos direitos lgbt não deve apenas ser de gays e lésbicas. Ela é uma causa de toda a sociedade, assim como foram a liberdade religiosa, os direitos da mulher e a luta contra o racismo.

 


Escrito por André Fischer às 17h26 Comentários Envie

Cilada americana

02/10/2009

Engraçado ver a escolha da sede das Olimpíadas nos EUA. Dois terços do noticiário foi sobre a derrota de Chicago e análise do fracasso mesmo com a presença dos Obama. Disseram que o COI optou pela festa e votou mais com coração do que com a cabeça. Mas no final também lembraram que das 30 olimpíadas, 12 já foram aqui.
Não é a solução dos problemas do Rio, mas pode indicar uma boa oportunidade para resolvê-los.
Vamos celebrar.
*
Hoje mudamos de Midtown para o Village. Aquilo lá em cima realmente não é meu lugar. Sem graça, sem personalidade. Hoje , passeando pelo Soho e Nolita, me senti em casa.

*
A cena gay certamente está mais devagar. Revistas fechadas, negócios decadentes, bem menos clubes e bares que 5 anos atrás. Em Hell´s Kitchen algumas festas de novinhos, Chelsea já foi. A onda certamente é outra. De uma maneira geral, está tudo mais devagar. A crise é visível. Em South Beach, balneariozão, o dinheiro sempre foi mais curto e a crise aparece menos.
*
Estou twittando direto daqui...


Escrito por André Fischer às 21h59 Comentários Envie

Bufando

24/09/2009

Nada como um bom e velho preconceito para renovar as energias na militância contra o atraso.

Ontem viramos mais uma madrugada no fechamento da próxima edição da Junior, que por sinal, está mais linda do que nunca  (a ponto de termos optado por rodar 2 capas já que estava difícil escolher entre as opções).

Hoje de manhã cedo fui acordado pelo pessoal da distribuidora avisando que teríamos que colocar um aviso “ proibido para menores de 18 anos” na revista. Achei que meu coração ia sair pela boca, tive que me controlar muito. A Junior tem menos conteúdo sexual que qualquer Capricho por aí. A justificativa foi pior ainda: “ Não é o conteúdo, é o público a que ela se dirige”, foi o que disseram. Ameacei ir à Justiça e armar o quiprocó que fosse necessário, mas me recuso a inserir esse tipo de advertência em uma revista que não tem nada proibido para menores – a não ser que denunciar o preconceito em escolas, mostrar dois homens se beijando ou acompanhar um idoso gay em um asilo seja algo proibido nesse país.
Já acionamos nosso jurídico que está preparando um parecer para confrontar qualquer manifestação nesse sentido.
Já acho sem sentido a Junior ficar ao lado da G em muitas bancas, mas isso é a maneira como os jornaleiros encaram o segmento. Mas a distribuidora ou um juiz fazerem esse tipo de alegação, forçando a revista a sair ensacada ou com avisos de proibição em pleno século XXI é uma loucura.

Vinha andando matutando nos últimos tempos se realmente ainda faz sentido um trabalho  direcionado ao público lgbt. Até na terapia já andei discutindo isso.
Pode parecer paradoxo, mas são coisas desse tipo que me dão forças para seguir em frente.  


Escrito por André Fischer às 17h09 Comentários Envie

Finde esportivo

20/09/2009

Mais de um mês atrás foi apresentado na Cads o projeto de um passeio de bike da Diversidade Sexual, que os SP Gay Bikers organizariam dentro da Virada Cultural. Marquei na agenda e planejei o fim de semana em São Paulo.
Semana passada soube que o passeio não aconteceria, mas saiu na Folha que aconteceria. Esqueceram de avisar que havia sido cancelado.

Esse foi meio o tom do que vi pela cidade. Sem faixas específicas para ciclistas, a programação noturna, para uma virada que deveria ser noturna não virou.

No Anhangabaú um show simpático para galera do skate. Mas meio paradão. Demos a sorte de entrar em um grupo grande de bikers, com escolta da polícia e CET, ambulâncias etc. Bastante gente mas não passavam de 500. Demos uma volta no centro antigo, Colégio as pessoas reclamavam que estavam dando voltas. Entramos no metrô São Bento até Paraíso, descendo, pit stop na Galeria dos Pães.

Acho que criamos uma modalidade esportiva nova, Urban Bike Downhill, ou simplesmente u-downhill.  Consiste em subir de metrô as ladeiras e descer avenidas de bike.

4 horas rodando, chegando 2h em casa...


Escrito por André Fischer às 02h55 Comentários Envie

Mr Bofe e o esterótipo

11/09/2009

Interessante a escolha do Thiago Silvestre do Mato Grosso como Mr Gay Brasil 2009.
Meu favorito era o do Ceará, parecia mais preparado, mais homem. Nesse quesito o candidato de Pernambuco, jornalista bastante articulado e de ótima apresentação, também seria uma opção, mas o júri tende a escolher mais sarados.
Certamente esse ano gostaríamos de ter um Mr Gay que não fosse apenas um rostinho bonito. Ano passado foi escolhido um menino sem nenhum compromisso com a causa que nos deu  dor de cabeça e não representou absolutamente nada. Chegou ao cúmulo de viajar para um cruzeiro pelo Egito, bancado, justamente na data da final onde deveria passar a faixa.
O briefing para o júri era que o critério principal não deveria ser apenas o físico.

Thiago de todos os candidatos era o mais bofão. Já namorou meninas e aparenta ter bem mais do que seus 22 anos. Trabalha com contabilidade, um cara super sério. Fala pausadamente, tem boa voz, bom português e fica muito bem nas fotos. E ajudou o fato de mostrar ao público, do palco, seu namorado. Foi um momento fofo.
Como ele ainda está aqui em São Paulo cumprindo agenda de imprensa e eventos tive a oportunidade de conhecê-lo um pouco melhor.

Ele é gostosão mas certamente não era o mais bonito de todos, mas era o que mais parece hétero.
O slogan do concurso é ‘ desmistificando estereótipos’ e parece haver uma concordância que os mais pintosos não podem ser Mr Gay. Certamente o estereótipo do gay é a bichinha.

Só não sei bem se escolher alguém que pareça menos gay não é de certa forma reforçar a crença de que é preciso não parecer gay.
De qualquer forma, concordo pelo menos por enquanto que a escolha foi acertada, sobretudo no estágio que o movimento gay ainda está no Brasil. Em outros países ser assumidamente pintosa é um plus.
*
Em três edições do evento, é a segunda vez que um matogrossense leva o título. Já ouvi várias piadinhas de que MT seria Venezuela gay.


Escrito por André Fischer às 19h21 Comentários Envie

Desculpe o silêncio

09/09/2009

O projeto de um novo livro começa a se desenhar e a vontade de escrever me faz voltar ao blog. Foram mais de dois meses quase só tweetando, sem coragem de mexer em alguns assuntos delicados.
Começo esclarecendo a crise que o site MixBrasil passou - e ainda não saiu completamente.
*
No dia 8 de julho, véspera de feriado em São Paulo o MixBrasil foi vítima de um ataque de invasores,  que somado a uma manobra equivocada da equipe de tecnologia do Datacenter do UOL, acabou detonando nosso servidor. Acredite se quiser, o webmaster , que foi demitido na ocasião, fazia os backups no mesmo servidor e assim toda a estrutura do site, base de assinantes e vídeos foram perdidos.
Foram 5 dias virados, totalmente fora do ar, seguidos de mais um mês com o site capenga. 
Até agora algumas partes ( sobretudo a área de Sexo, responsável por boa parte da audiência do MixBrasil) e features (como a busca e comentários) ainda não estão 100%.
 
Felizmente todos os textos das mais de 50 mil notícias e matérias – que contam a história de tudo que aconteceu no Brasil e no mundo no que se refere à cultura lgbt e cena gls desde 1997- e cerca de 60% das 480 mil imagens foram recuperadas – (as imagens ainda estão com nomes que não correspondem ao seu local de postagem, o que resultará em alguns meses até que sejam totalmente localizadas).   

Ainda que controlado, um pequeno desastre em termos de audiência e publicidade justamente em um momento em que estávamos em fase ascendente em termos de faturamento.
O pior de tudo que estávamos planejando uma série de atividades comemorativas aos 15 anos on line do MixBrasil, completos no último dia 16 de agosto. Foi naquele dia em 1994 que foi inaugurada a pioneira BBS MixBrasil, antecessora da internet (em 1995 fomos também pioneiros na internet e desde 1997 estamos no UOL).
Não houve clima para comemorações. A efeméride ficou marcada apenas o selo no logo do site.

Muitos leitores cobraram uma posição oficial, mas confesso que adiei constantemente à espera de boas notícias. Estamos reerguendo o site em um tempo onde horas fora do ar já implicam em imenso prejuízo.

Agora que já estamos nos recuperando, é hora de transformar o limão em limonada. O que vínhamos adiando pelo tamanho gigantesco de trabalho se tornou uma prioridade. Já iniciamos a reestruturação técnica, tecnológica, de equipe e o site passará por uma profunda reforma.
Mesmo em um ano difícil vamos seguir crescendo, lenta e seguramente, como tem sido a marca do MixBrasil desde o começo de suas atividades com o Festival de Cinema em 1993. Apesar de todos os pesares até agosto desse ano crescemos em relação ao mesmo período do ano passado.
Conseguimos fazer nesses dois meses a melhor edição da revista Junior e mais uma edição bem sucedida do Mr Gay Brasil.
E como não  conseguimos ficar parados, já iniciamos a gestão de novos projetos.

Por isso peço desculpas pelo silêncio, agradeço o apoio e compreensão de sempre.


Escrito por André Fischer às 12h24 Comentários Envie

Overdose

12/08/2009

Ando com overdose de conectividade.
O twitter continua valendo, mas posto um a dois comentários por dia, no máximo. Chato ter que limitar pensamentos a 140 toques, acaba tornando tudo muito raso. No Facebook não consigo mais administrar direito os convites para eventos nem de amigos. Orkut entro uma vez pr mês e olhe lá.
Blackberry Messenger limitei ao namorado e mais 3 amigos. Msn ainda é limitado ao trabalho e meia dúzia de amigos, mas fica ligado direto no celular. Aqui no blog, já viu está lento lento. Skype, até tenho, mas só se me camrem que entro.
Como ficou tudo no email, está difícil manter a meta de só deixar 10 pendências na caia de entrada a cada dia.
Sem contar a caixa postal do Tim, que nem carrego mais comigo, e do Nextel qu liga direamnt sem nem tocar para um monte de gente. Secretária eletrônica de casa, nem pensar. 

Como é mesmo que as pessoas se comunicam antigamente?  Só por carta? Acho que queria ter vivido naquela época.

http://twitter.com/Andre_Fischer


Escrito por André Fischer às 15h41 Comentários Envie

à Paris

26/06/2009

Muita informação processo melhor na volta.

Facebook e Twitter dando uma ideia.
Muitas fotos no desfile do Gaultier, algumas celebridades, coleção xinfrim.
Ficamos numa decente fila D, ótimo para a primeira cobertura da imprensa gay brasileira na semana de moda de Paris. Out na primera fila.
Depois na Before, In-crí-vel o ambiente dessa festa gay no terraço do Primtemps, vista 360 graus, as mais finas da cidade. 20h ninguém mais entra, filas enormes na loja. E ainda fomos recebidos com pencas champagnes. Estamos muuuuito finos.

http://twitter.com/Andre_Fischer

 


Escrito por André Fischer às 23h01 Comentários Envie

O prefeito não pode

21/06/2009

Semana de profunda reflexão sobre os acontecimentos pós-Parada, daí o relativo silêncio. A morte do moço abre espaço para uma articulação do tipo que hoje após a morte do Edson Neris, mas que se perdeu pouco tempo depois .
É hora de nos juntarmos e não deixar o prefeito aproveitar o fracasso da organização desse a no para nos confinar na 23 de maio.
A Paulista é uma árdua conquista de visilbilidade lgbt.
E um prefeito homossexual, ainda que tenha o direito de ser enrustido, não tem o direito de nos tirar de lá.   

*
Escrevo da deliciosa sala vip da Tam no Galeão,depois de um fim de semana cool , namorando muito, contato com família e arriscando até uma ótima festinha em Santa Teresa.Nada de Fashion Week nessa temporada. Nada mesmo.

*
Essa semana estarei em Paris com agenda lotada. De desfile Gaultier masculino a visita ao Centro Gay, passando por encontros com editores, hôteliers e um tempinho com os amigos. Vou também a Gay Pride, que já foi super bacana e hoje é considerada “assez ringarde” por muita gente.   
Certamente estarei mais pelo twitter, ainda que o blackberry – que se tornou meu maior vício- seja nextel e esteja fora do ar...

http://twitter.com/Andre_Fischer


Escrito por André Fischer às 22h46 Comentários Envie

Só pra foto

15/06/2009

Esse ano mais uma vez a Parada Gay de São Paulo rendeu imagens incríveis no Fantástico e em todos os jornais. Importantíssima a presença não só de prefeito mas também do governador afirmando apoio à causa lgbt. Fantástico. O evento é um sucesso de mídia e segue sendo um dos mais populares do país. É de interesse de todos nós que siga sendo um sucesso.

No entanto nós que estávamos lá não podemos deixar de relatar os fatos verdadeiros. Ficou evidente que o público era substancialmente menor que nos anos anteriores. Com exceção das concentrações na frente do Conjunto Nacional, ajudada pelo fato de haver um trio adicional estacionado do outro lado da Avenida, era bem mais tranqüilo caminhar de ponta a ponta. Não deixa de ser um ponto positivo, pois o gigantismo havia se tornado um problema sério. Mas insistir nos 3 milhões parece ficção à Aldous Huxley.

Houve forte investimento em infraestrutura, com totens informativos espalhados por toda a cidade. Na Paulista havia tendas brancas imensas por toda parte, mas com objetivo de apenas gerarem imagens para os helicópteros, já que nenhuma estava ocupada e se transformaram em grandes mijódromos.

A intenção de mudar o horário dos trios e apressá-los fez com que exatamente às 14h40 passasse pela frente do MASP o último carro. Em anos anteriores, às 14h o primeiro estava saindo. Resultado é que muita, muita gente não viu trio algum. Os trios de sindicatos passaram correndo, grudados um no outro.

Nosso camarote foi um sucesso, chique, com gente bacana, ótima infra. Boas parcerias estabelecidas com Manhunt, Tam, Maná, Maison Depil e Flexx que mostraram que a iniciativa privada gls pode se articular e  renovar o espírito na Paulista durante a Parada.
A partir das 15h30 a ação se transferiu para o fundo, pois já não havia o que ver na Avenida. Mas às 17h45, quando o sol se pôs se era hora de ir embora. Mix Markt funcionou bem no sábado, arraial e shows hilários, no domingo nem tanto.
O evento com editor da Têtu na Livraria Cultura também foi bem bacana. Bom pensar em encontros que são feitos para ser pequenos. Deveríamos aproveitar a presença de muita gente em São Paulo para esse tipo de evento.

Enfim, se é para a Parada ser apenas uma foto, ela é um sucesso. Se for para significar mais, precisamos fazer muita coisa nós mesmos.  


Escrito por André Fischer às 13h13 Comentários Envie

Back to my roots

09/06/2009

Depois de um mês twittando, eis-me de volta ao blog. A questão da ferramenta lá é que ela não foi feita para ser profunda. Nem Nietzsche conseguiria ser profundo em 140 toques. O que acontece é que na maioria dos casos vira um diário um pouco imediatista, sem maiores reflexões. Tenho visto alguns que conseguem, eu não ando com tempo- nem paciência- para tanto. Muitos viram escravos, você pode imaginar a pessoa ali, pres no blackberry prestando mais atenção no texto do que no momento, transformando a vida em pauta. 

Evidentemente editava barbaramente minhas ações, muitas vezes comecei a escrever e no meio batia uma autocrítica gigante: será que isso realmente interessa a alguém? 
Caminhamos para o fim da privacidade, esse é o destino inevitável da humanidade nessa nova era regida por Urano.
Mas até lá melhor usufruir dela, certamente será um privilégio depois de tê-la abandonado em detrimento da exposição pública total.

 


Escrito por André Fischer às 00h21 Comentários Envie


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